O amanhecer chegou lento, coberto por uma névoa densa. O ar cheirava a terra molhada e cinzas antigas — como se o tempo tivesse parado à espera de um novo desastre. Dentro da casa, Helena observava a janela com os olhos inchados de uma noite sem sono. O bilhete de Camila ainda estava sobre a mesa, o papel manchado por uma gota de sangue seco. “Amanhã, o fogo volta pra casa.” Essas palavras queimavam na mente dela, repetindo-se em um eco interminável. No berço, Luna dormia. Por enquanto, o mundo lá fora não a alcançava. Mas Helena sabia — o m*l sempre encontra o caminho de volta. Ela respirou fundo, passou a mão pelos cabelos e olhou para o relógio. Thiago ainda não havia retornado. Desde a explosão no galpão, o telefone dele só caía em silêncio. E o silêncio, ela aprendeu, é o prelúd

