Uma semana depois, Lucian estava sentado ereto na cabeceira da mesa de reuniões, seu terno cinza-escuro impecável, cada botão e costura um testemunho de sua obsessão pela precisão. Seus olhos escuros percorriam a sala com um foco preciso, e o ambiente refletia sua intensidade: polido, poderoso, eletrizante de tensão.
A sala de reuniões estava lotada, executivos de cada uma das empresas do grupo alinhados à mesa, ladeados por chefes de departamento de marketing, contabilidade, jurídico, produto, relações públicas, infraestrutura tecnológica, relações com investidores e logística. Atrás deles, uma fileira de analistas e assessores, telas brilhando, anotações circulando. Era o inferno. E era exatamente como Lucian gostava.
Os dedos de Lucian tamborilaram uma vez na mesa, um sinal. O silêncio se fez sentir como uma guilhotina. Cabeças se inclinaram. Tablets brilharam. O ar estava denso de tensão, cafeína e a pressão de um empreendimento bilionário pairando sobre cada sílaba proferida.
"A terceira fase aguarda. Primeiro, o departamento jurídico precisa aprovar o zoneamento", disse Lucian, seco e frio. "Quero tudo à prova de falhas."
"Eles já estão cuidando disso", disse Matteo, com fluidez e despreocupação. Ele rolava a tela do tablet, o brilho refletido em seus olhos. "A assessoria jurídica estrangeira está se preparando para uma auditoria no pior cenário. Minha equipe vai verificar tudo duas vezes até segunda-feira."
Lucian assentiu levemente. Era o suficiente.
Nico se inclinou para a frente, com os cotovelos apoiados na mesa. "Não estamos gerenciando bem a imagem. A opinião pública está instável. Precisamos nos antecipar a isso antes que acabe com o lançamento experimental. Posso usar alguns investimentos em tecnologia para ajudar."
"E use meu clube", sugeriu Dante, com sua lábia de sempre. "Propriedade na praia. Sem imprensa, apenas convidados selecionados. Ostentoso. Controlado."
A sobrancelha de Lucian se ergueu, levemente. "Não muito barulhento."
"Nunca é", respondeu Dante com um sorriso irônico.
Lucian olhou para Rafe, que permanecia em silêncio, pensativo.
"Segurança?" perguntou Lucian.
Raffe assentiu uma vez. "Resolvido."
Lucian bateu na mesa novamente. "Sem pontas soltas. Sem burocracia. Imprensa trancada. Manter os investidores satisfeitos. Jogada de mestre."
Matteo ajeitou o paletó, observando a mesa. "As operações hoteleiras de Lucian estão aprovadas. Vamos demonstrar a tecnologia de Nico nas coberturas."
Nico acrescentou: "Investidores discretos da minha lista nos compram capital sem qualquer problema."
O maxilar de Lucian se contraiu. "Exatamente."
Havia uma precisão fria em sua maneira de falar, curta, incisiva, nunca desperdiçando mais do que algumas palavras. Seus amigos e funcionários o entendiam de qualquer forma. Eles haviam construído esse ritmo ao longo de anos.
Uma batida interrompeu o fluxo.
Foi suave, mas firme, duas batidas curtas que m*l ecoaram, quase hesitantes contra a madeira grossa. Os homens à mesa não se mexeram, mas o olhar de Lucian se voltou para a porta, rápido e preciso. Seus dedos pararam na caneta que ele girava entre eles. A sala prendeu a respiração.
Rina estava parada na soleira quando a porta finalmente se entreabriu. Sua silhueta era nítida contra a luz fluorescente do corredor, linhas elegantes e tecido preto impecável. Suas costas estavam eretas, como sempre, mas havia algo, ainda que sutil, na rigidez de sua postura que sugeria que as coisas estavam fora do roteiro.
Ela segurava um tablet contra o peito como um escudo. A tela brilhava fracamente, projetando um reflexo sinistro em seu rosto. Sua expressão era indecifrável, mas seus olhos se voltaram para o rosto de Lucian com uma urgência silenciosa.
Lucian não ergueu o olhar novamente. Seu olhar já havia retornado à página à sua frente, como se a batida não tivesse acontecido. Sua voz, quando finalmente falou, foi baixa e monótona.
"Protocolo."
Apenas isso. Uma palavra. Fria. Final.
Rina transferiu o peso de um calcanhar para o outro. "Eu sei", disse ela, com a voz tensa, fria, mas com um toque de ansiedade.
