"Espere... o quê?" Aurora piscou, pega totalmente de surpresa, sua voz um pouco mais aguda que o normal. "Para onde exatamente estamos indo?"
Nenhuma resposta. Nem mesmo um movimento de seus lábios. Apenas aquela mesma expressão indecifrável, calma, fria e completamente impossível de decifrar, além de um puxão sutil, quase provocador, em sua mão enquanto ele começava a guiá-la para fora do restaurante.
Ela hesitou por um instante, depois deu de ombros e o seguiu mesmo assim, a curiosidade fervilhando com uma pitada de nervosismo. Sua mente fervilhava com um milhão de "e se", a maioria deles extremamente dramáticos: E se ele estiver me levando para algum esconderijo secreto? E se ele estiver prestes a me dar uma notícia que mudará minha vida? Mas havia algo em seu jeito de se mover, como se ele já soubesse o caminho, que a fazia querer simplesmente confiar nele, mesmo que apenas por um instante.
"Eu juro", murmurou ela entre dentes, com um meio riso, "se você me levar para algum bunker da máfia, eu vou te processar. Tipo, entrar com um processo mesmo." Seu tom era brincalhão, mas havia um fiozinho de ceticismo genuíno nele.
Caminhavam com determinação pela rua, os passos de Lucian longos e confiantes, os dela mais curtos e um pouco apressados para acompanhar o ritmo. Sua sacola balançava no quadril, as flores que comprara mais cedo aparecendo como confetes em tons pastel, frágeis, delicadas e, de alguma forma, brilhando na luz do fim da tarde. Ela se esforçava para parecer casual, mas por dentro, definitivamente não estava. Lançou um olhar furtivo para ele, esperando alguma explicação, mas não, apenas aquele mesmo olhar frio e vazio à sua frente.
Quando viraram a esquina e se dirigiram para um prédio específico, seus passos vacilaram.
Ele se erguia sobre os outros como se desafiasse a cidade a desviar o olhar. Elegante estrutura de vidro e aço preto, impossível de ignorar, o tipo de arranha-céu que faz as pessoas tirarem fotos com o celular como se fosse um ponto turístico. O barulho da rua pareceu silenciar por um instante. Ela sentiu um nó na garganta ao perceber o quão... assustador aquilo parecia.
Dois seguranças de terno estavam do lado de fora, como estátuas, fones de ouvido escondidos, olhares penetrantes e profissionais. No momento em que viram Lucian, acenaram levemente em sinal de respeito. Sem dizer uma palavra, um deles abriu a enorme porta de vidro, segurando-a como se fosse uma recepção real. Talvez ele fosse um príncipe, afinal...
"Ok... isso parece um pouquinho ilegal", sussurrou Aurora, com os olhos arregalados, entrando.
O saguão quase a fez cair de queixo caído, pisos de mármore tão polidos que refletiam cada centímetro de luz, detalhes em dourado captando o brilho como se pertencessem a um palácio, fontes borbulhando suavemente nos cantos como uma música ambiente. Seus tênis rangeram constrangedoramente contra o piso liso enquanto caminhavam até um elevador privativo escondido em um canto. Ela tentou disfarçar, mas o lugar todo a fazia sentir como se tivesse entrado num cenário de filme.
Os dois se dirigiram para o que parecia ser um elevador isolado dos demais. Após a leitura da impressão digital do Sr. Sério... não, desculpe... Lucian, as portas se fecharam e Aurora se virou para ele, a curiosidade transbordando diante do luxo e da alta tecnologia que acabara de presenciar.
"Então, este é o seu prédio? Tipo... o seu prédio-prédio?", perguntou ela, meio brincando.
Ele não respondeu. Em vez disso, pressionou calmamente um botão com a inscrição ANDAR EXECUTIVO, com os dedos firmes e precisos.
Aurora cruzou os braços, fazendo sua melhor cara de falsa seriedade. "Sabe, pessoas normais se apresentam. Você simplesmente ostenta o acesso ao prédio como se fosse algum tipo de traço de personalidade."
Ainda assim, silêncio.
Aurora balançou a cabeça com um sorriso e suspirou. Logo, as portas do elevador se abriram para um corredor minimalista, daquele tipo em que o silêncio parece denso e quase... caro. Uma mulher com um blazer impecável estava sentada atrás de uma mesa elegante, seu batom vermelho vibrante e perfeito, parecendo custar mais do que as compras mensais de Aurora no supermercado.
"Boa tarde, Sr. Thorne", disse ela, profissional e concisa. Então, seus olhos pousaram em Aurora.
"Ah! Olá", disse ela, com um sorriso caloroso. "Você deve ser uma amiga. Adorei suas flores."
Aurora sorriu amplamente, sentindo-se instantaneamente mais leve. "Eu mesma as escolhi no mercado! Você tem um gosto excelente, aliás. Adorei seu batom."
