Capítulo 25 - ELÉTRICO

1494 Words
Eles estavam sentados à mesa, uma pequena mesa redonda coberta com uma toalha de linho branca e impecável, rodeada pela luz bruxuleante de velas. Cada chama lançava um brilho suave sobre as pétalas espalhadas como confetes pela superfície. O tilintar dos talheres e o zumbido suave da cidade lá embaixo criavam um ritmo sutil, como uma música de fundo feita para realçar o sorriso de Aurora. Lucian m*l tocou no cardápio. Ele a observava novamente. Ela estudava o seu com seriedade, mordendo o lábio inferior em concentração, como se estivesse se preparando para uma prova e não apenas decidindo o que comer. O jeito como suas sobrancelhas se franziram levemente fez algo em seu peito se apertar. "Você está levando isso muito a sério", disse ele. Ela ergueu os olhos. "Não quero me envergonhar pedindo algo que não consigo pronunciar." Ele recostou-se na cadeira, um pequeno sorriso brincando em seus lábios. "Você poderia apontar e dizer: 'este aqui'. O garçom não vai te julgar." "Eu me julgaria", disse ela secamente, e ele riu, um som baixo e surpreso. A risada reverberou em seu peito e fez os lábios dela se contraírem. Finalmente, fizeram o pedido. Ele escolheu o filé mignon com purê de trufas. Ela optou pela massa. Quando o garçom perguntou sobre o vinho, Lucian m*l hesitou. "O Château Margaux. 2010." Aurora piscou. "Lucian... esse é literalmente..." "O que eu queria", disse ele com naturalidade, devolvendo o cardápio. Ela inclinou a cabeça. "Exibido." "Estou tentando impressioná-la." Ela ficou em silêncio por um segundo, depois sorriu para o guardanapo. "Está funcionando." Quando o garçom voltou com o vinho, servindo uma generosa dose na taça de Lucian para degustação, Aurora se inclinou para frente. "Então... está bom o suficiente para o senhor?" Lucian girou o copo, cheirou e tomou um gole, porque, é claro, ele sabia como fazer isso direito. "Aceitável", disse ele, mas o brilho em seus olhos revelou que ele estava brincando com ela. Ela ergueu o copo quando o encheu. "A... sobreviver a uma noite com você." Ele sorriu de canto, brindando com o copo dela. "Que ousadia a sua achar que eu sou o perigoso." A comida chegou com pompa, perfeitamente apresentada, com um cheiro tão bom que até os protestos anteriores de Aurora sobre o apetite desapareceram. O bife de Lucian estava ao ponto para malpassado, o purê de trufas perfeitamente batido. O macarrão dela veio com um delicado molho de tomate e mussarela que a fez praticamente gemer na primeira garfada. "Bom?", perguntou ele, com um sorriso de canto. Ela assentiu freneticamente. "Isso poderia acabar com guerras." Comeram devagar, deixando a conversa preencher o ar entre os pratos. Ela contou a ele sobre a apresentação em grupo e como alguém da turma perguntou se ela tinha um s*********y agora. Lucian ergueu uma sobrancelha. "E o que você disse?" "Eu disse: 'Não. Ele é só bonito, misterioso e um pouco assustador.'" Ele deu uma risada estridente. "Exatamente." "E generoso", acrescentou ela, apontando o garfo para a garrafa de vinho. "Claramente." Ele fingiu pensar. "Eu devia ter pedido o de 2005. Uma safra ainda melhor." Ela revirou os olhos. "Você é tão esnobe." "Você adora." Ela não respondeu, mas seu sorriso se alargou. Eles se demoraram no prato principal até que os pratos fossem retirados e o garçom voltasse com o cardápio de sobremesas. Aurora m*l o folheou antes de entregá-lo a Lucian. "Você escolhe", disse ela, apoiando-se na mão novamente. "Confio em você." Os olhos dele se voltaram para os dela. "Que coisa perigosa de se dizer." Ele escolheu algo achocolatado, francês e exagerado, e assim que chegou, imediatamente pegou uma colherada e ofereceu a ela. Ela estreitou os olhos. "Você está fazendo isso de novo?" Ele assentiu. "Abra." "Você é ridículo." "E está enrolando." Com um suspiro e uma revirada de olhos teatral, ela se inclinou para a frente e deu uma mordida. No instante em que a colher tocou seus lábios, ela emitiu um suave som de aprovação. "Tá bom, tá bom", admitiu. "Isso é absurdamente bom." Lucian sorriu de canto e deu sua própria mordida. "Eu te disse." Eles compartilharam a sobremesa lentamente, rindo entre as mordidas. Em um momento, ela acidentalmente sujou o canto da boca com um pouco de chocolate, e Lucian, sem pensar duas vezes, estendeu o polegar e limpou, mantendo o olhar fixo nela o tempo todo. Foi uma bobagem, na verdade. Só chocolate. Mas ela prendeu a respiração. A mão dele demorou um