Liz
Bem passaram 18 anos, e eu já não sou mais uma garotinha, as coisas mudaram muito aqui na Zona Oeste, alguns amigos viraram aliados fiéis, e alguns inimigos bem, continuam inimigos, isso não tem jeito.
Depois que fizemos 15 anos começamos a treinar todos os dias, desde lutas, até tiro, eu e o meu irmão viramos mestres em tudo que o senhor Nero considerou importante, a minha mãe não gosta muito que eu me envolva em assuntos do morro, ela acha que isso coisa de homem, Dona Lara, sempre querendo ser salva pelos príncipes da vida.
O Rafael é muito parecido com ela, mas sabe ser r**m se for preciso, as coisas aqui andam em uma paz absurda, às vezes tem umas operações, mas geralmente a polícia só leva o combinado.
Rafael: E aí está pensando em quê? — ele fala entrando no meu quarto.
Liz: Estou pensando em como seria bom curtir um baile lá no morro do caveirinha, ou melhor, do OT.
Rafael: Sabe que se pisarmos lá estamos mortos, e se sairmos vivos os nossos pais vão matar agente do mesmo jeito.
Liz: Todo mundo fala daquele baile, e todos os moradores podem ir lá
Rafael: Falou certinho os moradores, coisa que nós não somos.
Liz: No dia do baile dele isso aqui fica vazio, e o nosso baile não fica igual.
Rafael: Eu sei, mas ao contrário deles nós não podemos chamar qualquer MC.
Liz: Por isso mesmo que eu queria conhecer, imagina que louco curtir um baile diferente do nosso.
Depois da guerra de 18 anos atrás o Caveirinha continuou no comando, e ele tomou alguns morros da Zona Oeste, o que deu muita força para ele, ele nunca tentou invadir o nosso lado da Zona oeste, então nós também não invadimos o dele.
Tens uns anos que o filho dele assumiu e desde então, eu só escuto falar em como o baile deles é bom, e em como fica lotado e em como vem pessoas de todos os cantos só para curtir a noite lá.
Eu queria muito ir lá antes de assumir, porque depois que começamos a comandar com certeza, eles vão saber como é a nossa cara.
Meus pais são muito discretos em relação à gente, nunca postaram fotos nem nada nas redes sociais, eles praticamente nos escondem como uma forma de segurança.
Nunca fui proibida de sair, pelo contrário eu e as minhas primas viajamos o mundo, aprendemos novos idiomas e curtimos muitas baladas por aí, mas baile eu só conheço o nosso que cá entre nós, só vem os moradores daqui e um pessoal da região, todos têm muito medo da milícia, até porque quando é preciso nós fazemos a limpa e matamos alguns drogados, porque aqui a regra é clara, quer usar droga, tu tá no teu direito até porque nós vendemos, mas não pode usar na rua e nem na frente de criança, que dá merda.
Tento dormir, mas não consigo, eu preciso ir naquele baile amanhã nem que seja por cinco minutos, eu queria a companhia do meu irmão, mas eles notariam porque ele é homem e fica mais em evidência.
Também não posso convidar a minhas primas, porque tanto a Carla e a Alana já são conhecidas, não iam passar nem da barreira dos caras sem levar chumbo na cara.
Lavínia é bocuda, se eu convidar, ela conta para os meus tios na hora, aí meu pai vai me cobrar.
Não me restou ninguém, então eu vou sozinha, conhecer esse baile e vou voltar antes que eles sintam a minha falta.
Nero
Os anos foram passando e eu nem senti daqui a uma semana meus filhos vão fazer 18 anos, e eu vou me aposentar.
A idade deles me dar uma sensação de dever cumprido, resolvi dar os morros para os dois, porque apesar de serem muito diferentes um do outro eles se completam, o que faz deles imbatíveis, a Liz e linda puxou a mãe, mas puxou todo o meu gênio r**m o que me assusta, já o Rafael parece muito comigo, mas tem o gênio da mãe que também não é bom, mas ele pensa mais antes fazer.
Fizemos alianças importantes durante os anos, o que me deixa mais confortável, hoje em dia temos poucos inimigos.
O que me deixa mais confiante sair dessa vida, para curtir a minha mulher.
Infelizmente ano passado a Dona Lúcia nos deixou, a velha era r**m na queda, sofremos muito com a sua partida, mas já estava na hora dela descansar, afinal outra geração não ia ser palio para aquela mulher.
As crianças cresceram juntas e todos são envolvidas com a milícia, como já era esperado.
Ficamos rodeados de mulheres fortes e cá entre nós, as coisas ficaram muito melhores com elas no comando, Carla é uma ótima administradora e conseguiu vários territórios para a nossa organização.
Lavínia puxou a Jade e corajosa e linda, e ama uma tortura assim como o pai, sem falar na inteligência e lealdade daquela menina.
Alana é uma chefe de morro excelente, não tem pena de ninguém e comanda com mãos de ferro, Marcos não é mulher, mas é um ótimo sub para Alana e assim como seu pai ele a chama para a realidade quando é preciso.
No geral, eu tenho muito orgulho de todos os sobrinhos que a vida me deu.
/
Liz: Posso entrar
Nero: Claro que pode meu amor
Liz: Estou ansiosa para assumir o morro com o Rafa...
Nero: Vocês são uma ótima dupla e vão fazer um trabalho incrível
Liz: Vamos, sim, te daremos muito orgulho meu coroa
Nero: Vocês já dão pirralha
Liz: Você vai ter que parar de me chamar assim
Nero: Você sempre vai ser a minha pirralha
Liz: Vou ir na boca resolver uns problemas
Nero: Cadê o Rafael?
Liz: Está na associação ajudando os moradores
Nero: A parte humana é toda dele, né?
Liz: Com certeza, ele ama esse tipo de coisas, ele está fazendo faculdade.
Nero: Ele falou, e eu acho bom a senhora escolher logo uma faculdade a distância, antes que a sua mãe te cobre
Liz: Eu vou escolher, eu juro
Liz
Meus pais são muitos chatos em relação a estudos, mesmo sabendo que seriamos chefe de morro, eles fizeram questão dos melhores colégios, os melhores cursos, de outros idiomas e agora de uma faculdade, para o Rafael foi mais fácil, na verdade, tudo para ele é mais fácil, porque ele é super decido e ama pessoas.
Já eu só queria trabalhar com o morro mesmo, mas para minha mãe isso não existe, ela diz que se um dia eu quiser trocar de vida, temos que ter uma profissão mesmo que sejamos ricos.
Essa semana eu resolvi que vou ao baile lá no morro do caveirinha, vou sozinha mesmo, assim eu não corro o risco de ser pega, vou lá conhecer a concorrência e vou ver a cara do famoso OT.