Ana narrando Assim que entrei em casa, tirei o salto e deixei a bolsa cair no sofá. O silêncio da casa parecia maior naquele dia. Caminhei devagar até a varanda, tentando respirar fundo, mas a cabeça não parava. A noite anterior, o almoço, o olhar daquela mulher… tudo misturado. Peguei o celular quase no automático. Liguei para Angélica. Ela atendeu rápido, como sempre. — Finalmente! — disse rindo. — Achei que você tinha sumido depois de ontem. E aí? Conta tudo. Suspirei, encostando na cadeira. — A noite foi… boa. — Só boa? — ela provocou. — Pelo jeito foi bem mais que isso. Sorri de leve, mas o sorriso não durou. — Foi. Mas hoje… foi estranho. Do outro lado da linha, o tom dela mudou. — O que aconteceu? Passei a mão no rosto antes de responder. — O Miguel é muito frio, Angé

