Atos do desejo

1493 Words

A chuva engrossava lá fora, tamborilando no vidro como se tentasse arrancar Sofia do torpor em que havia mergulhado. O apartamento estava em meia-luz — só o abajur aceso no canto projetava um círculo quente sobre o sofá, onde ela permanecia imóvel, abraçada a uma manta que não aquecia o suficiente. As horas pareciam se arrastar desde que ele partira. Cada tic-tac do relógio era uma provocação. O eco do que haviam dito — e do que não disseram — ainda ressoava como um sussurro incômodo nas paredes. Sofia tentava convencer a si mesma de que o vazio era o preço da dignidade. De que era melhor assim. Mas o coração… o coração nunca foi racional. Ela o queria de fato. Levantou-se num impulso, foi até a janela. Lá embaixo, as luzes da rua tremiam refletidas nas poças d’água. Respirou fundo, te

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