Pov. Amy
Assim que cheguei em casa, me joguei em cima da cama. Era muito cansativo trabalhar em um restaurante e um café. Sempre tinha muita coisa para fazer, muitos clientes estressados, meu gerente pé no saco. Não estou aguentando mais, e ainda tem a faculdade agora, que por sua vez não fica atrás. Sempre muitos projetos para ser feitos, muita matéria para aprender. Literalmente estou acabada.
Deitada de bruços, tiro meus sapatos e o jogo longe, me ajeito melhor na cama com a intenção de tirar um cochilo antes de ir para a faculdade.
Mas como sempre tem alguém que decide me incomodar nessa hora. Meu celular começa a tocar insistentemente, reviro os olhos por frustração e pego ele que esta na bolsa, que se encontrava no chão ao lado da cama. Atendo sem ver quem é.
Ligação On
_Alo! — começo já com a voz irritada.
_Vixxi ta irritadinha?! — Victor diz me irritando mais.
_Victor, você sabe que esse é o pior horário para me ligar! Eu to morrendo de cansaço!-Digo irritada e manhosa ao mesmo tempo.
_Eu sei…Mas esse é o único horário que eu consigo falar com você! Por que de manhã e a tarde você trabalha, de noite você estuda. Falarei com você quando?
_Ai… Victor! — respirei fundo — Desculpa amigo! É que minha vida está uma bagunça. Sem contar que eu não estou tendo tempo nem para mim direito. Estou cheia de coisas para fazer e assuntos para resolver…
_Tudo bem amiga, eu te perdoou pela sua grosseria hoje, pois sei o quanto está corrido para você!Mas, eu precisava falar com você, pois seu pai me ligou puto da vida sábado. Perguntando se eu estava com você! Fiquei sem entender, pois, você não faz o tipo que some… Onde a senhorita estava?
_Na casa da Wanessa…
_OQUE?COMO ASSIM?
_Ei… Calma… Relaxa… Ela se está se separado do marido dela.
_Amy me poupe, ela te disse isso e você caiu assim, fácil? Esperava mais de você amiga! — sua voz parecia irritada.
_Olha, primeiro que isso é verdade, nem juntos eles estão morando mais. Eu não seria amante dela, e ela sabe muito bem disso. Ela tem me ajudado muito esses dias e..
_Amiga? Oque aconteceu, ontem mesmo você estava morrendo de raiva dela e agora parece que esta falando do amor da sua vida. Que parte eu perdi?
_Muitas! E você falou bem, eu ESTAVA brava com ela, mas já nos entendemos, aliais, estamos nos entendendo bem demais até — Disse já sorrindo, lembrando do seu carinho.
_Meu deus! Já apaixono Amy? — Ele riu assim que disse isso.
_Não nada ver! Somos apenas duas amigas curtindo juntas.
_SEiiii... Amigas! — Ri da voz que Victor fez, era incrível como ele conseguia ser palhaço e, ao mesmo tempo discutir comigo sobre algo.
_Enfim…Mas Wanessa e eu estamos mais próximas agora, e você trate de tratar ela bem quando a conhecer por favor hein. Sei muito bem como você age, quando não vai com cara de meus amigos coloridos.
_Iiiiih fica de boa. Tratarei ela bem sim! Até porque é a primeira mulher na lista né amiga. E pelo jeito não será a última. Se repetiu a dose, foi porque gostou do negócio.
_No momento ela é a única que quero, quem sabe no futuro né.
_Bom isso veremos. Mas seu pai ficou muito bravo? Eu nem consegui ligar para você para saber, pois tive que resolver umas coisas na pressa. Mas estou de volta viu baby, pode me contar tudo ta!
_Eu te conto tudo, mas agora é um pouco mais difícil de nos falarmos. Meu pai, ficou bravo quando falei com ele por telefone, mas quando cheguei em casa vi que o motivo não era eu.
_Como assim?
_Minha mãe pediu o divórcio — Disse com a voz engasgada. Só de lembrar já fiquei triste.
_Nossa. Amiga. Eu. Eu não sabia… Como você está? Melhor, como ele está? Melhor, por que divorcio? — Victor parecia perdido igual a mim, quando li o papel do pedido de divórcio.
_Ah migo… Longa historia… Vem aqui em casa amanhã, ou almoça comigo, sei lá. Não quero falar sobre isso por telefone.
_Tudo bem amiga. Entendo você, eu estou aqui me ouviu? Para tudo que precisar estarei aqui! — Ele dizia coma voz carinhosa, aquecendo meu coração como ele sempre fazia. Victor era meu melhor amigo desde sempre, tinha me esquecido de como era bom telo ao meu lado. Sempre me suportou nos melhores e nos piores momentos e eu o amo por isso.
_Owwn sei meu amorzinho-disse carinhosa com ele também — Te amo ta?
