Alguns dias se passaram desde o pesadelo com aquele cara assustador perseguindo Aurora, e de repente, assim, ele sumiu. Puff. Sem deixar rastro. Sem notícias. Era quase irreal. Como isso aconteceu tão rápido? Ela não parava de pensar nisso, mas, honestamente? Ela se sentia melhor agora. A densa névoa de medo que a envolvia tão fortemente finalmente estava se dissipando.
Naquela noite, a noite em que ela correu para Lucian quando o pânico tomou conta, ele não apenas a deixou fora de seu campo de visão. Não, ele a levou de carro até seu apartamento, devagar e com cuidado, observando-a destrancar a porta antes de finalmente ir embora. Aquele pequeno gesto de carinho ficou marcado em sua memória. Pela primeira vez em muito tempo, alguém realmente se importou com ela.
E falando em Lucian...
Ultimamente, sua porta havia se tornado uma pequena estação surpresa. Buquês elegantes de flores frescas apareciam como por mágica, nunca exagerados, mas sempre atenciosos. Caixas de chocolates, às vezes com bilhetinhos, eram deixadas na porta dela, só esperando que ela as encontrasse. Cada vez que isso acontecia, Aurora sorria como uma boba, maravilhada com a atenção vinda de alguém como ele.
Ela queria retribuir. Se ele estava aparecendo com presentes, ela também tinha que fazer algo. Cozinhar era a sua paixão, então cupcakes eram a resposta óbvia.
Ela passou horas em sua pequena cozinha, usando todos os truques que conhecia: massa de baunilha batida à perfeição, cobertura de chocolate rica e cremosa na medida certa, confeitos para dar um toque divertido extra. E não apenas alguns, não, ela assou uma fornada enorme, o suficiente para compartilhar com os colegas de trabalho de Lucian também. Porque, honestamente? Ela estava começando a fazer amigos no mundo dele, e cupcakes eram praticamente moeda corrente.
Na manhã seguinte, com as caixas empilhadas e um sorriso estampado no rosto, Aurora entrou no saguão da empresa de Lucian. Os seguranças Marcus e os outros estavam perto da entrada, acenando com a cabeça enquanto ela se aproximava.
"Cupcakes", anunciou Aurora, estendendo uma caixa. O rosto de Marcus se iluminou e ele lhe deu um rápido beijo no topo da cabeça. "Você não precisava fazer isso, mas não estou reclamando. Obrigado, garota. Você é como da família por aqui."
Os outros guardas aceitaram seus doces com entusiasmo, rindo enquanto Aurora entrava no elevador privativo. Ela entrou, observando as portas se fecharem atrás dela.
Quando o elevador abriu no andar exclusivo de Lucian, o zumbido familiar do escritório a recebeu. Rina, a sempre tagarela assistente executiva de Lucian, a viu imediatamente.
"Ah! Cupcakes! Você não precisava!" exclamou Rina, pegando um e dando uma mordida. "Estes são incríveis."
Aurora sorriu radiante. "Eu queria agradecer por toda a ajuda. Você sempre facilita as coisas por aqui."
Rina estava praticamente vibrando com a última novidade, os olhos brilhando com aquela energia de "eu sei de tudo".
"Então, desembucha", disse Aurora, limpando a cobertura dos dedos. "Qual a coisa mais louca que está acontecendo por aqui ultimamente? Juro, drama corporativo pode ser o melhor reality show."
Rina sorriu, baixando a voz como se estivesse falando informação confidencial. "Certo, prepare-se. Então, a Claire do marketing, sim, aquela com aquele sorriso falso e animado que dá vontade de estrangular? Ela anda sabotando os projetos do Kevin sem a menor cerimônia."
As sobrancelhas de Aurora se ergueram. "Não acredito. O Kevin? Aquele cara que parece que sobreviveu com três horas de sono por noite na última década?"
Rina assentiu. "Exatamente. Ela anda mandando relatórios incompletos para os clientes e se fazendo de inocente. O Kevin está ficando maluco, basicamente mora na sala de descanso agora, movido a café r**m e arrependimento."
Aurora riu, balançando a cabeça. "A política de escritório é cruel."
Rina deu um sorriso de canto, claramente se divertindo com seu papel de contadora de histórias do escritório. "E você conhece a Linda? Aquela que banca a mãe do escritório, mas na verdade é uma megera implacável? Ela anda roubando o crédito pelo trabalho de todo mundo quando o chefe não está olhando."
Aurora gemeu. "Como ela consegue se safar disso?"
"Sorrisos falsos e olhares de desprezo", respondeu Rina, dando de ombros. "Além disso, a turma dela está pronta para jogar qualquer um na fogueira."
Aurora deu outra mordida no cupcake; a mistura de açúcar e escândalo era estranhamente reconfortante. "Então, basicamente, este lugar é um campo de batalha disfarçado de ternos de grife."
"Bem-vinda à selva corporativa, querida", disse Rina, piscando o olho.
"Onde está o Lucian?", perguntou Aurora, olhando para o corredor.
Rina apontou com a mão para o final do corredor. "No escritório dele, provavelmente soterrado em papelada como sempre."
Aurora sorriu, pegando sua caixa de cupcakes. "Hora de entregar essas delícias no campo de batalha, então."
Aurora virou a esquina para ir em direção ao escritório dele, mas parou no meio do corredor. Através das paredes de vidro da área de descanso, ela avistou um rosto familiar.
"Matteo?" chamou ela, a voz radiante de reconhecimento.
Matteo ergueu os olhos do celular, surpreso. Seu sorriso se alargou ao vê-la.
"Aurora! Ei, que bom te ver de novo."
Ela atravessou a sala e o puxou para um abraço rápido e caloroso.
