Episódio 28

811 Words
Dou-lhe um beijo leve e deito-me ao lado dele. O meu peito sobe e desce, a minha barriga se contrai, e passo as mãos sobre ela enquanto digo: Eduard, estamos tran*sando desde a segunda semana. Poderia ser nosso filho, feito por nós, assim. Olho para ele. — Sua mãe disse... — Aquela va*dia não é minha mãe. Ele me olha, com os olhos semicerrados. Não preciso mais fingir na frente dele, porque já ouvi o que precisava ouvir. Ele me ama, ele me ama, e isso me dará a chance de separá-lo da minha mãe. — Eu a odeio. Ele parece entender os motivos pelos quais me trouxe aqui. — Você está comigo porque a odeia? Não vou ne*gar. É hora do Eduard saber que foi ele quem me trouxe aqui. — Vim para me vingar dela, para destruir o seu casamento feliz. Eu tinha planejado abrir os olhos do marido dela, porque ele era tão velho, a suas pálpebras enrugadas certamente estariam caídas e o impedindo de enxergar direito. Mas acontece que o marido dela não era tão velho quanto ela pensava. Acima de tudo, ele me cativou desde o primeiro momento. — Então, Chapeuzinho Vermelho não era tão boa quanto eu pensava. — Eu só quero que ela pague, que sinta o que é ser abandonada por quem mais ama. Por que você vai abandoná-la, não é? Ele permanece em silêncio, me encarando fixamente. — Eduard, responda. Você vai abandoná-la? — Só se você me disser que eu não sou apenas uma peça para executar a sua vingança, uma que você descartará quando eu não lhe for mais útil. — Você era a peça para executar a minha vingança, mas você é tão apaixonante e requintado que eu não consigo me livrar dessa peça. Decidi ficar com ela, para sempre. Ele sorri e me beija. Afasto-me quando percebo que ele não respondeu à minha pergunta. — Nós iremos para longe, nós três. Coloco a mão dele na minha barriga. Porque ela é nossa, Eduard. Nosso. — Sim. Estaremos juntos, mas não agora. — Por quê? — Porque, assim como você, eu tenho uma mãe ru*im, com quem tenho assuntos inacabados da minha infância. Estou prestes a perguntar, mas ele me tranquiliza. — É melhor você não saber mais nada sobre isso. Ele está prestes a se levantar, mas eu o impeço. Sento-me e, enquanto acaricio a sua pele macia, murmuro. — Vamos ficar com ele? Ele abaixa o olhar e depois o ergue novamente. — Preciso ter certeza de que é nosso e, para isso, preciso que você me diga o nome do médico e a clínica para onde ele a levou. — Eu já fui lá, e ele neg*ou me conhecer. Insistiu que nunca me tratou. — Nome? Ele pergunta, e eu digo que é o mesmo médico que fez o teste de gravidez. Um sorriso se forma nos seus lábios, impossível de decifrar. Ele vai ao banheiro. Enquanto ele toma banho, fico na cama, olhando fixamente para frente, pensando que esse médico não vai dizer nada. Ele provavelmente já contou para minha mãe que eu fui vê-lo. É por isso que ela está me ligando impacientemente, exigindo a minha presença, e como eu não fui, ela continua insistindo. Eduard sai trocado, com o cabelo perfeitamente penteado e cheirando a colônia. — Aonde você vai? — Tenho um peixe grande para pescar e, graças à sua informação, acho que vou matar dois coelhos com uma cajadada só. Ele se aproxima, me beija e murmura: espere aqui; vamos ficar acordados a noite toda. Ele sai, me deixando sozinha naquele lugar. Fico na cama por um tempo e, depois de tomar um banho, procuro algumas roupas do Eduard para vestir. Que surpresa! Ele tem um guarda-roupa inteiro cheio de peças coloridas e recém-compradas. Cada uma com etiqueta, de grife e exatamente do jeito que eu gosto. Eduard parece me conhecer há muito tempo. Ele sabe tanto sobre mim, até a minha cor favorita e as marcas que gosto de usar. Escolho uma saia e uma blusa curta para ficar bonita quando ele voltar. Enquanto espero, dou uma volta pela suíte e chego a um quarto trancado. O que tem lá dentro? Por que está trancado? Já que Eduard está fora, vou tentar abrir para ver o que o meu padrasto perverso escondeu. Porque até a semana passada, não havia nada aqui, muito menos estava trancado. Tento abrir, mas não consigo. Então, decido ligar para a recepção e pedir uma cópia da chave daquela porta. ‍​‌‌​​‌​​​​​​​​​​​​​​​​​​​​​​​​‌‌​​‌​​‌​​​‌​​​‌​​‌​‌​‌‌‍
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