O som da chuva contra o vidro parecia acompanhar o ritmo do coração de Sofia. Cada batida era uma lembrança, uma provocação, um chamado silencioso que vinha de dentro e tinha o nome de Lucas. Ele estava ali, encostado à parede, com o olhar cravado nela — um olhar que misturava desejo, culpa e uma inquietude que ela não sabia decifrar. O ambiente estava carregado. Nenhuma palavra precisava ser dita. O silêncio entre eles era o tipo que queimava. Sofia passou a língua pelos lábios, tentando ignorar o tremor leve que percorria seus dedos. — Você não vai dizer nada? — ela quebrou o ar denso, com a voz baixa, quase um sussurro. Lucas respirou fundo, endireitando o corpo. Caminhou devagar até ela, como se cada passo fosse uma confissão. Quando parou a menos de um palmo de distância, o perfume

