Capítulo 20 - UM LAR LONGE DE CASA

3197 Words
Lucian nunca havia sido arrastado para fora do escritório antes, por ninguém, por nada. As paredes de vidro reluzentes, o zumbido do ar-condicionado, o ritmo constante das teleconferências, sua fortaleza de solidão. Mas Aurora? Ela era o furacão em sua calma, a faísca caótica que queimava suas defesas. Naquela manhã, ela estava parada bem em frente ao prédio, uma mão na cintura como se desafiasse o mundo a rejeitá-la. Seus olhos eram penetrantes, flamejantes, e Lucian sabia que ela não estava ali apenas por educação. "Você prometeu, Luc", ela gritou, com a voz em um volume suficiente para atrair alguns olhares curiosos. "Não me faça te arrastar para fora pela sua gravata cara." Marcus quase se engasgou com o café, os olhos arregalados como se estivesse assistindo a uma cena de uma comédia romântica para a qual nunca se inscreveu. Lucian ficou paralisado por um momento, os lábios tremendo, talvez o mais próximo de um sorriso que ele esboçou em toda a semana. "Amor, eu administro uma empresa", murmurou ele baixinho, meio exasperado, meio divertido. "E você é um viciado em trabalho", retrucou ela, aproximando-se com aquele sorriso feroz, "então vamos lá." ------------------------------------------------------------------ A viagem de elevador até o estacionamento foi silenciosa, mas carregada de tensão. Lucian franzia a testa, os olhos fixos na pequena tela onde mensagens urgentes se acumulavam. A presença de Aurora era um contraste quente e eletrizante. Quando as portas do elevador se abriram, seu carro preto o aguardava como uma fera elegante pronta para rugir. Lucian acomodou-se no banco do motorista. As mangas da camisa estavam arregaçadas na medida certa, revelando antebraços com veias pulsantes enquanto seus dedos envolviam o volante, longos, controlados, mas inegavelmente sensuais. A sutil contração dos músculos ao trocar de marcha era quase hipnótica. Aurora estendeu a mão, roçando levemente os dedos na alavanca de câmbio, enviando uma corrente elétrica por todo o seu corpo. Ele sentiu o toque, o maxilar se contraindo, mas os cantos da boca se contraíram. "Para onde?", perguntou ele, a voz baixa, um traço de curiosidade relutante rompendo com seu tom monótono habitual. "Para as lojas", ela respondeu imediatamente, os olhos brilhando. "Quero alguma coisa." Ele ligou o motor e a cidade passou velozmente, mas a postura normalmente tensa de Lucian suavizou-se aos poucos sob a pressão constante da mão dela sobre a sua. Aurora inclinou a cabeça, os olhos percorrendo o painel elegante antes de se fixarem nele. "Me dá seu celular." Lucian nem sequer piscou. Com uma das mãos, enfiou a mão no bolso do casaco e jogou o aparelho displicentemente no colo dela. "Pode ir em frente." Ela ergueu uma sobrancelha. "Nossa. Sem interrogatório de senha? Sem olhar suspeito?" "Eu sei onde você mora", disse ele secamente, mas um canto da boca se contraiu. Resmungando, Aurora desbloqueou o celular, com muita facilidade, como ela mesma notou, e imediatamente abriu o aplicativo Fotos dele. Ela rolou a tela, parou, franzindo a testa. "Por que você tem umas cinquenta fotos dos seus amigos fazendo a mesma cara com iluminação diferente?" Lucian olhou rapidamente para ela antes de voltar a atenção para a estrada. "Eles sempre tiram fotos com o meu celular. Não faço ideia do porquê. Agem como se fosse um aparelho compartilhado da família." "Você tem outras fotos? Tipo, de alguma coisa que não seja o Matteo fazendo sinal de paz ou o Dante tentando encontrar o melhor ângulo?" "Não." Aurora o encarou, escandalizada. "Você é um virgem fotográfico." "Prefiro viver o momento", respondeu ele, sem demonstrar nenhuma emoção. Ela bufou. "Trágico." Então, sem pedir permissão, ergueu o celular dele e tirou algumas fotos dele dirigindo, com o maxilar travado, o cabelo um pouco despenteado e a luz do sol iluminando sua bochecha perfeitamente. "Ok, essa ficou