Ela se encolheu na cama depois que ele terminou. O homem, a pessoa que deveria protegê-la e não machucá-la se vestiu sem pressa. Sabia que a esposa estava em uma reunião com as esposas de outros políticos para a organização de um evento beneficente que arrecada fundos para mulheres que sofrem violência doméstica. Era até irônico ela lutar por algo que não tinha ideia de que o mesmo acontecia na sua própria casa, há anos, com sua própria filha.
"Como está o seu relacionamento com o Theodore?" Ele perguntou colocando a camisa para dentro da calça. Repulsa, era isso o que ela sentia por aquele homem e mesmo depois de tudo o que fez, ele ainda queria falar sobre a pessoa que foi a razão dela não ter enlouquecido durante todos aqueles anos.
"Estamos nos recuperando" ela respondeu sabendo que não era exatamente aquilo. Depois da sua traição, algo havia mudado. Dare a amava mas não confiava mais nela. Os amigos de Dare, que apenas a aturaram por ele, depois de tudo, passaram a virar os rostos e a ignorar quando a viam, dedicavam toda a atenção àquela garota estúpida que observava demais. Que a olhava com pena e desconfiança, que sabia sobre os seus erros e ainda assim, sabia que havia mais a ser desencavado, ela odiava Luna porque sentia que a mulher enxergava sua alma que estava em estado de putrefação a muito tempo, às vezes, era como se Luna sentisse pena dela, outras, como se a julgasse, nunca sabia com certeza porque se sentia tão acuada e ameaçada com sua presença que a tratava m*l para mantê-la afastada, tudo porque sentia medo dos seus segredos serem revelados e se tinha alguém que parecia ser capaz de fazê-lo, era a melhor amiga do baixista da banda.
"Ainda não sei o que passou na sua cabeça para ter se envolvido com aquele pobretão. Quase colocando tudo a perder. Eu deveria castigá-la mais um pouco por não se conformar com duas r*las, teve que ir atrás de uma terceira. É uma p**a mesmo. " Seus pensamentos se dissiparam pelas palavras do maldito, palavras odiosas que sempre a faziam acreditar que eram verdadeiras, que se submetia aos caprichos dele porque gostava e que era uma p**a por isso, mas ela não gostava, fazia anos que não sabia o que era dormir direito devido ao pânico de saber que ele entraria em seu quarto pela madrugada para reclamar, o que segundo ele acreditava, era seu por direito. Angelina segurou as lágrimas, porque sabia que não era verdade, apesar de sentir que era, tudo começou quando ainda não compreendia as coisas. Toda a sua inocência foi destruída por aquele homem que a responsabiliza por suas ações.
"Vi Dare outro dia conversando com uma gorda sem graça. Fica de olho, a forma como ela olha para ele deixa claro que está apaixonada. É lógico que ele jamais vai trocar filé mignon por carne de porco, mas fica esperta. Agora tenho que ir, prometo fugir de madrugada para fazer um carinho na minha p*****a" ele se aproximou dela e a beijou, a repulsa a dominava sempre que aquele monstro agia como se fossem um casal.
Eles eram uma aberração que faziam coisas depravadas na ausência da mãe. Sentiu uma enorme necessidade de ligar para Maison e pedir para ele ir até ela. Queria que o seu toque apagasse a sensação das mãos do monstro. Queria que os beijos dele a fizessem sentir que estava viva e não à beira da morte. Queria se sentir única e especial, queria beijos e carícias que faziam seu corpo reagir com um calor gostoso, além de fazer seu coração bater acelerado, tudo o que sentia com ele passava por cima dos seus sentimentos em ser uma garota que sempre foi tratada como o brinquedo s****l de um sádico maldito. Mas Maison não viria, não depois dela ter dito coisas horríveis para afastá-lo, coisas do tipo "Você foi apenas uma distração para o meu tédio" ou "Realmente acreditou que deixaria Dare você? Um morto de fome que brinca de cantar em uma banda medíocre?" Palavras cruéis que usou para mantê-lo seguro. O monstro disse que se ela não quebrasse o coração do único homem que a fez se sentir viva, ele aparecia em uma vala, sem vida. Ela sabia que aquele maldito seria capaz de fazer o que Prometeu. Deveria seguir segundo os planos dele e manter seu relacionamento com Dare, a pessoa que amava mas não sentia paixão, ainda não se lembrava quando esse fato mudou, pois Dare era a luz na sua escuridão, tudo o que sabia era que em algum momento, essa luz foi sobrepujada pelas chamas fortes de fogo que era Maison. A pessoa a quem disse coisas horríveis, mas tão horríveis que só de lembrar seu coração sangrava. Ao pensar em sangue, lembrou-se de que o ciclo estava atrasado. Sabia que era resultado da troca de contraceptivos, ele a obrigou a trocar porque aquele a estava deixando gorda. Ela não podia engordar nem meio grama que ele sabia e a deixava sem comer para perder o que ganhou.
"Gosto de você magra" dizia todas as vezes que notava uma mudança no seu corpo.
Contudo, nada supera o dia que Angelina cortou o cabelo, sua mãe foi para o spa com algumas amigas. Ela ouviu Maison elogiar as madeixas curtas de Luna e sentiu inveja, também queria que ele a notasse, fazia um tempo que ela queria isso. Mas quando chegou em casa, com o cabelo um pouco abaixo dos ombros, não viu o que a atingiu, Angie acordou no outro dia e o homem mau a mandou para o salão colocar um aplique. As regras eram claras, não ganhe peso, não mexa no cabelo, nunca corte ou mude a cor e use roupas que exaltam a sua sexualidade. Ele gostava de exibi-la como um troféu, todo orgulhoso e assim o fez e a última regra dele, que seguia a risco era não machucar o seu rosto quando a disciplinava, contudo, seu corpo não saía ileso. Angie não era dona do seu próprio corpo e nem da sua própria vida, até que chegou o momento que ela não suportou mais…