A mulher ficou ali sorrindo pelo jeito bobo e extravagante que Alex tinha, terminou de comer e logo foi limpar a bagunça que tinha ficado na mesa. Depois de colocar a louça na máquina para lavar, ela estava guardando o pano quando foi surpreendida pelo motorista que estava esperando por ela.
Enquanto isso, Alex estava no quarto tentando descobrir qualquer coisa sobre Allya Clifford na internet. Era uma mulher praticamente sem redes sociais, nenhuma informação pessoal ou algo que pudesse lhe ajudar, mas conseguiu achar seu perfil no twitter. Era usado com o apelido que ela usava na época do colégio, assim ninguém do mundo empresarial saberia que lhe pertencia.
Scrolando a timeline do seu perfil, ele descobriu que tinha algumas pistas ali que poderiam ajudá-lo nesse plano de conquistar Allya Clifford, uma mulher cheia de segredos e mistérios não resolvidos por trás daqueles belos olhos escuros.
Com o plano em mente, Alex acabou dormindo com a sua gata no colo, acordando no outro dia com o despertador tocando do outro lado do quarto. Era a técnica que ele tinha de ter que levantar no momento que ele despertar.
Enquanto ele tomava banho para se arrumar para mais um dia de trabalho, Allya resmungava por ter que sair dos seus cobertores quentes e confortáveis para o chuveiro antes de seguir para o trabalho, mas mesmo sem querer, ela se convenceu a levantar e ir fazer o que era preciso.
40 minutos depois, Allya finalizava sua maquiagem para sair, Alex ajeitava o seu terno no corpo, saindo de casa os dois ao mesmo tempo, com o destino trabalhando para que tudo desse certo.
Depois de dirigir por um trânsito calmo por exatos 35 minutos, Allya estaciona seu carro na garagem do prédio que trabalhava, caminhando sozinha até o elevador que tinha no fim do estacionamento. Alguns clientes chegavam e saiam no momento, então ela acabou cumprimentando alguns deles por educação até chegar no seu andar.
A poucos metros dali, Alex estava em uma floricultura. Ele nem sabia o que falar ou o que fazer, já que era a primeira vez que ele entrava em uma na sua vida. Monroe teve que lidar com alguns olhares e comentários de algumas mulheres, até mesmo de alguns homens que passaram por ele na entrada da loja.
Ao entrar naquele lugar que tinha um cheiro agradável de chocolate quente e cravo, era diferente o cheiro, pelo menos ele achou que aquele não deveria ser o cheiro de uma floricultura, mas deixou para lá e passou os olhos em tudo ao seu redor.
Uma senhora de meia idade apareceu atrás do balcão, com uma xícara em mãos, pode ser dali que vinha o cheiro de chocolate quente. Ela bebericou um gole antes de limpar a garganta para chamar a atenção do homem ali.
- Bom dia meu jovem, no que posso ajudá-lo? - a mulher disse fazendo com que Alex saísse do transe
- Ah, bom dia. Eu estou procurando túlipas, especialmente azuis. Você tem? - Monroe perguntou se aproximando do balcão
- Claro, chegaram agora mesmo. Vou pegar para você dá uma olhada. - a senhora disse se afastando do balcão, deixando sua xícara ali em cima
Depois de alguns minutos, ela volta com um enorme vaso de tulipas azuis. Ela parecia com um pouco de dificuldade para carregar, mas logo colocou no chão perto do balcão na parte de dentro.
- São lindas, eu quero todas. Por favor. - Alex comentou ao ver aquelas dezenas de flores azuis em sua frente
- Certeza? São muitas. - A senhora perguntou um pouco assustada com o pedido do homem
- Tenho sim, a pessoa merece. - Monroe comentou abrindo a carteira e tirando diversas notas e colocando-as em cima do balcão
- Tem mais dinheiro aqui do que elas valem, meu jovem. - ela respondeu ao ver aquele maço de notas sob seu balcão
- Não se preocupe, pode ficar com o valor. Preciso que entregue elas nesse endereço, para essa pessoa. É possível? - Alex comentou colocando um papel com o endereço no balcão, a senhora assentiu, ele deu um sorriso agradecendo e então saiu
Alex esperava que seu plano desse certo, ele não mandaria nenhum cartão ou falaria que tinha mandado aquilo. Queria apenas que ela soubesse que tem alguém que está interessado nela, ao ponto de mandar dezenas de flores azuis no seu local.
No caminho para a Monroe Companies, Alex estava ansioso para saber a reação de Allya, pelo menos ele queria que ela ficasse feliz. Era o mínimo que ele esperava com aquela surpresa, mas tinha uma grande chance de ela ficar irritada ao saber que foi ele que enviou. Isso fez com que o homem ficasse com um enorme vazio no estômago, como se estivesse com medo de algo que ele nem sabe o que é.
Allya estava em sua sala, quando Ava bateu na porta com um buquê quase do seu tamanho. A secretária praticamente sumia atrás daquelas enormes e arrumadas flores azuis, no qual ela estava segurando.
A visão de Clifford era um buquê com pernas, já que era apenas isso que ela via. O que fez com que ela soltasse boas risadas ao ver a dificuldade de carregar aquilo sala adentro.