A mulher riu, genuinamente encantada. "Obrigada. Sou Rina."
"Aurora."
Lucian já havia começado a andar. Aurora acenou rapidamente com o dedo e se apressou para alcançá-lo, com o coração acelerado.
Eles entraram em seu escritório.
E, nossa.
Este homem era riquíssimo.
Janelas do chão ao teto inundavam o ambiente com luz natural. Todo o horizonte de Londres se estendia abaixo deles, espalhando-se como uma pintura viva. Uma enorme escrivaninha preta ficava no fundo, cercada por paredes forradas de estantes repletas de clássicos encadernados em couro e livros de arte moderna. Um elegante bar de bebidas brilhava convidativamente, abastecido com garrafas que pareciam ouro líquido. Um sofá de couro ficava de frente para as janelas, e acima dele pendia uma enorme pintura abstrata que provavelmente custava mais do que toda a sua mensalidade, provavelmente mais do que o seu aluguel também.
"Certo", disse ela, girando lentamente.
"Então. Isso definitivamente não é um bunker da máfia. A menos que seja, tipo, um bem chique."
Lucian curvou o canto dos lábios, lutando contra um sorriso, como se quisesse dizer algo espirituoso, mas não quisesse.
Eles conversaram. Bem, na maior parte do tempo, ela falou. Por horas a fio. Sobre nada e sobre tudo. Flores. Comida. Seus sentimentos confusos sobre o curso, Administração e Empreendedorismo, e a ironia de estar sendo confrontada agora. Ela divagou sobre a vez em que tentou apresentar uma empresa de calçados "sustentáveis" que, de alguma forma, acabou virando um esquema de pirâmide por acidente.
Ele ouviu, quase sempre em silêncio. Acenando levemente aqui e ali, arqueando as sobrancelhas como quem diz "sério?" e esboçando um leve sorriso quando algo o divertia.
Ela se sentiu estranhamente à vontade. Como se pudesse despejar todos os pensamentos aleatórios que rondavam sua cabeça, e ele não a julgaria. Poucas pessoas tinham esse privilégio.
Por fim, ela se desculpou para ir ao banheiro. — Tem um aqui? — perguntou ela.
Ele fez um gesto sutil, vago, mínimo, como um fantasma de resposta. Então, naturalmente, ela pegou a bolsa e decidiu procurar o banheiro.
Grande erro.
De alguma forma, ela tinha ido parar em um andar bem mais baixo e encontrou um banheiro moderno, com azulejos de mármore, cheio de aparelhos automáticos. Ela olhou para os dispositivos sofisticados como se tivesse entrado no futuro. Botões e sensores por toda parte. Ela quase esperava que um robô aparecesse e perguntasse se ela queria álcool em gel ou uma toalha. Depois de retocar o brilho labial e fazer suas necessidades, ela voltou.
Mas não foi tão fácil quanto parecia. No caminho de volta, ela se perdeu. E depois se perdeu novamente. E de repente, estava parada em frente a uma porta de vidro com a placa "RH".
"Ih, rapaz", murmurou, mordendo o lábio.
Lá dentro, havia muitas, muitas pessoas. Vestidas formalmente e se movendo pela sala como se estivessem em uma missão. Um homem de cabelos castanho-claros ergueu os olhos da sua mesa. Seus olhos eram gentis e convidativos, e seu sorriso era aquele sorriso caloroso e acessível que os profissionais de RH sempre têm.
Ele se levantou quando ela se aproximou, com um olhar curioso, mas amigável. "Olá, sou Jamie. Você é nova por aqui?", perguntou, estendendo a mão.
Aurora apertou-a firmemente. "Aurora. Prazer em conhecê-lo. Hum, sim... acho que sou. E peço desculpas por interromper o trabalho importante que você estava fazendo."
"Sem problema algum", disse Jamie, afastando-se da mesa. "Você está perdida?"
"Tenho o senso de direção de um pombo confuso", brincou ela. "Eu estava tentando voltar para o último andar, mas o prédio de vocês parece um labirinto projetado por vilões de James Bond."
Ele riu, um som genuíno e caloroso que a fez relaxar. "Bom, para sua sorte, eu sou o vilão de James Bond mais amigável por aqui."
Ela riu de volta. "Bem, obrigada por meio que me resgatar."
"Com prazer. Você parecia estar em uma missão, ou talvez apenas muito confiante e perdida", provocou ele.
"Na verdade, esse é o meu estado natural. Perpetuamente confiante e extremamente perdida", admitiu ela, sorrindo.
Jamie a examinou de cima a baixo por um segundo a mais do que o necessário para ser estritamente profissional. "Bem, pelo menos você é charmosa enquanto vagueia."
Aurora sorriu, totalmente alheia à insinuação. "Eu tento. Também comprei estas flores mais cedo, não são lindas? O cheiro era irresistível."
"Combinam com você", disse ele suavemente. "Brilhantes, delicadas, impossíveis de ignorar."
