O barulho do motor ecoava pela estrada vazia, cortando a madrugada como uma navalha. Thiago dirigia em silêncio, os dedos firmes no volante, os olhos fixos na escuridão adiante. Ao lado dele, eu tentava controlar a respiração, mas cada segundo que passava dentro daquele carro me deixava mais ciente da intensidade do que sentíamos. O caos ainda pulsava nos nossos corpos — as fotos vazadas, os boatos, a rejeição da família dele, o olhar de desprezo da cidade. Tudo estava à beira do colapso, e ainda assim... ainda assim, o desejo queimava como uma maldição entre nós. — Você está bem? — ele perguntou de repente, com a voz mais baixa do que o normal. Assenti devagar, sem encará-lo. — Tanto quanto alguém pode estar depois de virar o escândalo número um da cidade. Ele soltou um suspiro e des