segundo a mais. Nenhum dos dois disse uma palavra sobre isso. Por fim, os pratos foram retirados, as taças de vinho reabastecidas. A noite se estendia ao redor deles, suave, luxuosa, repleta de algo indizível. Aurora recostou-se na cadeira, observando as luzes da cidade cintilarem lá embaixo como estrelas cadentes espalhadas pelas ruas. Então, silenciosamente, ela se levantou. Lucian acompanhou cada movimento dela como se ela fosse a gravidade. Ela caminhou até a beira da sacada, apoiando as mãos no corrimão de ferro forjado. A brisa brincava com a barra de seu vestido de seda branca, roçando as pontas de seu cabelo. Ela parecia saída de uma pintura, elegante, distante, radiante. Lucian se levantou. Lentamente, deliberadamente. Ele cruzou os poucos degraus que os separavam e parou atrás dela, perto o suficiente para que ela sentisse sua presença como um calor em suas costas. Eles ficaram ali parados como se...Por um instante, os sons da cidade lá embaixo, as velas tremeluzindo suavemente atrás deles. Ele não a apressou. Não a tocou. Apenas disse, baixinho: "Eu queria te beijar naquela noite." Ela não se virou. Continuou olhando para o horizonte, com os olhos arregalados e distantes. "Queria?" Lucian assentiu. "Sim." Uma pausa. Então: "Por que não beijou?" Ele exalou lentamente. "Porque eu já tinha isso planejado. Eu queria... mais. Não apenas um momento apressado em um sofá enquanto você ainda se recuperava. Eu queria que fosse certo. Eu queria que você soubesse o que isso significava." A voz dela era suave, quase um sussurro. "E o que isso significa?" Ele se aproximou então. Apenas o suficiente para sentir a seda do vestido dela roçar em seu terno. Sua mão repousou levemente em sua cintura. "Que eu venho pensando em te beijar há muito tempo", murmurou ele. "E eu queria que fosse aqui. Com você. Assim." Ela finalmente se virou, os olhos arregalados e brilhando um pouco por causa do vento, ou talvez por algo mais. Seus rostos estavam a centímetros de distância novamente. Sem distrações. Sem sinais perdidos. Sem medo. "Lucian", ela sussurrou. E então ele a beijou. Foi tudo. Não foi tímido nem indeciso, foi seguro. Firme. O tipo de beijo que faz o tempo parar, que faz o chão tremer levemente sob seus pés. As mãos dele acariciaram o rosto dela como se ela fosse preciosa. Os dedos dela se enroscaram na lapela do paletó dele, puxando-o para mais perto, como se ela também estivesse esperando por isso. A cidade desapareceu. O mundo desapareceu. Só ele e ela, e a eletricidade pulsando entre suas bocas como um raio engarrafado. E então o beijo se aprofundou. Lucian inclinou a cabeça, a mão deslizando da cintura dela para a parte inferior das costas enquanto a puxava para perto de si. A outra mão dele subiu para acariciar o queixo dela, os dedos se enroscando em seus cabelos enquanto sua boca reivindicava a dela com mais urgência desta vez. A ternura se rompeu, dando lugar a algo mais intenso, algo que vinha se acumulando entre eles há semanas. Aurora respondeu instantaneamente, os braços envolvendo o pescoço dele, se ancorando a ele como se nunca mais quisesse soltá-lo. Seus corpos se pressionaram, sem deixar espaço, e o beijo se tornou faminto, ávido. Cada segundo era impregnado pela tensão que carregavam, cada roçar de lábios e cada respiração ofegante dizendo o que as palavras não ousavam expressar. A língua de Lucian deslizou sobre a dela, lenta e possessiva, como se ele estivesse memorizando o sabor dela. Ela soltou um suspiro suave em sua boca, e ele engoliu o som como se lhe pertencesse. Ele a conduziu para trás um passo até que suas costas encontrassem a pedra fria da sacada, as mãos apoiadas em cada lado dela enquanto se inclinava ainda mais, beijando-a como se estivesse lhe matando a vontade de não fazê-lo. Porque estava. Os lábios dele deslizaram até o queixo dela, deixando um rastro de fogo em sua pele antes de encontrarem sua boca novamente, desta vez com mais desespero, menos contido. Os dedos dela se enroscaram nos cabelos dele, puxando levemente, e ele gemeu contra os lábios dela de um jeito que fez as pernas dela bambearem. Então, quando seus lábios finalmente se separaram, eles se olharam, como se a cidade ao redor nem existisse. Ele sorriu, um sorriso aberto, e ela também. Aquilo não era mais um primeiro beijo. Era uma promessa. Um começo, e um aviso. Que aquilo entre eles? Era real. Era avassalador. E estava apenas começando.
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