O tempo dentro do hospital não passa como no morro. Lá em cima é barulho de moto, tiro de ensaio, criança correndo na laje. Aqui é silêncio cortado por bip de máquina e passos de gente que aprendeu a andar sem fazer barulho. Tava sentado na mesma cadeira dura de sempre, ombro doendo de ficar encostado na beirada, mas eu não desgrudava dela. Serena seguia dormindo, calma por fora, mas eu sabia que por dentro devia ser guerra. Fiquei observando o rosto dela. Agora, com a luz do dia entrando pela persiana m*l fechada, dava pra ver melhor os detalhes. Morena clara, pele fina, com manchas roxas espalhadas no pescoço e no braço. Os cabelos pretos, longos, se espalhavam pelo travesseiro como se fossem parte da sombra. E os olhos fechados… parecia que ela se agarrava ao sono como defesa. Eu res