- Meu deus Ava, isso é maior do que você. Me deixe te ajudar. - Allya levantou de sua mesa em meio a risadas - Quem mandou isso? - Ela perguntou ajudando a garota a colocar o enorme buquê em cima do sofá que tinha
- Olha Sra., eu não faço ideia de quem mandou isso para você. Mas deve ser alguém muito exagerado ou muito apaixonado. Isso deve ter custado uma fortuna. - Ava se jogou no sofá para buscar o fôlego
- Quer dizer que não veio nenhum cartão, nem nada? - Allya perguntou intrigada
- Não, nem cartão, nem bilhete e nem nome de quem mandou. Acho que a Sra. tem um admirador secreto. - Ava comentou rindo e viu a expressão de Allya fechar, parando então a risada na hora
- Agora a srta. vai voltar para o seu trabalho, enquanto eu tento descobrir quem foi o doido ou a doida que me mandou isso. - Allya disse para Ava que se levantou rapidamente e saiu da sala
Durante boa parte da manhã, Allya ficou olhando para aquelas flores ali em sua frente, tentando decifrar quem poderia ter enviado aquilo, pois quase ninguém sabia que ela gostava de tulipas, principalmente as azuis.
Ao voltar do almoço, o envelope com o cartão de Alex Monroe estava na sua mesa, ela tinha pedido para que fosse entregue ali, pois ela mesmo levaria para ele, assim confirmaria de onde ele tira toda a sua renda. Mesmo que o sobrenome Monroe seja conhecido em todo país e até mesmo em outros, era preciso checar para que não tenha nenhum problema para ele e nem para o banco que estava cuidando do seu dinheiro.
Com o endereço no GPS no carro, Allya respirou fundo e dirigiu até o local, parando em frente ao enorme prédio com o nome Monroe escrito na fachada. Provavelmente poderia ser vista a longa distância, ainda poderia ser vista em um passeio de helicóptero.
Um homem pediu autorização para colocar o carro no estacionamento do prédio, então Clifford entregou suas chaves para ele e entrou no enorme hall daquela empresa. Diversas pessoas passavam de um lado para o outro, engravatadas e comentando sobre algum contrato ou algo do trabalho que Allya não se preocupou em ouvir.
Ela caminhou até a recepção com a sua bolsa no braço direito e o envelope com o nome de Alex Monroe na outra mão. Chegando a recepção, a mulher logo a atendeu.
- Boa tarde, meu nome é Kyara. No que posso lhe ajudar? - a jovem disse com um sorriso no rosto
- Boa tarde, me chamo Allya Clifford, estou aqui para falar com Alex Monroe. - quando disse isso, a expressão da garota mudou de sorridente, para apreensiva
- Só um momento, por favor. - disse ela digitando algo rapidamente em seu computador
- Tem algo errado? - Allya perguntou confusa
- Não, não se preocupe. O Sr. Monroe tinha dito que uma mulher possivelmente o procuraria, não sabia que a Srta. apareceria tão rápido. Vou pedir que te levem até o escritório dele, ele irá lhe atendê-la. - A garota disse se levantando rapidamente e indo até um dos seguranças que ficavam andando no hall do prédio
Allya estava nervosa e um tanto confusa com aquela situação. O por que a garota parecia nervosa quando ela se identificou? Por que toda essa formalidade? Ela não vai nem avisar Monroe que alguém o procurava?
Clifford saiu da nuvem de pensamentos, quando um homem alto, bem vestido parou ao seu lado, fazendo sinal para que ela seguisse com ele para o elevador. Em silêncio, ela o seguiu e entrou naquela caixa de metal acompanhada.
- Me desculpe, pode me dizer o que está acontecendo? - Allya perguntou para o segurança que sequer olhava para ela
- O Sr. Monroe pediu para que sempre que você aparecesse por aqui, deveria ser tratada com toda educação e agilidade possível. Estamos apenas seguindo ordens, Srta. Clifford. - o homem disse olhando fixamente para a porta
- E você sabe o por que disso? - Clifford estava ainda mais confusa com aquela informação
- Ele apenas informou que se tratava de uma pessoa importante e que deveríamos ser cordiais com você. É apenas o que me passaram. - Ele disse novamente sem mexer sequer um centímetro do pescoço
- Uma última pergunta, eu prometo. Sabe me informar se essa regra é clara para outras pessoas também? - Allya parecia uma criança curiosa naquele momento, olhando atentamente para o homem
- Apenas para a Srta. - foi a primeira vez que o homem virou o rosto em sua direção desde que eles entraram naquele elevador. - Chegamos.
O segurança voltou a sua postura e caminhou para fora do elevador, sendo seguido por Allya que parecia encantada com tudo ao seu redor. Aquele andar tinha paredes brancas, com alguns quadros e detalhes na parede, o que deixava o ambiente limpo e aconchegante.
- Só um momento, por gentileza, Srta. Clifford. - o homem disse se afastando e indo até uma mulher que estava sentada em uma mesa, próxima a uma porta enorme que tinha o nome Monroe na porta, no mesmo tom dos detalhes da parede
Ele parecia sussurrar algo para ela que levanta o olhar em direção a Allya, que sem perceber encolheu os ombros um pouco envergonhada sob aquele olhar. A mulher acenou com a cabeça e logo o segurança passou por Clifford, cumprimentando-a com a cabeça antes de caminhar novamente até onde ficava o elevador.
- Srta. Clifford, é um prazer conhecê-la. Só vou informar para o Sr. Monroe que você está aqui e você poderá entrar. - a senhora de meia idade caminhou até Allya com um enorme sorriso no rosto, beijando suas bochechas antes de caminhar até a porta
Duas batidas na porta e logo a abriu, colocando parte do seu corpo para dentro e dizendo algo para Alex, que logo caminhou até a porta, de encontro com sua secretária
- Srta. Allya, o que devo a honra da sua visita?