O vento noturno cortava como uma lâmina suave quando Sofia Monteiro desceu do carro em frente ao prédio de Lucas Almeida. A cidade, sempre tão viva, parecia suspensa no silêncio que só a madrugada conseguia impor. Havia dentro dela uma mistura de adrenalina e medo, como se estivesse prestes a atravessar uma fronteira invisível da qual não haveria retorno. Lucas aguardava na entrada, as mãos enfiadas nos bolsos, o olhar carregado de uma seriedade que a perturbava mais do que qualquer provocação ousada que ele já tivesse feito. Quando seus olhos se encontraram, algo pulsou entre eles — um campo magnético, uma promessa não dita, um perigo disfarçado de tentação. — Você demorou — disse ele, com a voz baixa, mas firme. — Não sabia se devia vir — respondeu Sofia, tentando controlar o tremor n

