VERA - CAÇA QUE NÃO MORREU

1294 Words

O relógio de parede marcava quase onze da manhã quando Vera entrou na sala principal do bordel. As cortinas pesadas ainda fechadas deixavam o ambiente mergulhado numa penumbra rubra, onde o cheiro doce e forte de perfume barato se misturava à fumaça dos cigarros esquecidos em cinzeiros de cristal. O som distante de risadas e música no andar de cima soava como um lembrete de que o dinheiro nunca dormia ali. Ela, no entanto, estava inquieta — e quando Vera ficava inquieta, ninguém respirava em paz. Cruzou as pernas, acendeu um cigarro e encarou os dois homens que esperavam diante dela. Mauricinho, alto, corpo trincado e um sorriso debochado no canto da boca, e Rato, magro, nervoso, com os olhos sempre pulando de um canto para o outro, como se o medo fosse seu estado natural. — E então? — s

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