Ela não se moveu. Sua mão apertou a borda do tablet. Um músculo se contraiu em sua mandíbula.
"Mas—"
A mão de Lucian se estendeu num gesto de desdém, sem que ele levantasse a cabeça. "Então vá embora."
Seu tom não se elevou. Não precisava. O peso por trás da voz era ensaiado, o tipo de ordem que vinha de alguém acostumado a nunca ser questionado. Os homens sentados ao redor da mesa pararam, sem saber se deviam olhá-la ou manter os olhos fixos à frente.
"Sr. Thorne—" Rina tentou novamente, dando um passo completo para dentro da sala. Sua voz baixou um tom, mais suave agora, cautelosa.
Isso chamou sua atenção.
Sua mão congelou no meio do movimento sobre a página, os dedos ligeiramente abertos. Ele ergueu a cabeça, apenas um pouco, e olhou para ela como um aviso. Seu maxilar estalou uma vez, com tensão.
"Eu disse", disse ele, com a voz baixa, uma voz perigosa, "Não. Agora não."
Todos os homens e mulheres na sala ficaram imóveis como pedra. O ar ficou tenso como um nó na garganta.
Mas Rina não hesitou; ela precisava fazer isso. Deu um passo à frente novamente, apenas um passo, calculado, e seu aperto no tablet tremia visivelmente, embora seu rosto permanecesse neutro. Estava em seus olhos: algo se agitava, algo raro. Ela nunca havia interrompido uma reunião de diretoria antes. Nem uma vez.
Ela respirou fundo. "É urgente."
Os dedos de Lucian se fecharam lentamente em um punho sobre a mesa. Sua outra mão bateu uma vez na superfície de mogno. O som ecoou. Sua testa franziu, não por preocupação, mas por cálculo. Não era do feitio de Rina brincar com essa palavra. Urgente. Ela sabia o que isso significava no mundo dele.
Ele a encarou por um longo e carregado instante. "A menos que alguém esteja morto", disse ele finalmente, "saia."
A sala prendeu a respiração. Ninguém sequer piscou. Os olhos de Matteo alternavam entre Lucian e Rina como se ele estivesse lendo um tabuleiro de xadrez invisível para os outros. Nico inclinou-se para trás apenas alguns centímetros, com o maxilar tenso. Dante inclinou-se para a frente, pressentindo algo. Rafe m*l se moveu, mas seu olhar fixou-se nos dois com uma intensidade silenciosa.
Rina hesitou.
E foi isso, aquele segundo a mais. Aquele leve nó na garganta. Ela olhou para Lucian, toda a sua compostura habitual se transformando em algo quase humano.
Seus lábios se entreabriram. E quando falou, sua voz estava mais suave do que antes. Pesada.
"É Aurora."
Como um nervo detonado. O nome ecoou pela sala como um estrondo no vidro.
Lucian não disse nada. Não respirou. Mas sua cadeira arrastou para trás um segundo depois, um som agudo e definitivo.
Silêncio.
A sala inteira congelou.
Matteo ergueu a cabeça. Nico piscou. Rafe se endireitou. O sorriso de Dante desapareceu.
Lucian olhou para cima lentamente. "Onde?"
Rina engoliu em seco. "Lá em cima. Ela está chateada."
Lucian se levantou. "Saiam. Agora."
A sala se moveu instantaneamente. Cadeiras arrastaram. Papéis farfalharam. Ninguém questionou.
Nico murmurou: "Ele está abalado."
Matteo respondeu: "Não. Ele está trancado."
Lucian os ignorou. Ele se virou para Rina.
"Onde exatamente?"
"No seu escritório."
Ele já havia saído antes que ela terminasse.
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Dez minutos antes.
Os pulmões de Aurora ardiam, cada respiração curta e irregular, como se ela estivesse tentando sugar ar por um canudo entupido de pânico.
Por semanas, ela tentara ignorar o rapaz da sua turma que começara a segui-la pelo campus, aparecendo onde ela menos esperava, insinuando pequenas ameaças em seu sorriso. No início, era sutil. Sentava-se algumas fileiras atrás dela durante as aulas, mandava mensagens aqui e ali que lhe causavam arrepios. Mas então ele passou dos limites.
Ele disse: "Você deveria ter mais cuidado andando sozinha por aí." Assim, sem mais nem menos. Como se não fosse nada. Uma ameaça fria e preguiçosa que a envolvia e apertava cada vez mais a cada pensamento.
