O silêncio entre Lucas e Sofia pesava como uma corda esticada prestes a arrebentar. Eles estavam no mesmo espaço, respirando o mesmo ar, mas qualquer palavra parecia perigosa demais. Desde o que acontecera — aquele instante de fraqueza, de desejo e culpa misturados — nada voltara a ser igual. Lucas estava sentado à mesa, tentando focar nos papéis espalhados à sua frente. O som do relógio na parede ecoava como uma provocação. Sofia cruzava a sala lentamente, indo e voltando, com o café nas mãos já frias. Nenhum dos dois suportava aquele clima, mas ambos insistiam em fingir que dava pra suportar. — Vai continuar fingindo que nada aconteceu? — ela perguntou por fim, sem olhá-lo. Lucas ergueu os olhos, exausto. — E o que você quer que eu diga, Sofia? Que me arrependo? Ela virou-se, o olhar

