Meu nome é Isadora, mas aqui dentro ninguém me chama assim. No bordel, eu sou só Dora. Curto, fácil de gritar no meio do corredor quando querem me chamar — e fácil de esquecer depois. Eu vivo nesse lugar desde os doze. Cresci ouvindo gritos, risadas falsas, e música alta tentando esconder o barulho das portas batendo. O cheiro de perfume barato e cigarro é a primeira coisa que sinto quando acordo e a última antes de dormir. Dizem que depois de um tempo a gente acostuma, mas eu nunca acostumei - só aprendi a fingir. Foi aqui que conheci Serena — ou Se, como eu chamava. Ela chegou muito nova, assustada, com os olhos sempre marejados e a voz baixinha. Eu não era muito mais velha, mas parecia que a dor dela me espelhava. Eu sabia o que ela sentia. Sabia o que é ter medo até da própria sombr

