Uma semana havia se passado, e o aroma de açúcar quente e chocolate derretido pairava no ar da cozinha. Aurora estava parada no balcão, o avental ligeiramente torto, o cabelo preso em um coque desarrumado que se desfazia sempre que ela se inclinava para a frente. Uma bandeja de cookies de chocolate recém-assados esfriava em uma grade, dourados e com pedaços de chocolate derretido.
Ela se inclinou sobre eles, cutucando um delicadamente com a ponta do dedo. "Ok, estes estão perfeitos... ou crus no meio. Não existe meio-termo."
Atrás dela, Zara bufou. "Você disse isso da última vez, e eles estavam incríveis. Pare de duvidar dos seus poderes de rainha da confeitaria."
Aurora inflou as bochechas e exalou dramaticamente. "É, mas da última vez eu não me distraí e coloquei o dobro de açúcar porque estava pensando em-" Ela parou abruptamente, piscando para os cookies esfriando como se eles fossem dedurá-la.
Zara ergueu uma sobrancelha, imediatamente desconfiada. "Pensando em...?"
Aurora se virou rápido demais, com um sorriso largo demais. "Nada! Nada. Eu só estava... calculando mentalmente se tinha manteiga suficiente para a cobertura."
Zara a encarou com uma expressão séria. "Não vamos fazer cobertura."
"Exatamente! Crise evitada!" respondeu Aurora, sem jeito.
Zara apenas balançou a cabeça, indo pegar um biscoito. "Você está estranha hoje."
"Eu sempre sou estranha."
"É, mas hoje você está estranha por estar distraída."
Aurora abriu a boca para argumentar, mas logo desistiu. Sentou-se em um dos bancos da cozinha e pegou um biscoito para si, de repente concentrada em arrancar a pontinha crocante como se fosse a tarefa mais importante do mundo.
Elas mastigaram em silêncio por um momento antes de Zara dizer casualmente: "Então... vai me dizer por que você ficou olhando para o nada o dia todo como se estivesse vivendo em um videoclipe?"
Aurora gemeu, se jogando dramaticamente no balcão, com a bochecha amassada contra a superfície fria. "É ridículo."
"Esse é literalmente o meu tipo favorito de drama. Desembucha."
Aurora ergueu o olhar com um sorriso tímido. "É o Sr. Sério... Lucian."
As sobrancelhas de Zara se ergueram. "Lucian? Tipo, o misterioso e taciturno Lucian de Nice? Você finalmente descobriu o nome dele?"
"Sim", murmurou Aurora.
"Meu Deus." Zara se inclinou para frente. "Aurora. Você está a fim dele?"
Aurora se sentou, parecendo vagamente em pânico. "Eu não sei! Acho que sim? Talvez? Não é como se... como se eu tivesse planejado isso! Eu só estava... fazendo biscoitos e, de repente, ele está na minha cabeça. Tipo, o tempo todo. E ele faz um negócio com a mandíbula quando está pensando, e é muito irritante que eu tenha percebido isso. E ele diz tipo, três palavras e, de alguma forma, eu não consigo parar de repassar na minha cabeça como se fosse Shakespeare ou algo assim."
Zara olhou para ela, boquiaberta, e então caiu na gargalhada. "Você está perdidamente apaixonada."
"Eu nem sei se ele gosta de mim desse jeito", disse Aurora, com a voz baixa. "Mas ele é legal comigo. Estranhamente legal. E ele escuta. E quando ele olha para mim, é como se ele realmente me visse, e eu não sei como lidar com isso."
Zara suavizou o tom, cutucando-a gentilmente. "Amor. Isso não é pouca coisa."
"Eu odeio isso", resmungou Aurora. "Eu era perfeitamente feliz sendo emocionalmente indisponível."
"Bom, que pena. Você se apaixonou e agora está perdida."
"Obrigada pelo apoio."
Zara sorriu. "Sempre que precisar. Mas também não vou deixar você ficar aí deprimida o dia todo. Vamos passar a noite lá em casa e vamos ligar para as meninas. Você precisa de terapia de distração."
