Miguel narrando A sala estava silenciosa. Silenciosa demais. Só o som das máquinas quebrava aquele vazio. Um bip… Outro bip… Outro. Eu fiquei parado perto da cama. Sem me mexer. Sem dizer nada. Ana estava ali. Deitada. Cheia de fios, tubos, aparelhos que eu nem sabia para que serviam. O rosto dela estava pálido. Os cabelos espalhados pelo travesseiro. O peito subindo devagar com a ajuda da máquina. Se alguém me dissesse algumas semanas atrás que eu estaria ali… parado num hospital… olhando para uma mulher daquele jeito… eu teria rido. Porque homens como eu não param. Não sentem. Não ficam esperando. Homens como eu resolvem. Eliminam. Mandam. Controlam. Mas ali… naquele quarto… eu não podia fazer nada. Nada. E isso era o que mais me irritava. Eu puxei uma cad

