Aurora estava parada na beira da calçada, com os dedos agarrados a uma sacola de papel com doces frescos e um buquê de flores que comprara por impulso. O sol brilhava forte, a cidade fervilhava de atividade, e ainda assim sua mente fervilhava com uma pergunta... Será que estava exagerando?
Lucian lhe dera sua fechadura biométrica. Isso devia significar alguma coisa... Certo?
Mesmo assim... ela não lhe dissera que iria à casa dele. Será que era demais? Cedo demais? Ela apertou o buquê com mais força.
Que se dane. Ela sentia falta dele.
E talvez, só talvez, ela quisesse surpreendê-lo pela primeira vez.
Com um suspiro determinado, Aurora caminhou até a casa de Lucian, a casa que agora tinha um leve cheiro dela, da última vez que deixara seu xampu lá. Estava começando a parecer um espaço compartilhado. Ainda assim, era a primeira vez que ela estava lá completamente sozinha. Era... emocionante.
A porta se abriu com um bipe após escanear sua impressão digital. A cada vez que isso acontecia, seu peito dava uma pequena palpitação boba.
Assim que entrou, o ar fresco a cumprimentou como um aperto de mão secreto. O lugar estava arrumado, quase arrumado demais. Ugh, ele precisava de ajuda.
Ela largou as bolsas na bancada de mármore e imediatamente começou a trabalhar.
Arrumou todas as suas flores em vasos e copos diferentes, espalhados pela sala de estar, banheiro e cozinha.
Então pegou a foto impressa, aquela que tinham tirado em um pequeno restaurante italiano algumas noites atrás, onde ele tinha realmente sorrido. Colocou-a em uma pequena moldura dourada que comprara em uma loja de presentes e a pôs sobre a mesa perto da porta.
Vestiu um dos moletons dele, arregaçou as mangas e foi para a cozinha preparar uma mistura de comida. As caixas de som tocavam um jazz suave para confortá-la ao fundo.
Enquanto mexia o molho, uma batida sacudiu a porta.
Ela piscou. "O quê...?"
Ela espiou pela câmera e quase riu.
Matteo. Dante. Nico. Rafe.
Que obviamente aprenderam a lição da última vez: bater antes de entrar... Que esquisitos.
Ela abriu a porta com as mãos enfarinhadas.
Todos piscaram.
"Você?" perguntou Dante, levando a mão ao peito dramaticamente. "Morremos e fomos para o céu? Você está cozinhando? Na cozinha dele?"
Matteo entrou, sorrindo. "Devemos ficar preocupados ou impressionados?"
Rafe deu um sorrisinho raro e discreto. "Cheira bem. Então provavelmente não estou morto."
Aurora enxugou as mãos em uma toalha. "Lucian não está aqui. Vocês querem almoçar?"
Nico ergueu uma sobrancelha. "Você está sozinha na casa dele e cozinhando. Você pode ser a escolhida."
Ela revirou os olhos, mas riu. "Sério, querem um pouco?"
"Precisa mesmo perguntar?" Dante se jogou em um banquinho. "Eu vivo para carboidratos."
Eles se reuniram na cozinha como um bando de crianças, fazendo comentários e devorando comida demais.
A conversa oscilava entre vídeos bobos do t****k, rumores sobre boxe underground e até Rafe começou a se sentir à vontade, criticando o novo perfume de Nico.
E então...
"Então, o que vocês vão fazer semana que vem?" perguntou Matteo casualmente, colocando mais comida no garfo.
Aurora piscou. "Semana que vem?"
"Sim, com o Lucian", acrescentou Nico. "Algum plano?"
Ela inclinou a cabeça. "Por que faríamos planos?"
Os rapazes trocaram olhares. Matteo pigarreou. "Você não sabe?"
Dante se aproximou. "É aniversário dele semana que vem."
Aurora quase deixou o copo cair. "Espera... o quê?"
Raffe assentiu. "Ele é como eu, nunca menciona isso."
"Aff, vocês dois sempre odeiam isso", explicou Nico. "Esses caras odeiam atenção. Todo ano a gente tenta convencer o Lucian e o Rafe a fazerem alguma coisa no aniversário deles, mas geralmente acabamos arrastando eles pra beber."
Aurora olhou para eles, perplexa. "Ele não me disse nada."
"Ele nunca diz nada", respondeu Matteo, dando de ombros.
Com isso, Aurora decidiu ali mesmo que ele teria uma surpresa. Gostasse ou não.
Ela não disse nada em voz alta, porém. Apenas assentiu pensativamente e mudou de assunto.
Mais tarde, enquanto os rapazes ainda estavam brincando, o celular de Nico vibrou. Ele atendeu casualmente. "E aí?"
Pausa.
Ele olhou para Aurora. "É, é. Aliás, a que horas você termina hoje?"
Outra pausa. "Tarde? d***a. Beleza, até mais."
Ele desligou e se virou para Aurora. "O Lucian está trabalhando até tarde. Disse que vai ficar mais algumas horas."
Aurora piscou. "Sério? Ele não disse que viria, aff."
"Bem," Dante sorriu, "ele provavelmente não pensou que você estaria aqui na casa dele."
Ela corou. "Cala a boca!" ela riu.
Os rapazes ficaram por perto com ela, relaxando no sofá e ajudando-a a guardar a comida que sobrou. Quando Lucian finalmente chegou de carro, o sol já havia se posto e a cozinha tinha um leve cheiro de jasmim.
Ele entrou pela porta, afrouxando a gravata, a testa franzida ao perceber algo diferente.
Matteo acenou. "E aí."
Lucian olhou de um amigo para o outro... e então seus olhos pousaram nela.
Seu rosto inteiro suavizou. Como se ele tivesse acabado de respirar aliviado pela primeira vez no dia.
"Você está aqui," ele disse baixinho.
Aurora sorriu, enxugando as mãos. "Surpresa."
Ele olhou para os outros. "Vocês estavam com ela?" — Sim — disse Nico.
"Ela nos alimentou."
Lucian não disse mais nada. Apenas se aproximou e depositou um beijo em sua têmpora, sua mão encontrando a dela como se pertencesse àquele lugar.
Depois de expulsar seus amigos, algo de que ele definitivamente não se arrependia, eles se aconchegaram no sofá, Lucian sentado com um braço em volta dela, as pernas entrelaçadas, uma comédia romântica suave passando na tela.
Então seu telefone vibrou.
Ele checou o identificador de chamadas. Seus olhos se estreitaram.
Ele se levantou. "Já volto."
Quando retornou alguns minutos depois, seu maxilar estava tenso.
"Tudo bem?", ela perguntou, virando-se para ele.
Ele deu um sorriso fraco. "Sim. Só estou cansado."
Ela o observou. Algo estava errado.
Mas ela não insistiu.
"Posso dormir aqui?"
Ele não hesitou. "Claro."
Eles se prepararam para dormir juntos, escovando os dentes lado a lado, ela com uma das camisas velhas dele, ele de calça de moletom. Quando finalmente se deitaram sob os lençóis, ele a puxou para perto do peito e a abraçou forte, como se algo dentro dele quisesse impedi-la de sair a qualquer momento.
Ela não disse nada. Apenas se deixou ser abraçada.
Enquanto podia.