EM BUSCA DA FELICIDADE

840 Words
Naquele momento, fechei os olhos com o coração disparado, ainda podia sentir o gosto gostoso da boca de Juan, o sabor daquele beijo que me enlouqueceu tão perdidamente a ponto de deixar as minhas pernas bambas. Essa viagem foi a mais rápida e emocionante que já fiz na vida, voltei para casa com gostinho de quero mais. Ainda não dava para acreditar no que tinha acontecido na noite anterior, parecia até um sonho. Sonho do qual me recusava a acordar. Chegando à minha casa, tudo parecia anormal, sentia que nada mais seria a mesma coisa depois daquela noite. — Enfim, casa! Nossa, que viagem foi essa? — me perguntei exausta, enquanto pegava meu celular na bolsa para carregar. — Putz, cadê o meu celular? Que m***a, não acredito que fiz isso! Esqueci no hotel, e agora? O que era para me deixar triste, na realidade me deixou feliz, simplesmente adorei, até porque no mesmo instante que cheguei em casa, já estava louca para voltar correndo, para sentir novamente aquele beijo inesquecível. Estava sonhando em ver aquele sorriso lindo que me deixou encantada. Me joguei no sofá sorrindo sozinha, estava louca para ver a Bambi e contar tudo para ela. A semana foi passando e não tinha nenhum telefone para ouvir a voz dele, então tentei ligar para o meu celular e nada, deve estar descarregado, isso se ele o tivesse encontrado, ainda tinha esse detalhe. Era quinta-feira quando parei tudo e comecei a pensar no que eu ia fazer para vê-lo novamente. Voltei a trabalhar sem obter nenhuma resposta. O final de semana chegou e eu já não aguentava mais a ansiedade, a minha vontade era de voltar correndo para lá, a essa altura do campeonato, não tinha distância e muito menos preguiça que me segurasse. Não pensei em mais nada, simplesmente fui ao meu quarto, peguei duas peças de roupas, coloquei em uma bolsa e sai em disparada até o ponto de ônibus mais próximo. Esperei um bom tempo e nenhum ônibus passava. Que d***a! Parecia que o tempo estava conspirando contra mim, abaixei a cabeça por alguns instantes e comecei a pensar em tudo. ‘Será que isso é um sinal para que eu não vá? Tudo o que aconteceu, foi só um momento passageiro? Será que o Juan ainda se lembra de mim? E se para ele não teve a importância que teve para mim?’. Esses foram os questionamentos, até que um pior me veio à mente: ‘E se ele tiver uma namorada? E se aquela noite foi só uma pulada de cerca?’. Eu estava indecisa sobre a viagem, minha cabeça deu um nó e eu já não sabia se voltar para aquele lugar era uma decisão sensata. Na verdade, me bateu um grande medo e uma insegurança do que eu poderia encontrar naquele hotel, mais precisamente. Foi no exato momento em que avistei o ônibus, ‘o que devo fazer? Será que devo arriscar?’. A minha mente falava com a voz da razão, mas o meu coração falava com a voz da emoção. Emoção que ainda estava à flor da pele. O ônibus parou, os passageiros começaram a entrar e eu parada sem saber o que fazer. Mas o que eu estava sentindo por Juan era infinitamente mais forte do que minhas dúvidas, quando me dei conta, eu já estava dentro do ônibus, caminhando para uma cadeira. Respirei fundo e afirmei, em pensamento, que era preciso agir, não tinha mais jeito. ‘O que tiver de ser, será’. Mesmo morrendo de medo. Começou a tão temida viagem, não sei se era a ansiedade que me dominava, parecia estar tudo tão mais lento, quase parando. Minha dúvida era muito grande em relação à chegada. Não teve jeito, passei a viagem toda formando opiniões a respeito do assunto, mas não cheguei à conclusão nenhuma. Duas horas e quarenta minutos depois, observei que finalmente estava chegando, senti um gelo no estômago. ‘Meu Deus, aqui estou eu, chegando novamente na rodoviária onde tudo começou’, pensei. Minhas pernas começaram a tremer, então levantei a cabeça e comecei a sair do ônibus, desci lentamente, procurando por ele com os olhos, foi quando parei um pouco para raciocinar. ‘Primeiro, vou direto à casa dos meus pais, lá descansarei, mais tarde apareço no hotel, disfarçando para tentar recuperar o meu celular e assim o vejo’. Fui para a casa dos meus pais; quando cheguei, minha mãe ficou um pouco surpresa, pois na semana anterior estive em casa. Ela sabia que eu não tinha o hábito de ir lá, ainda mais uma semana seguida da outra, ela achou estranho, mas não perguntou nada, estava feliz por me ver. A noite chegou e aquele lugar não saía do meu pensamento, ou melhor, aquele homem não saía da minha mente. Finalmente chegou a hora de ir ao encontro da minha paixão, tomei uma ducha, coloquei uma saia jeans e uma blusa preta de botões, com um decote bem saliente, e saí de casa em direção ao inesquecível lugar, onde conheci a minha paixão avassaladora.
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