Ana narrando Sentei à mesa tentando parecer normal. O prato já estava servido, o cheiro da comida preenchendo o ambiente, mas meu estômago estava fechado demais pra sentir fome. Meu pai folheava algo no tablet, concentrado, enquanto Verônica mexia no celular com força exagerada, como se estivesse esperando o momento certo de atacar. Não demorou. — Eu ainda não entendi — ela disse de repente, largando o celular sobre a mesa com um estalo seco. — De verdade, pai. Por que ela? Meu corpo enrijeceu na mesma hora. Meu pai levantou os olhos devagar. — Do que você está falando, Verônica? Ela soltou uma risada sem humor e me olhou de cima a baixo. — Do casamento, óbvio. — Cruzou os braços. — Por que a Ana? Logo a Ana? Engoli seco, mantendo o olhar no prato. — Você escolheu justamente o h

