Sofia ficou parada, observando o reflexo do próprio rosto no vidro. O brilho das luzes da cidade se misturava às sombras da confusão que ela carregava por dentro. Lucas estava ali, a poucos passos, e mesmo sem dizer nada, sua presença parecia preencher todo o ar. Ele encostou-se na parede, o olhar calmo, mas atento, como se cada respiração dela fosse uma provocação. — Está fugindo de novo, Sofia? — a voz dele soou baixa, quase um sussurro. Ela virou-se lentamente, tentando manter o controle. — Não estou fugindo. Só estou tentando entender o que você quer. Lucas deu um leve sorriso, um daqueles que sempre a deixavam sem chão. — E se eu disser que o que eu quero está exatamente na minha frente? O tom dele era perigoso, carregado de algo que ela não sabia se era desejo ou provocação pura.

