O HOMEM QUE FALA DEMAIS QUANDO A FERIDA ABRE

1285 Words

A noite caiu pesada sobre o morro, daquele jeito típico: luzes piscando entre os barracos, som de funk estourando de alguma laje distante, cheiro de churrasquinho e óleo quente subindo da rua. Jéssica desceu devagar, seguindo o caminho até o ponto combinado com Vitão. Era um beco estreito, meio escondido, onde a luz do poste piscava como se estivesse prestes a morrer. Justo o tipo de lugar onde conversas perigosas aconteciam sem ninguém notar. Vitão já estava lá. Encostado no muro, cigarro na boca, olhar duro de quem vive desconfiado de tudo e de todos. A cara cansada, mas com uma atenção que não combinava com o corpo largado. Ele observou Jéssica se aproximar, sem sorrir. — Chegou. — ele disse, soltando fumaça. — Você que chamou — ela respondeu, com a calma ensaiada que ele parecia

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