ótima." "Eu só estou dirigindo", murmurou ele, embora seus lábios estivessem se curvando levemente. Ela ligou a câmera em si mesma, tirando algumas selfies fofas, e depois uma dela segurando a mão dele no colo, com os dedos entrelaçados. Essa, ela decidiu, era a sua favorita. Ela não contou para ele... simplesmente a colocou como tela de bloqueio. "Pronto", disse ela, com um sorriso presunçoso, jogando o celular de volta para o colo. "O que você fez?", perguntou ele, desconfiado, olhando para ela no semáforo vermelho. "Nada de m*l. Prometo. Só... dei uma melhorada no seu visual." Lucian pegou o celular com uma mão, apertou o botão lateral. "Sério?" "Essa é a foto mais fofa de todo o seu celular. De nada." Ele não a trocou. Aurora recostou-se, olhando os aplicativos dele. "Você nem tem um jogo. O que você faz quando está entediado?" "Eu nunca fico entediado." Ela revirou os olhos. "Essa é a resposta mais Lucian que eu já ouvi." Então ela abriu a App Store. "Pois é. E já que agora estou emocionalmente envolvida com o seu bem-estar digital, vou baixar alguma coisa." Um minuto depois, ela estava absorta em um jogo de quebra-cabeça colorido, com a língua entre os dentes, concentrada. O celular de Lucian vibrou duas vezes em suas mãos. "Matteo e Dante não param de te mandar mensagens", disse ela, sem nem mesmo desviar o olhar do jogo. "Ignore-os." Ela bufou. "Nossa. Impiedoso." "Eles vão sobreviver." "Dante acabou de mandar dez emojis e a frase 'conte-nos tudo'." Lucian soltou um gemido baixo. "Definitivamente ignore-os." Ela riu, com os olhos ainda fixos na tela. "Tarde demais. Mandei um coração e um emoji piscando." Ele virou a cabeça bruscamente em sua direção, horrorizado. "Você fez o quê?" "Estou ajudando a sua reputação", disse ela docemente, com a mesma arrogância de sempre. "De nada." Ele apenas balançou a cabeça, mas seus dedos apertaram os dela, que ainda repousavam em seu colo. Quando chegaram, Westfield era o caos em pessoa. O cheiro de café, perfume e fast food se misturava com o burburinho dos compradores. Os olhos escuros de Lucian percorreram nervosamente a multidão, as crianças gritando, as placas de promoção piscando – uma verdadeira zona de guerra para ele. Aurora estava eletrizante ali. Ela girou sob o teto de vidro, uma risada borbulhando, brilhante e livre. Ela agarrou a mão dele, puxando-o para frente. "Vamos lá, Luc", provocou ela, com a voz calorosa e ousada, "Você é quem precisa dessa distração." Ele sorriu de canto, inclinando a cabeça. "Você é a distração." Seu sorriso era puro sol, iluminando todo o seu rosto. "Você vai se divertir", disse ela como uma profecia, um sorriso se formando em seus lábios. Lucian riu baixinho, arqueando uma sobrancelha. "Você já disse isso duas vezes." "Estou te dizendo, vai ser bom para você", retrucou ela, com os olhos brilhando de travessura. "E não aja como se não quisesse me ver com sapatos novos." Ele olhou de soslaio, um leve sorriso surgindo por baixo de sua máscara geralmente estoica. Ela não esperou para absorver tudo, não, avançou em direção à primeira boutique como uma rainha em missão, as botas tilintando com confiança contra o piso polido. Lucian a seguiu, braços cruzados, com uma expressão que misturava "por que estou aqui?" e "como diabos me meti nisso?". "Primeira parada: vestidos", anunciou Aurora, com os olhos brilhando de expectativa. "Você está aqui só para ver a mágica acontecer." Lucian lançou-lhe um olhar seco. "Sou mais como sua plateia cativa." Entraram numa boutique que parecia um painel do Pinterest explodido ali dentro: araras de tecidos brilhantes, sedas em tons pastel e estampas ousadas que se estendiam até onde a vista alcançava. Os dedos de Aurora dançavam pelos cabides, puxando vestido após vestido, seu sorriso se alargando como o de uma criança numa loja de doces. "Quero experimentar tudo", disse ela sem nenhuma vergonha. Lucian soltou uma risada abafada. "Você vai ficar aqui para