Aurora piscou. "Espera, tipo, todas?"
"Sim. Alina, Isla e até a Liv. Vamos fazer máscaras faciais, comer todos os carboidratos e conversar sobre tudo e qualquer coisa."
"Não sei se isso vai funcionar", murmurou Aurora. "Ele pode ter se instalado permanentemente na minha cabeça."
Zara se levantou, puxando-a pela mão. "Então vamos expulsá-lo. Vamos lá. Vamos bagunçar minha cozinha agora."
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A casa de Zara cheirava a morangos e roupa de cama limpa, um contraste aconchegante com o caos que elas haviam criado em seu quarto. Frascos de esmalte estavam espalhados pelo chão, junto com embalagens de salgadinhos, uma tigela de pipoca pela metade e o chinelo felpudo de alguém que tinha sumido no meio de uma guerra de travesseiros.
Alina estava sentada de pernas cruzadas na cama, aplicando creme facial com precisão cirúrgica. Isla estava esparramada no chão com as pernas apoiadas em uma cadeira, balançando as unhas molhadas no ar como se estivesse fazendo uma dança interpretativa. Liv estava sentada encostada na cômoda, comendo pipoca e mexendo no celular.
Aurora, agora com o moletom grande da Zara, ria enquanto tentava pintar as unhas dos pés sem cair.
"Ok, fique quieta", disse Zara, segurando um pincelzinho como se fosse uma arma. "Você não para de se mexer e agora seu pé esquerdo parece uma cena de crime."
"Desculpa! Eu tenho cócegas!"
"Você é impossível", disse Zara com carinho.
Alina ergueu os olhos da cama. "Então... vamos falar sobre o fato de a Aurora estar tão distraída que bateu com a cabeça numa porta mais cedo?"
Aurora deu um grito. "Aquela porta surgiu do nada!"
Isla gargalhou. "Chama-se dobradiça. Elas fazem isso."
Liv olhou para cima com um sorriso irônico. "Ela é..."
"Pensando em um garoto."
Os olhos de Zara brilharam. "Ah, elas não sabem!"
Aurora gemeu, cobrindo o rosto com as duas mãos. "Zara, não—"
Zara a ignorou. "Meninas, nossa garota aqui está completamente apaixonada. É pelo Sr. Sério. Também conhecido como Lucian. Ela finalmente descobriu o nome dele!"
Três suspiros simultâneos ecoaram pela sala.
"Espera, O QUÊ?" perguntou Alina. "Tipo, o cara assustadoramente intenso?"
Aurora murmurou por trás das mãos. "Sim."
Liv piscou. "Você nunca gostou de ninguém. Nunca."
"Eu sei."
Isla se inclinou para frente, fingindo seriedade. "Você está com febre?"
"Provavelmente", murmurou Aurora. "Uma febre chamada estupidez."
Zara jogou um travesseiro nela. "Cala a boca. Isso é tão fofo."
"Não é fofo. É confuso. E aterrorizante. Ele é tipo... emocionalmente fechado, mas de repente fica um amor? E aí some de novo igual ao Batman? E eu nunca sei o que pensar."
"Parece interessante", disse Alina.
"Parece exaustivo", acrescentou Liv.
Zara cutucou Aurora. "Então, o que você quer fazer?"
"Não sei." Aurora se jogou de volta no tapete. "Acho que só preciso tirar isso da cabeça por enquanto."
Isla estendeu a mão para bater na mão dela. "Bom, parabéns. Você agora é oficialmente uma pessoa normal apaixonada."
Aurora deu um sorriso. "Ótimo." "m*l posso esperar para entrar na espiral."
"Estamos aqui para a espiral inteira", disse Zara, sorrindo. "E para qualquer outra coisa, se precisar."
A noite prosseguiu com risadas, picos de açúcar e rodadas demais de "com quem você prefere", envolvendo uma escala cada vez mais absurda de personagens fictícios e celebridades.
E durante tudo isso, Aurora se sentiu mais leve, não porque seus sentimentos tivessem desaparecido, mas porque ela não os carregava mais sozinha.