Ana narrando O jantar seguiu por alguns minutos em um silêncio educado demais. Talheres tocando o prato, copos sendo preenchidos, comentários breves sobre o ponto da massa, sobre o chef, sobre como tudo estava impecável. Eu comia devagar, tentando acompanhar o ritmo da conversa sem chamar atenção. Até que Augusto pousou os talheres com calma e me olhou diretamente. — Ana — ele disse, num tom firme, mas não hostil. — Seu pai comentou que você cuida da parte financeira da família. Mas fora isso… o que você gosta de fazer? Senti o calor subir de novo. Não era vergonha de responder. Era de ser observada. Miguel estava à mesa. Eu sentia. Mesmo sem olhar. — Eu… — comecei, ajeitando a postura na cadeira. — Eu gosto de coisas simples. Augusto arqueou levemente a sobrancelha, interessado.

