A sala estava inquieta. Era o fim da aula, quando o cansaço das crianças começava a aparecer e a paciência dos professores era testada. Bia estava de pé perto da lousa, os braços cruzados. Na frente dela, uma menina segurava o caderno com as duas mãos, tremendo levemente. — Eu expliquei essa atividade três vezes — disse Bia, a voz firme demais para uma criança de oito anos. A menina abaixou a cabeça. — Eu tentei, professora… Bia pegou o caderno da mão dela e folheou com impaciência. — Isso aqui não é tentar. — Ela virou o caderno para a turma. — Isso aqui é não prestar atenção. Algumas crianças trocaram olhares. Outras baixaram a cabeça. A menina ficou vermelha. — Eu… eu não entendi direito… Bia soltou uma risada curta. — Então talvez você precise voltar para a série anterior

