Lucian jogou um golpe afiado no saco de pancadas, o couro gemendo sob seus punhos. As luzes da academia zumbiam por cima, e o suor escorria de sua testa, descendo a linha afiada de sua mandíbula. Suas respirações estavam apertadas, mas mais sem fôlego do que o normal.
Ele estava em espiral.
Matteo encostou-se na parede perto do anel, braços cruzados, mascando chiclete como se tivesse todo o tempo do mundo, enquanto a pilha de contratos e papelada para ele assinar estava em uma mesa na sala ao lado. Dante descansou em um banco sem camisa, com o cabelo bagunçado e ainda molhado do chuveiro, enquanto Nico percorria seu telefone procurando novas infraestruturas tecnológicas para investir, ocasionalmente olhando para cima com leve interesse. Rafe ficou em silêncio por perto, tendo acabado de se exercitar, focado em Lucian como se estivesse resolvendo uma equação matemática com os olhos.
Lucian não percebeu a atenção. Ele estava muito ocupado imaginando as milhões de maneiras que seu plano poderia dar errado.
"Você tem socado aquele saco como se lhe devesse aluguel", disse Matteo finalmente, jogando uma toalha por cima do ombro. "Você está bem?"
Lucian não respondeu. Ele deu outro soco.
"Tradução", Dante disse, "ele não está nada bem."
Rafe inclinou a cabeça. "Ele está nervoso."
Nico arqueou uma sobrancelha, finalmente embolsando seu telefone. "Espere. Com o que você está estressado? Trabalho? De novo?"
Lucian parou. Ele se virou para eles, com o peito levemente se elevando.
"Vou convidá-la para sair", disse ele, em voz baixa.
Todos eles ficaram em silêncio.
"Espere", disse Nico lentamente, de pé. "Tipo... oficialmente.... não era oficial antes?"
Lucian balançou a cabeça uma vez.
"Você quer me dizer", Matteo arrastou, "que todo esse tempo, depois do beijo, das festas do pijama, tudo... você realmente não a convidou para ser sua namorada?"
Lucian estremeceu.
Dante piscou, impassível. "Mano. O que você tem feito esse tempo todo? Jogando The Sims?"
"Não parecia o momento certo!" Lucian atirou de volta, na defensiva. "Ela estava sobrecarregada. Então eu fiquei ocupado. Então-"
Lucian gemeu e caiu no banco parando e não olhando para seus rostos. "Escute, eu sei. É por isso que estou planejando algo. Algo grande. Ela merece isso."
Dante praticamente dançou no local. "Tudo bem, tudo bem, agora estamos conversando. Desabafando. Qual é o plano, Romeu?"
"Campo de flores.?." Lucian murmurou.
Matteo deu um lento aceno de aprovação. "Isso é doce."
"Você está se vestindo bem, certo?" Dante perguntou, olhando com desconfiança.
"Eu não estou usando um maldito smoking", murmurou Lucian.
"Não é um smoking. Apenas... menos casual, mais... charmoso. Você tem isso, cara."
Lucian revirou os olhos, mas não conseguiu suprimir o raro pequeno sorriso puxando o canto de seus lábios.
--------------------------------------------------------------------------------
O telefone de Aurora tocou com uma mensagem.
Sr. Sério: Vista algo bonito. Vou buscá-la às 5.
Ela levantou uma sobrancelha, sorrindo para si mesma.
Quando a campainha tocou, ela estava pronta, vestido floral, cardigã macio, cabelo enrolado. No segundo em que ela abriu a porta, a respiração de Lucian parou. Ele ficou lá com um sorriso silencioso nos lábios.
"Você está..." ele começou, os olhos correndo sobre ela.
Ela inclinou a cabeça, sorrindo. "Legal?"
"Linda", ele murmurou, depois a beijou suavemente nos lábios.
A viagem foi pacífica, a música zumbindo baixo ao fundo. Quando eles saíram da estrada principal e desceram um caminho de terra sinuoso, Aurora ofegou.
"Lucian..." ela sussurrou.
Estendendo-se diante deles estava um campo dourado de flores silvestres, pontilhado de cobertores de margaridas e cachos de peônias balançando na brisa.
"Isso é..." ela se virou para ele, atordoada. "Lucian, isso é lindo."
Ele saiu do carro, deu a volta e abriu a porta dela com um pequeno sorriso. "Só o melhor para você."
Ele carregou a cesta de piquenique como se não pesasse nada, e eles caminharam de mãos dadas até o coração do campo. Um cobertor de lã macia foi colocado, completo com uma pasta de frutas frescas, doces e limonada. Ele até tinha garfos minúsculos e guardanapos de pano.
"Você... planejou tudo isso?" Ela perguntou, agachada.
Ele assentiu, sentando-se ao lado dela. "Com uma pequena ajuda. Mas sim. Eu queria tornar o dia de hoje especial."
Ela deu uma mordida em uma massa, gemendo baixinho. "Isso é tão bom."
Lucian riu, servindo bebidas para eles.
Eles se deitaram no cobertor, dedos entrelaçados enquanto o sol mergulhava mais baixo. E então, quando a luz ficou laranja dourada, Aurora se sentou.
"Oh meu Deus, olhe para aquele pôr do sol, não é lindo Luc?" Aurora afirmou, mas ela foi recebida com silêncio.
Ela murmurou o nome dele novamente e virou a cabeça para olhar para ele.
Ele parecia nervoso.
Ela aproximou o rosto dela do dele, dando-lhe um beijo na bochecha. Ela tirou os lábios da pele dele, mas a distância próxima deles permaneceu.
"Tulipa?"
Ela piscou para ele. "Sim?"
"Quer ser minha?"
Silêncio.
"Como minha namorada, quero dizer... m***a, eu estraguei tudo, eu-"
Em vez de responder, ela se lançou para ele, derrubando-o no chão, rindo enquanto espalhava beijos em seu rosto.
"Claro, Luc." ela sorriu.
Lucian a pegou pela cintura e, com um raro sorriso infantil, ficou de pé e a girou em um círculo completo, ambos rindo enquanto as flores se borravam ao redor deles.
--------------------------------------------------------------------------------
A caminhada de volta para o carro foi preenchida com um silêncio satisfeito, com as mãos balançando entre eles.
Depois de 20 minutos, eles chegaram à inclinação final em direção ao lote, os passos de Lucian estavam mais lentos agora. Aurora ainda estava cheia de energia e conversando alegremente, pulando um pouco à frente, quando percebeu que Lucian estava sem fôlego por causa da caminhada.
"Você está bem?" Ela perguntou.
Ele exalou bruscamente. "Sim. Apenas cansado. Eu estou bem."
Ela olhou para ele. "Sério? A partir disso?"
Ele sorriu fracamente. "Cale a boca."
Ela revirou os olhos de brincadeira. "Dramático. Não posso levá-lo a lugar nenhum."
Ele riu, sua respiração ainda um pouco irregular. Ela agarrou a mão dele e gentilmente o puxou para frente.
No momento em que chegaram ao carro, ela se curvou e olhou de soslaio para ele. "Você tem certeza de que está bem?"
Lucian olhou para ela, realmente olhou e acenou com a cabeça. "Agora? Sim. Finalmente sou seu."
Aurora sorriu, inclinando-se para o console para beijá-lo novamente. "E eu finalmente sou sua."