O silêncio daquela manhã me pareceu errado desde o primeiro segundo. Quem viveu tanto tempo no barulho, no vai e vem das meninas e dos fregueses, aprende a sentir quando algo muda. E naquela manhã, tinha alguma coisa fora do lugar - o cheiro de cigarro ainda grudava nas paredes do bordel, misturado com perfume barato e desespero. A madrugada tinha sido longa — homens rindo alto, copos quebrando, as meninas fingindo felicidade. Tudo normal. Mas o silêncio do amanhecer... esse me deu calafrio. Desci as escadas devagar, o salto dos meus sapatos ecoando pelo corredor. O piso frio sob meus pés. O cigarro tremendo entre meus dedos, foi quando ouvi o toque insistente da campainha. Abri a porta e dei de cara com Mauricinho e Rato. Os dois estavam pálidos, com aquele ar de quem tinha visto fant

