Miguel narrando Quando ela entrou no provador, o lugar pareceu ficar menor. Eu fiquei parado alguns segundos olhando para a cortina fechada, tentando convencer a mim mesmo de que aquilo era só mais uma loja, mais um momento qualquer. Mas não era. Nada com a Ana tinha sido simples desde que ela entrou na minha vida. Soltei o ar devagar e fui até uma poltrona perto dos provadores, sentando com os cotovelos apoiados nos joelhos. Mulheres entravam e saíam das cabines, conversavam com as vendedoras, riam baixo. Um ambiente normal. Mas minha cabeça não estava normal. Eu sabia exatamente o que ela estava fazendo. E o pior era saber que estava funcionando. Passei a mão no rosto, tentando afastar as imagens que insistiam em aparecer. A forma como ela tinha segurado aquelas peças. O jeito ca