Ela corou, sorrindo. "Que fofo! Eu estava preocupada que murchassem na minha bolsa, mas resistiram muito bem."
Ele sorriu novamente. "Assim como a dona."
Ela riu, girando uma das flores distraidamente, encarando tudo como uma simples brincadeira amigável.
Enquanto caminhavam de volta para os elevadores, Aurora continuava conversando, contando-lhe detalhes de sua vida. Entraram juntos no elevador, seus dedos ainda girando uma das flores como se fosse uma varinha mágica.
Jamie se inclinou um pouco. "Qual andar?"
"O último", disse ela alegremente.
"Ah, o andar dos chefes", provocou ele, apertando o botão com um sorriso.
Do outro lado do elevador, os olhos de Jamie se voltaram brevemente para a flor em sua mão e, em seguida, para seu rosto sorridente, enquanto as portas se fechavam suavemente.
"Então você está aqui por causa de Lucian Thorne?" perguntou Jamie, arqueando uma sobrancelha.
Aurora piscou. "Ah! Sim, acho que sim. Algo assim."
Jamie assentiu, divertido. "Bem, então vou deixar você voltar ao trabalho. Não quero atrapalhar seus assuntos importantíssimos."
Ao saírem do elevador, Rina, a assistente da recepção, ergueu os olhos da tela do computador, arregalando-os levemente. Levou o telefone ao ouvido, murmurando algo baixinho, com o olhar alternando entre Aurora e Jamie.
Aurora acenou para Jamie, que fez um gesto obsceno com dois dedos antes de se afastar. Virou-se para Rina, que lançava um olhar fulminante para alguém atrás dela, com um sorriso.
"Ele foi gentil", disse Aurora.
A expressão de Rina suavizou. "Você deveria ir para o escritório rapidamente. Ele estava se perguntando onde você tinha ido."
Os olhos de Aurora se arregalaram um pouco. "Ah, não..."
"Não conte a ele que eu disse isso", murmurou Rina rapidamente. "Sério. Ele é assustador."
Aurora fechou a porta rapidamente. Aurora fez um gesto brincalhão com os lábios e correu em direção ao escritório.
Quando voltou, Lucian estava parado perto da janela, de costas para ela. Ao som da porta, ele se virou, os olhos semicerrados.
"Onde você estava? Por que demorou tanto?", perguntou ele, a voz baixa, mas mais áspera que o normal.
Eram mais palavras do que ela estava acostumada a ouvir dele. Muito mais. Seu tom carregava algo... preocupação? Frustração? Talvez ambos.
Pega de surpresa, Aurora piscou, ponderando a resposta. "Me perdi", disse rapidamente. "Mas fiz um amigo que me ajudou a voltar."
A expressão dele não mudou. "Foi muito gentil", acrescentou Aurora, tagarelando e com um sorriso radiante. "O Jamie, seu cara do RH? Ele me salvou, sério."
O maxilar de Lucian se contraiu com as últimas palavras dela. Apenas uma vez. Quase imperceptível... mas ela percebeu.
Piscando diante da reação dele, ela sorriu novamente, radiante e esperançosa. "De qualquer forma, ele foi muito gentil. Me ajudou a encontrar o caminho de volta e disse que minhas flores combinavam muito comigo!"
O maxilar de Lucian se contraiu ainda mais, se possível, um leve lampejo de algo indecifrável cruzando seu rosto antes que ele o disfarçasse com sua calma habitual. Sem dizer uma palavra, ele se virou, caminhando lentamente até o armário de bebidas e se servindo de um drinque com uma compostura tensa.
"Há um banheiro privativo neste andar", disse ele baixinho, sem olhar para ela.
"Ah! Bom saber para a próxima vez", ela respondeu, com um meio riso.
Desta vez, algo sutil passou por seu rosto, uma mudança, um suavizar em seu olhar. Aurora inclinou a cabeça para ele, mas deixou o silêncio preencher o cômodo.
Conforme os minutos se arrastavam, Lucian retornou à sua mesa, os dedos movendo-se firmemente sobre o teclado, e Aurora se pegou lançando olhares furtivos para suas mãos com veias saltadas, fortes e graciosas enquanto trabalhavam nas teclas.
Ela se esticou no sofá próximo, murmurando algo sobre as flores precisarem de água, antes de sua voz diminuir e seus olhos se fecharem lentamente, divagando no meio da frase.
Lucian a observava.
Ela parecia completamente deslocada e perfeitamente à vontade ao mesmo tempo, um furacão de tênis brancos e lábios brilhantes, leve e feroz.
Houve uma batida suave na porta.
Ele não se moveu.
Apenas a observou, tranquila e encolhida com o buquê de flores agarrado como um ursinho de pelúcia.
A batida veio novamente.
Ele finalmente desviou o olhar e lançou um olhar fulminante para a porta antes de finalmente se levantar.