_Também sua chata! Te amo muito, por isso peço que me conte tudo, sempre estarei aqui por você. — sorri ao ouvir isso.
_Eu sei…E te amo por isso. Mas seria bom se você desliga-se o telefone agora e me deixasse tirar um cochilo antes de ir para faculdade! Eu te amaria mais ainda — falei rindo do suspiro de desaforo de Victor do outro lado da linha.
_b***a, tá bom... Descansa ai amiga. Talvez amanhã eu vá almoçar com você. Estou com saudades de te ver com aquele uniforme “sedutor”.-Ele retrucou rindo.
_i****a! Mas beleza vai sim, adoraria ter sua presença. Quem sabe não chamo a Wanessa também? Ela almoçou comigo hoje! — “E que almoço!”
_Nossa amiga, em que ponto eu dormi! Já estão até almoçando juntas? Sapatão é rápida mesmo hein!
_Bobo, foi a primeira vez…
_Duvido que será a última! Mas tá bom, adorarei conhecer essa mulher que seduziu minha amiga.
_Tá, te mando mensagem caso ela for. Beijos migo!
_Beijos!
Ligação Off
Desliguei a ligação, e joguei meu celular para o lado na cama. Me acomodei melhor no travesseiro e cochilei.
*****
Acordei com o despertador do meu celular, já era hora de ir para faculdade. Resmungando peguei meu celular e desliguei o alarme. Peguei minha toalha e corri para o banheiro, tomei um banho gelado para despertar e sai. Coloquei roupas simples, uma calça (jeans) apertada, uma regata preta de alças finas, que tinha um decote discreto e coloquei minha sapatilha preta. Deixei meus cabelos úmidos soltos mesmo, secando naturalmente.
Olhei no relógio e já era a hora de ir. Passei pela cozinha já com os materiais na bolsa e olhei no chaveiro, onde ainda estava a chave do carro de minha mãe. Nesses dramas todos nem me lembrei do carro dela, ela deixou ele para trás. Pelo menos isso né. Peguei as chaves, tranquei as portas e sai pela garagem com meu novo carro.
“Já que a dona não o quer, eu quero!”-Pensava saindo com o carro da garagem.
Segui para faculdade e deixei o carro no estacionamento. Caminhando em direção a sala me esbarrei novamente em alguém.
“Eu me minha distração”-disse assim que vi, que livros ficaram espalhados no chão. Imediatamente me abaixei para pagá-los.
_Me desculpa, sou completamente desastrada! — disse pegando alguns livros no chão e os entregando. Quando subi meu olhar, vi quer era o Senhor misterioso, ou melhor, Theo.
_Já é a segunda vez hein! Estou começando a pensar que isso é perseguição! — Ele disse sorrindo, me fazendo sorrir também.
_Desculpa — disse sem jeito.
_Tudo bem! Gosto de esbarrar em você! Assim consigo ter sua atenção — Fiquei ainda mais sem graça ao ouvir aquilo. Dei um sorriso sem graça.
_Estamos na mesma sala, podia falar comigo lá.
_Tentei, mas você parecia sempre tão focada. Achei melhor não puxar assunto. Da última vez que tentei você acabou saindo da sala.
_Pois é.. Pelo menos descobrimos que na aula da Wanessa, não podemos conversar — Rimos juntos.
_É, mas fiquei m*l de não ter te acompanhado, a culpa foi minha.
_Tudo bem, já foi!-Sorri mostrando tranquilidade.
_Bom já que estamos bem, queria saber se você aceita sair comigo, qualquer dia desses. Pode ser no final de semana para bebermos algo, ou um cineminha, você decide!
“Como recusar? Ai ai.. Oque eu faço. Pensa Amy..pensa..”-pensava lançando um sorriso sem jeito, para Theo que esperava ansiosamente pela minha resposta.
_Pode ser…-disse já me xingando mentalmente. Não queria ir, pois, conseguia ver nos olhos de Theo, que não seria uma programação de amigos. Mas não pude recusar, não tinha amigos na faculdade, por isso resolvi dar uma chance, vai que é coisa da minha cabeça! “Duvido muito", mas quem sabe ele só quer ser meu amigo.
_Ótimo! — ele disse pegando seu celular e me estendendo-Passa seu número, que ai durante a semana marcamos melhor isso!
_Tá.. Claro! — peguei seu celular e coloquei meu número, e já devolvi- Prontinho!
_Beleza, A propósito você está linda hoje — Ele disse saindo, em direção a lanchonete. Eu fiquei parada que nem boba, olhando ele ir, m*l consegui responder.
Balancei a cabeça tentando deixar longe, essa cena da minha cabeça. E continuei meu caminho para sala. Sentei em meu lugar me ajeitando na carteira, Theo entrou minutos depois e se sentou ao meu lado. Dei o leve sorriso, mas decidi não ligar para sua presença. Precisava me concentrar nas aulas.
