Ana narrando Eu ainda estava sentada na cama quando ouvi a batida leve na porta. — Filha… posso entrar? — Pode, pai. Ele entrou devagar, fechando a porta atrás de si como se quisesse proteger aquele momento do resto da casa. O terno já estava sem o paletó, a gravata frouxa. O rosto cansado denunciava o peso do dia. Sentou-se na poltrona em frente à cama e me observou por alguns segundos antes de falar. — Todo mundo já foi embora — disse. — A casa está tranquila agora. Assenti, abraçando as pernas. — Ana… — ele respirou fundo. — O casamento vai acontecer dentro de um mês. As palavras bateram forte, mesmo eu já esperando algo assim. Um mês. — Tão rápido… — murmurei. — Precisa ser — ele respondeu. — Pelo momento. Pelos acordos. Fiquei em silêncio por alguns segundos, sentindo o p