sempre." "Ótimo", respondeu ela, já carregando uma pilha para o provador. Os provadores privativos eram espaçosos, com um tapete macio sob os pés, enormes espelhos angulados para capturar todos os ângulos possíveis e um banco de couro aconchegante onde Lucian se esparramou como um rei em um trono, braços cruzados, observando. "Muito bem, Sr. Crítico de Moda", chamou Aurora de trás da cortina. "Seja sincero. Por acaso eu pareço que vou arrasar numa passarela?" Lucian inclinou-se para a frente, os olhos semicerrados como um gato observando sua presa. "Você parece que poderia causar um tumulto", disse ele secamente. "Tradução: Você aprova?" Ele deu um sorriso irônico. "Talvez." A cortina se abriu, revelando-a num vestido verde-esmeralda profundo que delineava suas curvas com elegância natural. Lucian prendeu a respiração por um instante. "Nada m*l", murmurou, levando a mão ao bolso como se fosse automático. Aurora piscou. "Espere... eu pago", disse ela, pegando a bolsa. Lucian nem olhou para ela. Seu cartão Black já estava na mão da vendedora. "Lucian", disse ela, em voz baixa, quase irritada. "Sério, eu posso pagar pelas minhas coisas." "Eu sei", respondeu ele simplesmente. "Mas eu já estou pagando." Ela ficou parada, com os lábios entreabertos, como se estivesse pronta para discutir. Mas ele já se preparava para sair, com as sacolas devolvidas, a expressão indecifrável. Ela o seguiu, um pouco atordoada. "Você realmente não precisava fazer isso." Ele olhou para ela de soslaio. "Eu quis." A loja seguinte era pior. Aurora encontrou um vestido de verão azul-claro que ela jurou ter sido enviado pelos anjos. Ela o experimentou, girou, sentiu a maciez do tecido contra a pele, depois olhou-se no espelho e sussurrou para si mesma: "Ok, eu quero este." Lucian ergueu os olhos do celular quando ela saiu da loja. Ela era linda. Ele arqueou uma sobrancelha. "Leve." Ela mordeu o lábio, hesitou. "É, talvez eu..." No caixa, ela pegou a carteira. Lucian, atrás dela, foi mais rápido. Ela se virou, com o maxilar tenso. "Lucian." "Você é lenta", disse ele, passando o cartão. "A culpa é sua." Ela estreitou os olhos. "Você é impossível." Ele parecia completamente indiferente. "Você fala isso como se fosse novidade." Eles iam de loja em loja, a rotina se repetindo: Aurora correndo para as araras, pegando vestidos, sapatos, casacos; Lucian se acomodando no banco do provador, os olhos seguindo cada movimento dela com fascínio silencioso e um toque de incredulidade. Às vezes, ela saía usando algo extravagante, um vestido vermelho vibrante ou um prateado brilhante, e a expressão impassível de Lucian quase se desfazia, mas ele se mantinha firme, fazendo comentários vagos e resmungões como: "Você vai cegar alguém" ou "Tente não causar um incêndio". Ela ria e girava, pedindo sua "opinião de especialista", que sempre se resumia a um grunhido de aprovação ou uma sobrancelha arqueada. E todas as vezes, como um relógio, quando chegavam ao caixa, Lucian pagava. Silenciosamente. Casualmente. Sem perguntar. Na terceira vez, ela o encarou. Tipo, sem mais nem menos. "Você não vai me deixar pagar nada, vai?" "Não", ele respondeu, sem nem fingir hesitar. "...Sério?" "Muito sério." Ela suspirou, meio exasperada, meio... suavemente. Eventualmente, ela parou de resistir. Mais ou menos. Ela ainda bufava e resmungava: "Você não precisa", mas ele nunca respondia, apenas continuava passando seus cartões preto e dourado como se não fosse nada, como se fosse a coisa mais natural do mundo mimá-la, agradá-la, carregar sacolas que nem eram dele com uma expressão que dizia "minhas, de qualquer forma". As horas se misturaram, o murmúrio de outros clientes, o barulho dos cabides, a música suave tocando nos alto-falantes, o baque abafado das sacolas se acumulando. A risada de Aurora ecoou pelos provadores, a leveza em sua voz um bálsamo para a intensidade habitual de Lucian. Quando finalmente saiu do último provador, com os