Aurora não contara a ninguém, nem amigos, nem família, porque quem levaria a sério o que ela estava levando? Parecia ridículo demais. Assustador demais. Mas hoje, quando o viu rondando a biblioteca, as sombras engolindo seu rosto em algo c***l e indecifrável, algo dentro dela se quebrou.
Ela não teve escolha a não ser correr.
A biblioteca, seu refúgio habitual, o lugar onde se perdia em páginas silenciosas e sonhos sussurrados, parecia uma armadilha. As prateleiras de madeira polida embaçaram quando ela saiu cambaleando, o sol do fim da tarde forte demais contra sua pele. Seus dedos tremiam, agarrando a alça da bolsa como se fosse sua tábua de salvação.
Seus sapatos batiam com força no asfalto, o mundo girando enquanto ela tentava pensar, não, não pensar, apenas se mover. Olhando por cima do ombro, viu o sorriso lento e frio dele. Aquele que nunca alcançava seus olhos, mas que carregava uma promessa c***l.
Você deveria ter mais cuidado andando sozinha.
As palavras ecoaram em sua mente mais alto do que as batidas do seu coração.
Lágrimas brotaram em seus olhos, mas ela as piscou com força para afastá-las. De jeito nenhum ela ia desabar ali. Não agora.
Os postes de luz acenderam, sombras se estendendo como dedos escuros que a alcançavam. À frente, a torre de vidro se erguia, fria, impessoal, mas era um lugar seguro. Tinha que ser.
Seus sapatos batiam com força no asfalto, o mundo ao seu redor girando enquanto ela tentava pensar, não, não pensar, apenas se mover. Ela olhou por cima do ombro novamente, os olhos arregalados, desesperados. Ele estava seguindo-a? Estava se aproximando?
O grande prédio se aproximava. Os seguranças na entrada a avistaram imediatamente. Marcus, um dos mais velhos, com uma postura séria, mas uma voz surpreendentemente gentil, deu um passo à frente.
"Srta. Aurora?", disse ele, num tom urgente e calmo ao mesmo tempo, como se tentasse ancorá-la à realidade.
Aurora m*l assentiu, a voz presa na garganta.
Marcus trocou um olhar rápido e penetrante com o guarda mais jovem ao seu lado. Eles murmuraram algo entre si, em voz baixa, mas concisa.
Os olhos de Marcus a examinaram em busca de qualquer sinal visível de perigo, e então ele lançou um olhar por cima do ombro. "Precisamos nos mover."
O guarda mais jovem assentiu brevemente e discretamente levou a mão ao fone de ouvido, falando em um tom baixo o suficiente para Marcus ouvir: "Código Tulipa. Escolta para dentro."
Eles conduziram Aurora discretamente, mas com rapidez, pelas portas giratórias de vidro, passando pelo saguão onde alguns funcionários lançaram olhares curiosos, mas logo desviaram o olhar assim que a presença da segurança se intensificou.
Marcus manteve um passo firme ao lado dela, com uma postura calma, porém alerta, as mãos prontas para intervir se necessário. "Fique perto", murmurou ele, quase como uma ordem, mas gentil o suficiente para transmitir uma sensação de p******o.
O guarda mais jovem já estava no rádio, com a voz firme: "O elevador privativo dele está ativado. Levando-a direto para cima."Sem perguntas. Sem "Quem é ela?" ou "Onde está seu crachá?". No momento em que viram seu rosto, o código mudou.
Dentro do elevador, o zumbido estéril era ensurdecedor. Os dedos de Aurora apertaram a alça de couro da bolsa com tanta força que seus nós dos dedos ficaram brancos. Sua respiração falhou novamente, e as lágrimas que ela havia reprimido vieram à tona. Suas pernas tremiam, a adrenalina se transformando em exaustão.
O elevador continuou a subir, o horizonte da cidade se desdobrando lentamente além das paredes de vidro — familiar, porém distante, como um mundo no qual ela não pertencia naquele momento.
As portas se abriram com um leve toque, revelando os tons elegantes e discretos do andar executivo. O ar parecia diferente ali, mais fresco, mais controlado, com aquele leve aroma de couro e madeira polida que sussurrava poder e dinheiro. As pernas de Aurora vacilaram quando ela saiu, seu corpo inteiro tremendo sob o peso do que acabara de acontecer.
Antes mesmo que ela pudesse dar um passo à frente, Rina apareceu como um anjo da guarda do nada, a testa franzida de preocupação.