"Obrigada de novo pela última vez. Sério."
Matteo deu uma risadinha e se afastou. "Sem problemas. Agora você está presa com a gente."
Três outros rapazes ergueram os olhos das cadeiras de descanso, com a curiosidade brilhando em seus olhos.
Matteo acenou com a cabeça na direção deles. "Aurora, conheçam Nico, Dante e Rafe."
Nico acenou casualmente, com um sorriso de canto. "E aí."
Rafe deu um sorriso pequeno, curioso, calculado, mas genuíno, e acenou com a cabeça.
Dante recostou-se com um sorriso maroto. "Finalmente, vamos conhecer a garota por quem Lucian é obcecado."
Aurora sorriu calorosamente, sentindo uma mistura de nervosismo e empolgação. "Prazer em conhecer todos vocês."
Matteo deu um passo para o lado, apontando para os cupcakes em suas mãos.
"Podem compartilhar.”
“Você não precisava fazer para nós, mas não estamos reclamando."
Aurora abriu a caixa, distribuindo cupcakes para cada um dos rapazes.
Dante mordeu o seu com um toque dramático, gemendo: "Se ela fizer bolos assim, sou oficialmente fã."
Nico sorriu de canto. "Bem-vinda à família."
"Sabe de uma coisa? Esses cupcakes são tão bons que você pode até fazer o Nico dormir, o que é difícil, aliás", Matteo riu enquanto cutucava Nico.
Aurora riu junto, feliz em vê-los mais relaxados.
Nesse instante, a porta do escritório se abriu e Lucian apareceu, papéis na mão, esperando o corredor silencioso de sempre. Em vez disso, seus olhos se depararam com uma cena que o paralisou: Aurora, rindo e conversando com seus amigos. Matteo, Nico, Dante e Rafe estavam todos reunidos ao redor dela, como se ela fizesse parte da turma desde sempre.
Os rapazes trocaram sorrisos e olhares, sabendo que aquilo era uma vitória para eles.
Suas sobrancelhas se ergueram, a surpresa cruzando seu rosto antes que ele a disfarçasse com sua habitual frieza. "E aí?", disse ele, com a voz baixa e rouca.
Aurora se virou para ele, os olhos brilhando. Ela estava no meio de um sorriso quando, de repente, uma voz cortou o ar atrás dela.
"Aurora!"
Ela se virou bruscamente, com o coração disparado. Jamie, o cara de RH com lábia afiada, caminhava em direção a ela com aquele sorriso fácil.
"Eu estava só entregando meus relatórios de RH. Como você está?" perguntou Jamie, casualmente, como se não houvesse tensão nenhuma.
Aurora sorriu amplamente e o puxou para um abraço rápido. "Jamie! Estou bem. E você?"
A mão de Jamie repousou brevemente em sua cintura enquanto ele aceitava um cupcake que ela ofereceu. "Você está me mimando."
Jamie sorriu encantado para Aurora com seu cupcake e passou o braço em volta do ombro dela.
Lucian congelou, os olhos se estreitando em um olhar feroz enquanto se fixavam em Jamie como um míssil teleguiado.
Seus amigos perceberam imediatamente.
Seus olhares alternavam entre o braço de Jamie apoiado no ombro de Aurora e o olhar cada vez mais sombrio de Lucian.
Nico se inclinou para Matteo, sussurrando: "Viu isso? Alguém acabou de encostar na namorada do chefe."
Matteo deu uma risadinha. "Ah, isso vai ser bom." O maxilar de Lucian se contraiu, seu olhar penetrante perfurando Jamie.
Parecia que a sala prendeu a respiração.
O sorriso de Jamie vacilou, sua postura enrijecendo sob o olhar intenso de Lucian.
Aurora tentou aliviar a tensão. "Faz tempo que não te vejo! Como você está?"
Jamie deu uma risadinha, mas seus olhos voltaram-se nervosamente para Lucian, que deu um passo deliberado em sua direção.
"Acho que não preciso de você aparecendo sem avisar, Jamie", disse Lucian, com a voz baixa e cortante como vidro quebrado.
Jamie engoliu em seco, recuando e percebendo que talvez Aurora não fosse funcionária de Lucian. "É, acho melhor eu ir indo."
Ele olhou para Aurora com o maxilar cerrado e saiu sem se despedir. Aurora franziu a testa diante da mudança repentina de humor dele. Que cara estranho.
Os dois trocaram olhares cúmplices.
Nico sussurrou alto o suficiente para Aurora ouvir: "Modo chefe ativado."
Matteo sorriu: "Alguém não está feliz em dividir."
Dante deu um sorriso irônico e provocou Lucian: "Com ciúmes, cara?"
Lucian revirou os olhos, mas seu olhar fulminante permaneceu fixo em Jamie, que se afastava.
Virando-se para Aurora, sua voz suavizou: "Aurora, vem cá."
Antes que ela se movesse, Dante a chamou com um sorriso: "Não, vem sentar com a gente."
"É", acrescentou Rafe, em voz baixa, mas controlada, "Queremos te conhecer melhor."
Aurora riu e se acomodou nas cadeiras ao lado de Matteo e dos rapazes.
O maxilar de Lucian se contraiu, as mãos cerradas, lutando contra a vontade de puxá-la para longe.
Nico provocou: "Cuidado, Lucian. Ela pode se esquecer de você."
Lucian rosnou baixinho: "Ela não vai a lugar nenhum."
Dante passou um braço pelos ombros de Aurora. "Viu? Nós a temos."
Aurora sorriu para Lucian, que visivelmente se esforçava para disfarçar.
Lucian suspirou.
Os rapazes caíram na gargalhada.
Aurora revirou os olhos com um sorriso, sentindo-se segura e talvez um pouco mimada de tanto amor.