A casa de Aurora estava mergulhada em um silêncio quase estudado. Cada som parecia ecoar demais. As malas já estavam sendo arrumadas, algumas abertas na sala, prontas para a saída. Ana Liz dormia profundamente no quarto, e Owen observava cada movimento com atenção, sem se envolver — ele sabia que aquela decisão não era dele.
Aurora revisava mentalmente cada detalhe: horários, rotinas, o mínimo sinal de que Matteo pudesse perceber algo. Tudo precisava ser perfeito.
— Está tudo pronto? — sussurrou Owen, baixinho, como quem não quer interferir.
— Sim. Cada detalhe — respondeu Aurora, também em silêncio. — Ele não pode perceber nada. Nem uma sombra.
Ela olhou para a filha, sentiu o aperto no peito, mas também um fio de determinação. Cada passo em falso agora poderia desmoronar o delicado equilíbrio que construíram.
Enquanto Aurora e Owen conferiam as malas, Matteo chegou à porta da casa. Um presságio o guiava: algo estava acontecendo, e ao abrir os olhos para a sala, percebeu imediatamente as malas prontas, algumas já arrumadas no chão, o clima tenso no ar.
— Aurora — disse ele, a voz baixa, cortante, mas carregada de autoridade —, se você pensa que vai tirar a filha dele, que decidiu por conta própria sobre a gravidez e até agora está enganada… está muito enganada. Eu não vou permitir.
Aurora congelou por um instante. Cada músculo tenso, cada respiração calculada. Owen recuou discretamente, entendendo que não era da sua conta.
— Matteo… — começou ela, tentando manter a calma, mas sem fugir do olhar dele —, eu só queria…
— Não — cortou ele, firme, agora sem deixar dúvida. — Não há justificativa. Não há desculpa. Você pode planejar tudo, calcular cada passo, mas não vai levar nossa filha. É minha responsabilidade, é meu direito. E eu vou proteger isso, custe o que custar.
Aurora respirou fundo, ponderando cada palavra que diria. Owen permaneceu em silêncio por um instante, então deu um passo à frente, impondo sua presença de forma firme e clara:
— Matteo, você não pode decidir nada aqui — disse ele, a voz firme, controlada. — A Ana Liz até é sua filha, mas quem ficou com ela desde que nasceu fui eu. Então, no que depender de mim, eu tenho mais direitos que você aqui. Se a Aurora decidir sair, ela vai sair. Você não vai impedir o que minha mulher decidir. Está decidido. Agora, se você quer tentar fazer de qualquer jeito para ficar com a Ana, faça — mas saiba que não será sem enfrentamento.
Matteo manteve os punhos cerrados, a fúria evidente, mas controlada. Ele não precisava de mais provas: a decisão da Aurora estava clara, e ele não ia permitir que ninguém tomasse o que era dele. Cada gesto, cada movimento silencioso, estava sob seu olhar atento.
Aurora olhou mais uma vez para Ana Liz, depois para Owen, e um pequeno aceno de cabeça selou a decisão. Mas agora, mesmo que saíssem, Matteo já havia marcado presença. Ele estava alerta, pronto para intervir, e a tensão cresceu como um fio invisível no ar.
— Vocês podem planejar o que quiserem — disse Matteo, firme —, mas não vão levar Ana Liz. Cada passo será observado. Cada decisão terá consequência.
E assim, mesmo com a saída planejada, o tabuleiro estava armado, e a próxima jogada poderia mudar tudo.
será que o Matteo vai fazer alguma coisa? ou é ensaiado esse movimento só pra não deixar a Aurora ir embora com a Ana Liz