***
Assim que Wanessa entrou na sala, um sorriso brotou em meu rosto. Ela estava linda, estava com uma camisa social branca com mangas medias, uma saia preta justinha, deixando suas curvas perfeitas. E um salto alto preto, finalizando com o look de professora gostosa.
Ela por sua vez, me olhou e logo passou olhar para os outros alunos. Ela precisava manter a postura, e achei melhor assim, porque se ela me lançasse um olhar sedutor, com certeza iria agarrar ela na sala mesmo, na frente de todos.
Pov. Wanessa
Entrei na sala de Amy, e meu olhar caiu imediatamente sobre ela e o seu sorriso maravilhoso. Fugi o olhar para os outros alunos, para manter o foco. Se não a aula seria um desastre. Pela breve olhada que dei nela, vi que ela estava linda como sempre, os cabelos úmidos, a regata simples. Estava perfeita, mas foco!
Coloquei minha bolsa sobre a mesa. E liguei meu computador. Hoje iria mostras alguns exemplos de projetos de prédios e casas, eles teriam que fazer na próxima semana, um projeto bem específico acentuando todos os detalhes de um bom projeto. Por isso a aula de hoje era importante e séria. Liguei o projetor e abaixei a tela branca, desliguei a luz, para que dos pudessem ver melhor. E assim dei início a aula.
Em meio a uma explicação e outra, pude ver o olhar atento de Amy em mim, e a tudo ao que eu falava. Já um aluno, que estava sentado ao seu lado, não tirava os olhos dela. Confesso que morri de ciúmes, ainda mais em um momento em que ele, cutucou ela, e lhe entregou um papel. Ela por sua vez, leu e sorriu.
Ao ver isso minha vontade foi de parar a aula, e puxar o papel da mão de Amy, e ler tudo que estava escrito. Mas me controlei, e não deixei transparecer. Dei continuidade a aula como nada tivesse acontecido. Assim que terminei a aula, liguei novamente a luz. E comecei a organizar as coisas, enquanto os alunos saiam. Vi que Amy também deu uma enrolada, mas seu admirador ficou esperando ela, organizar suas coisas, sobrando, apenas eu ele e ela na sala.
_Estava pensando Amy…-Ele começou a falar com ela na sala. Fingi não prestar atenção, mas meus ouvidos estavam atentos. Eu fingia mexer em algo no notebook — Em vez de sairmos no final de semana. Tem um barzinho próximo daqui, podemos ir hoje lá.
Assim que ouvi, senti meu sangue ferver. Mas me mantive quieta, fingindo digitar algo.
_Ah... Não sei…-Ouvia a voz de Amy, parecia nervosa. Olhei de relance para ela, e nossos olhares se conectaram nessa instante, ela parecia desconfortável, mas fiquei intrigada de saber que ela tinha marcado de ser encontrar com ele no final de semana. Voltei meu olhar para o computador.
_Vamos, por favor... Eu te levo para casa se você quiser.
_Não seria uma boa ideia beber hoje! Estou de carro e..
_O bar é perto da minha casa, você pode dormir lá, caso esteja muito bêbada para dirigir.
_Eu bêbada na sua casa? Não sei se seria uma boa ideia! — Nesse momento subi meu olhar para os dois. E ele se aproximava mais dela. Meu sangue parecia estar borbulhando. Minha respiração acelerou.
_Eu não iria fazer nada..- Ele se aproximou mais encostando Amy em uma carteira atrás dela- Que você não queira!-Ele falou passando a mão no rosto de Amy. Eu explodi nessa hora, foi a gota d água para mim.
Levantei da cadeira e fechei o notebook com toda força que tive. Olhando os dois que se afastaram imediatamente pelo barulho, olhando para mim. O olhar dele parecia confuso, e o dela de desculpas. Respirei fundo, não podia entregar oque sentia ali.
_Desculpa..E-eu... Deixarei vocês a sós.-Peguei minhas coisas na mesa — Licença- disse saindo da sala.
Pensei ter ouvido a voz da Amy ao fundo me chamando, mas não dei importância. Sai bufando até a sala dos professores. Onde arrumei minhas coisas rapidamente e sai para o estacionamento onde havia pucos carros. A maioria dos alunos já tinha ido embora. Entrei no meu carro batendo a porta. Joguei minha bolsa no banco do passageiro, e comecei a bater com toda força no volante.
Depois apoiei minha cabeça no mesmo, respirando fundo tentando me acalmar. Não podia ficar assim, não sabia o porque estava assim. Eu e ela não temos nada oficial mesmo. Ela não tem nada comigo, não me deve explicações de nada. Minha mente parecia estar em uma confusão só. “Ela disse estarmos juntas, mas…e..mas..” Ouvi batidas no vidro do carro, olhei e vi ser Amy.
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