Ana narrando O caminho de volta começou em silêncio. Um silêncio pesado, diferente dos outros. O tipo que machuca porque tem coisa demais guardada dentro dele. Entrei no carro sem olhar para Miguel. Fechei a porta com cuidado, ajustei o cinto e fiquei olhando pela janela enquanto ele ligava o motor. O som do carro preenchia o espaço, mas não diminuía a tensão entre nós. Eu ainda sentia o peso do que tinha acontecido na casa. Da forma como ele tinha falado comigo. Da forma como eu tinha respondido. O carro saiu do condomínio e desceu a rua lentamente. Nenhum de nós falava. Eu tentava manter a respiração controlada, mas o peito estava apertado demais. Foi ele quem quebrou o silêncio. — Você acha bonito aquilo? — disse, de repente. Virei o rosto devagar. — Aquilo o quê? Ele soltou

