O sol já estava forte quando a gente desceu o morro. A moto ronronava sob mim, e Isadora vinha logo atrás, segurando firme, mas mantendo uma distância respeitosa — como se tivesse medo de se encostar demais. A cidade lá embaixo fervia, cheia de buzina, gritos e barracas abertas. — Nunca andou de moto? — perguntei, dando uma olhada pelo retrovisor. — Nunca. Mas tô confiando em você. — respondeu, a voz quase engolida pelo vento. Sorri de canto. — Então segura direito, senão voa. Ela riu, meio nervosa, mas segurou mais firme. A risada dela foi leve, quase tímida, e por algum motivo, me fez acelerar um pouco mais só pra ouvir de novo. A gente parou num shopping pequeno, no asfalto, onde eu costumava comprar umas coisas quando precisava sair da quebrada sem chamar atenção. Estacionei a

