Ana narrando Cheguei em casa quase de noite. O céu já estava escuro, aquele tom azul profundo que sempre anunciava o fim de um dia longo demais. Entrei devagar, tirei os saltos ainda na sala e subi dois degraus de cada vez, sentindo o corpo cansado — mas a cabeça, estranhamente, alerta. Mal tive tempo de subir quando ouvi a voz do meu pai: — Ana. Verônica. Venham aqui um pouco. Troquei um olhar rápido com minha irmã, que descia a escada mexendo no celular, e seguimos até a sala de estar. Meu pai estava sério, sentado na poltrona, com um copo de uísque na mão. Quando ele ficava assim, eu sabia que não era conversa pequena. — Sentem — ele disse. Sentei no sofá, cruzando as pernas. Verônica sentou do outro lado, já curiosa. — O que foi, papai? — ela perguntou primeiro. Ele respirou f