braços carregados de roupas, ela estava radiante, energizada, confiante e dominando completamente o ambiente. Lucian se levantou, se espreguiçando como um gato depois de um cochilo, os olhos escurecendo enquanto a observava. "Pronta para encerrar o dia?", perguntou ele, em voz baixa. Ela sorriu amplamente, entrelaçando seu braço no dele. "Só se você prometer que não é a última vez." Ele grunhiu, mas apertou um pouco mais o braço dela. Depois de horas de compras e risadas, a energia deles havia se transformado em algo mais suave, mais tranquilo, como o rastro de uma boa tempestade. O céu estava tingido de dourado, aquele tipo de brilho de fim de tarde que deixava o mundo com um aspecto filtrado e romântico. Caminharam de mãos dadas pelas ruas de paralelepípedos de Kensington, seus dedos entrelaçados como se fosse algo natural. Sacolas de compras balançavam no braço de Lucian, nomes de grife aparecendo em papel alumínio prateado, e a outra mão de Aurora segurava um chai latte quente, o vapor subindo em espirais no ar fresco da primavera. Suas bochechas estavam rosadas, ainda radiantes pela emoção de experimentar vinte roupas diferentes como se fosse um programa de auditório e se declarar a vencedora a cada vez. "Você não odiou isso", provocou ela, virando-se para olhá-lo com um sorriso cúmplice. A resposta de Lucian foi seca como sempre. "Odiei cada segundo." "Mentiroso", ela sorriu com desdém. Ele a olhou de soslaio, os olhos escuros e indecifráveis, mas algo neles cintilou, algo suave. O vento bagunçou seus cabelos, e ela não os arrumou. Deixou-os dançar livremente, sua alegria ainda impregnada em sua pele como perfume. Estar com ela era como sair de um mundo em tons de cinza. Tudo era mais intenso, mais brilhante, mais vivo. Ela deu um leve toque em seu ombro com o dela. "Então. Onde você mora, afinal?" Os passos de Lucian vacilaram por uma fração de segundo. O silêncio tranquilo entre eles se adensou como neblina. "Em algum lugar sem graça", disse ele, sem se comprometer. Ela estreitou os olhos para ele. "Você quer dizer chique." Ele não respondeu. Em vez disso, apertou a mão dela, o polegar roçando no dela. "Vamos lá." ------------------------------------------------------------------ Vinte minutos depois, seu elegante carro preto entrou em uma estrada isolada, ladeada por árvores antigas, com seus galhos entrelaçados como em uma pintura gótica. Um enorme portão de ferro se erguia à frente, escuro e majestoso. Lucian abaixou o vidro e digitou um código; bip, pausa, e o portão se abriu lentamente, como algo ancestral despertando de um sono profundo. Aurora endireitou-se no banco, piscando como se tivesse acabado de ser atingida por um t**a da realeza. "Espere. Você mora aqui?" Lucian não respondeu. Simplesmente seguiu em frente, o cascalho rangendo sob os pneus enquanto a mansão surgia à vista. Era... insana. Vidro e aço se misturavam com mármore e pedra em uma obra-prima arquitetônica que parecia ter ganhado vida o painel do Pinterest de um bilionário. O gramado era impecavelmente aparado, as sebes esculpidas em ângulos perfeitos, e uma fonte cintilava no pátio central, com água sedosa. "Você mora em um museu?", ela sussurrou, com os olhos arregalados. "É uma casa." Ela encarou a construção elegante e moderna, com janelas que iam do chão ao teto como se tivessem sido feitas para emoldurar pores do sol e segredos. "É o Palácio de Buckingham, Luc." Ele estacionou perto da entrada e deu de ombros. "Só um lugar sem graça, lembra?" Aurora saiu do carro, ainda tonta. As portas se abriram com um leve chiado, e lá dentro... tudo brilhava. Paredes brancas, detalhes em preto, acessórios cromados. Nem uma impressão digital à vista. O lugar todo parecia ter sido decorado para uma sessão de fotos, não para um ser humano. E, no entanto... estava vazio. Silencioso demais. Perfeito demais. Não havia bagunça. Nenhum sapato perto da porta. Nenhuma louça na pia. Nem mesmo um casaco