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Ana narrando — A virada Eu chorei. Não vou mentir. Chorei no banheiro do restaurante, com a mão cobrindo a boca, tentando não fazer barulho. Chorei de raiva, de frustração, de humilhação. Chorei porque, por alguns minutos, acreditei que poderia ser diferente. Mas o choro não durou muito. Porque, no meio das lágrimas, algo começou a mudar. As palavras dele ecoavam na minha cabeça: “Esse casamento é um acordo.” “Não espera amor.” “Isso não me prende.” Engraçado como a dor, quando passa do limite, deixa de machucar… e começa a acordar. Olhei para o meu reflexo no espelho. Os olhos vermelhos, o batom um pouco borrado, mas ali ainda estava eu. Inteira. Linda. Inteligente. Desejável. Dona de mim. Miguel não tinha me quebrado. Ele tinha me libertado. Se aquele casamento era um acord

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