O relógio marcava pouco mais de 00h quando Guto encostou a moto em frente à casa. O motor ainda vibrava quando ele desligou, deixando o som dos grilos e o barulho distante da cidade subirem no ar abafado da madrugada. O morro dormia — ou fingia dormir. Lá em cima, o silêncio nunca era absoluto; sempre tinha um passo apressado, um latido, um estalo qualquer lembrando que, mesmo na calmaria, o perigo respirava perto. Ele tirou o boné, passou a mão pelos cabelos e soltou um suspiro pesado. O dia tinha sido longo. Ronda, acerto de contas, visita no desmanche... Tudo sob controle, mas a sensação de que algo estava para mudar não saía da cabeça dele. Guto era um homem acostumado com a tensão, mas não com a incerteza. E ultimamente, o morro andava estranho. Vapores mais calados, comentários cor

