A manhã no morro nasceu preguiçosa, com o sol filtrando pelas frestas das janelas e o som distante de rádios tocando funk nas vielas. Chacal estava na varanda, de camiseta branca e bermudas, observando o movimento lá embaixo. Serena ainda dormia, o cabelo espalhado no travesseiro, os traços serenos — finalmente livres da febre, dos curativos, das dores. A médica já tinha vindo dias antes e dito o que ele queria ouvir: “Ela tá curada, Chacal. Precisa só de descanso e de um pouco de vida normal." Mas o que era “vida normal” pra alguém como Serena? Ele observava o morro devagar e pensou nisso, encostado na grade. Desde que a trouxe pro morro, ela não tinha saído daquela casa. Lia, ouvia música, ajudava a arrumar o quarto, mas o brilho dela parecia preso, escondido. E isso incomodava mais

