A casa ainda estava fria pela manhã, mas meu corpo fervia de raiva e impaciência. Duas meninas desaparecidas e ninguém tinha notícia de nada. Cada segundo que passava me deixava mais nervosa, mais consciente de que cada vacilo podia custar caro. Respirei fundo e acendi um cigarro, sentindo a fumaça subir devagar, como se me zombasse. — Eu não tô pedindo, seus inúteis — falei alto, para o vazio do escritório. — Eu tô ordenando. Rato e Mauricinho estavam sentados na sala, os olhos fixos no chão, parecendo dois ratos que tinham acabado de sair da toca. Eu sentia o suor frio escorrendo pela nuca deles. — Vocês dois vão pro morro agora — disse, batendo o punho no balcão. — E quero notícia do corpo da Serena ou da Isadora. Entenderam? Mauricinho engoliu seco. — Sim, dona Vera. — E es