jogado sobre o encosto de uma cadeira. Apenas silêncio, ecoando como um fantasma em cada canto. "Você mora sozinho aqui?", perguntou ela suavemente, a voz quase abafada pela imensidão. Lucian assentiu. "Não gosto de bagunça." Ela tirou os sapatos e caminhou descalça pelo chão brilhante. "Pois é, eu gosto. A bagunça torna as coisas reais." E com isso, ela avançou, girando dramaticamente no centro da sala de estar, com os braços abertos como se estivesse reivindicando o lugar. "Isso é demais." Estéril. Precisa de bagunça. Cor. Caos. Flores." Lucian encostou-se no batente da porta, observando-a com algo indecifrável nos olhos. Não o distanciamento gélido de sempre, não, era algo mais caloroso. Mais afetuoso. Ela se escondeu atrás do sofá enorme, depois surgiu de repente como uma fada travessa. "Vai me dar um tour completo, Sr. Sério?" "Eu estava gostando do espetáculo", murmurou ele, com um leve sorriso nos lábios. "Ótimo." "Vai ter bis." Ela foi até ele saltitando, pegou sua mão novamente como se fosse seu lugar. "Mostre o caminho, Luc." Ele a guiou pela casa, da grande biblioteca com estantes que iam até o teto, à cozinha minimalista que parecia nunca ter visto uma migalha sequer. Cada cômodo era mais frio que o anterior. Bonito, mas distante. Finalmente, eles voltaram para a sala de estar. Ela se jogou no enorme sofá modular com um suspiro, se espreguiçando como um gato. Lucian permaneceu de pé, olhando para ela com um olhar que a fez sentir um frio na barriga. "Você sabe que é bem-vinda sempre, né?" ele disse baixinho, como se estivesse confessando um segredo. Ela piscou, surpresa. "Quer dizer... que sua casa é minha agora?" Ela disse em tom de brincadeira. "Sempre foi." Ele afirmou, mantendo a seriedade. Sua respiração falhou, os lábios entreabertos. Ele sentou ao lado dela, uma mão roçando sua cintura, o ar ficando denso entre eles. Seu coração batia forte no peito como... se quisesse sair. Seus rostos se aproximaram lentamente, a respiração quente dele contra a pele dela, os olhares se encontrando e permanecendo fixos. Finalmente. Ela fechou os olhos, os lábios entreabertos, o momento suspenso como uma respiração presa. E então... "E AÍ, TUDO BEM?!" A voz de Dante trovejou pela entrada como uma granada. Aurora deu um pulo, a magia se desfez e Lucian piscou como se tivesse sido puxado de volta à realidade. "O que...?" A porta da frente se abriu completamente quando Dante entrou, com os braços cheios de sacolas de comida para viagem. Atrás dele vinham Matteo, Nico e Rafe, todos carregando bebidas, comida e o caos coletivo de quatro homens adultos invadindo o encontro de alguém. "Lucian!" Dante chamou, com um sorriso largo. "Por que você não atendeu o telefone, seu velho? Ah!" "Ei, Rory!" Matteo examinou o cômodo e ergueu uma sobrancelha. "Estamos interrompendo alguma coisa?" Aurora, ainda encolhida no sofá, ficou vermelha como um pimentão. Lucian permaneceu imóvel, com o maxilar tenso, uma das mãos passando lentamente pelo rosto em exasperação. Nico jogou a jaqueta em uma cadeira próxima. "Pelo rubor e pela linguagem corporal, presumo que sim." Rafe colocou a comida na mesa com um baque silencioso, observando o cômodo como se estivesse procurando por pontos fracos. "Finalmente, este lugar parece habitado. Já era hora." Lucian se levantou com a graça lenta e resignada de um homem que havia oficialmente perdido o controle da sua noite. Aurora riu baixinho, escondendo o rosto com as mãos, os olhos brilhando de divertimento. "Vocês sempre invadem assim?" "Infelizmente", murmurou Lucian, mas sem nenhum tom de deboche. Na verdade... seus olhos permaneceram nela por um segundo a mais, agora mais suaves. Mesmo com seus amigos idiotas invadindo o local como se fosse noite de microfone aberto, a A casa, geralmente imaculada e silenciosa, já não parecia tão fria. Parecia... habitada. Viva. Aconchegante. Por causa dela.
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