"Aurora! Ei, você está bem?" A voz de Rina era gentil, mas urgente, os olhos examinando o rosto de Aurora como se tentasse ler cada palavra não dita, cada rachadura em sua compostura.
Aurora engoliu em seco, as bochechas molhadas e as mãos ainda tremendo. Ela conseguiu um aceno frágil, a voz quase um sussurro. "Eu... eu estou com medo, Rina."
A expressão de Rina suavizou instantaneamente, um alívio a invadindo. Ela estendeu a mão, segurando as mãos de Aurora nas suas, dando-lhe segurança. "Está tudo bem. Você está segura aqui. Você está conosco agora."
Aurora piscou, tentando conter as lágrimas, e respirou fundo, com a voz trêmula. A presença sólida de Rina era sua tábua de salvação.
Rina apertou suas mãos gentilmente. "Você sabe onde fica o escritório dele. Espere lá. Eu vou buscá-lo."
Sem esperar por uma resposta, Rina girou bruscamente e caminhou pelo corredor, seus saltos tilintando no piso de mármore.
A equipe de segurança, já ciente da chegada de Aurora, moveu-se com precisão silenciosa. Marcus e o guarda mais jovem posicionaram-se imediatamente em frente ao escritório de Lucian. Seus rostos eram indecifráveis, mas sua postura era totalmente profissional, protetores prontos para neutralizar qualquer ameaça num piscar de olhos.
Um deles tocou seu fone de ouvido, a voz baixa e firme: "Garantindo o perímetro. Ninguém entra ou sai sem autorização."
Aurora afundou em uma poltrona de couro próxima, seus dedos ainda agarrando a alça da bolsa como se ela pudesse protegê-la da escuridão do mundo. Seu coração ainda batia forte como um tambor descontrolado, mas pela primeira vez desde que saira correndo da biblioteca, havia um lampejo de esperança.
Esperando ali, naquele lugar estranho de vidro e aço, com guardas posicionados como cavaleiros do lado de fora da porta, era como se ela estivesse à beira de uma fortaleza. Ela não sabia o que aconteceria a seguir, mas pelo menos agora não estava sozinha.
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Os passos de Lucian eram como trovões.
Ele invadiu seu escritório e seu mundo desabou.
Aurora estava encolhida no canto do sofá, com os joelhos junto ao peito, tremendo da cabeça aos pés. Seu rosto estava manchado, os olhos vermelhos.
No instante em que o viu, estendeu a mão como uma criança despertando de um pesadelo.
"Lucian."
Ele atravessou a sala em dois passos.
"Estou aqui."
Ela se jogou em seus braços. Os braços dele a envolveram como uma armadura.
Ele a apertou contra si. "Você está segura. Eu estou aqui com você, princesa."
Ela soluçou em seu ombro. Ele a abraçou com mais força.
"Shhh, meu bem, está tudo bem agora. Fale comigo."
Sua respiração falhou. "Ele estava esperando do lado de fora da biblioteca."
Lucian ficou completamente imóvel. "Quem?"
Ela disse o nome. Ele ficou completamente imóvel.
"Disse que eu deveria ter mais cuidado andando sozinha por aí..."
Ele se afastou o suficiente para olhar nos olhos dela. "Você está bem?"
Ela assentiu.
"Acabou", disse ele. "Ele acabou."
"Eu... eu estava com medo. Eu não sabia o que fazer."
"Você veio aqui."
A voz dela falhou. "O único lugar onde me senti segura."
Ele exalou lentamente. Seu polegar enxugou uma lágrima da bochecha dela.
"Ninguém chega perto de você."
"E se ele tentar de novo?"
"Ele não vai."
"Mas..."
Lucian balançou a cabeça. "Eu vou dar um jeito."
Ela se inclinou para ele. "Você promete?"
Ele ergueu o queixo dela e assentiu.
O rosto dela se contorceu. "Lucian..."
Ele beijou a testa dela. "Fique aqui e descanse. Eu cuido disso."
Ela já estava perdendo o sono. Seus olhos se fecharam lentamente.
"Durma, meu bem", ele sussurrou. "Você está bem."
Ele a abraçou enquanto ela adormecia, cada respiração dela se aprofundando em seu corpo.
Lucian ficou ali sentado, imóvel e silencioso, uma tempestade silenciosa se formando em seus olhos.
Naquele instante, ele decidiu que ela era dele.
E quem ousasse machucá-la...
Isso não seria tolerado.