A noite caía lenta sobre o morro, tingindo o céu de um laranja escuro que logo se misturava ao azul profundo. As luzes das casas piscavam, e o som distante de uma moto ecoava entre os becos. Serena estava sentada na varanda da casa de Chacal, com as pernas cruzadas sobre a cadeira, o cabelo solto e úmido do banho. O cheiro do creme de jasmim que ela tanto gostava se espalhava no ar, misturado com o aroma do café que ele fazia na cozinha. Já fazia dias que a médica dissera que ela estava curada. Ainda sentia uns incômodos às vezes, mas nada que a impedisse de andar ou sorrir. E ultimamente, ela vinha sorrindo mais do que nunca. Chacal percebia isso — mesmo quando ela tentava disfarçar. Ele apareceu na porta, sem camisa, um pano jogado sobre o ombro. — Tá fria a noite, hein? — disse, se

