A manhã começou com o cheiro de café queimado e uma tensão que parecia saturar o ar da cidade. Ela chegou cedo ao escritório, vestida com precisão cirúrgica, como se cada detalhe de sua aparência pudesse protegê-la de sua própria vulnerabilidade. Mas sabia que isso era uma ilusão. Ele estava por toda parte, mesmo quando não estava fisicamente presente. O primeiro contato do dia aconteceu no corredor, inesperado. Ele surgiu à sua frente, interrompendo seu passo, com aquele sorriso torto que tanto a irritava quanto a excitava. — Pensando em mim? — provocou, o olhar perfurando o dela. Ela parou, respirou fundo e ergueu a cabeça. — Não. — Não minta — rebateu, baixando a voz. — Vejo cada tentativa de fuga, cada resistência. E, ainda assim, você sempre volta. Ela apertou os punhos, tentando

