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Miguel narrando A música batia forte demais dentro da boate. Luz baixa, gente dançando, copos batendo no balcão, o cheiro de bebida e perfume misturado no ar. Era o tipo de lugar onde eu sempre conseguia desligar a cabeça. Onde ninguém perguntava nada. Onde tudo era simples. Ou costumava ser. Virei mais um copo de uísque de uma vez, sentindo o álcool descer queimando. Não adiantava muito. A irritação continuava ali, presa no peito desde a discussão com meu pai… e desde o almoço. Marcelo encostou ao meu lado no balcão. — Já deu, né? — disse, olhando pra mim de canto. — Deu o quê? — Esse teu humor de merda. Não respondi. Só fiz sinal pro barman servir mais uma dose. Marcelo soltou o ar devagar. — Teu pai tá certo, Miguel. Virei o rosto na hora. — Não começa. — Tô falando sério

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