Capítulo 2

1085 Words
Rayra se levantou, limpando as mãos no avental, e olhou diretamente para Victor. — Não precisa de reforço. Já anotei a lista dos produtos que preciso. Garanto que dou conta. Victor, intrigado com a determinação dela, foi até a geladeira, pegou uma jarra de água e, brincando, perguntou: — E cozinhar, está nos serviços contratados? Rayra sorriu, com a simpatia em seu rosto era natural. — Posso preparar algo rápido, se quiser. Victor ficou ainda mais impressionado com a prestatividade dela. Ele pegou a cafeteira e começou a preparar café. — Aceita um pouco? — ele ofereceu. — E pode me chamar de Victor. Eu sempre como fora, então não se preocupe, a cozinha vai ficar impecável. Rayra se ofereceu para preparar um lanche, bolo, ovos, ele pediu ovos mexidos com pão integral, suco natural de laranja sem adoçar, bacon e omelete de banana com canela, Rayra pediu licença, para mexer na geladeira, começou a preparar tudo, e mandou por mensagem a lista dos produtos, que ele pediu em um aplicativo, e eles começaram a conversar, ele contou que a família morava na Europa, e ele ia comemorar o aniversário com amigos, Rayra ouviu tudo atenta, e disse que não ia decepcionar ele. O aroma de café fresco e os ovos mexidos com bacon invadiu a cozinha. Quando o café da manhã ficou pronto, Rayra serviu em pratos de porcelana, com o cuidado de quem entende de gastronomia e faz com carinho. Victor a observou, surpreso e admirado com a rapidez e o capricho com que ela preparou tudo. — Uau, isso está incrível! — ele exclamou. — Sente-se e coma comigo. Por favor. Rayra sorriu, mas balançou a cabeça. — Obrigada, Victor. Mas eu preciso começar a faxina. Com a recusa educada de Rayra, Victor começou a comer sozinho enquanto ela subia para o segundo andar. Rayra iniciou a limpeza do primeiro cômodo, abrindo caixas e organizando os objetos. Foi então que ela levou um susto. Em uma das caixas, havia lençóis de seda nas cores preto, vermelho e dourado. Em outra, uma variedade de produtos novos de s*x shop: vibradores, algemas, chicotes, géis beijáveis, e lingeries minúsculas. Rayra, que nunca havia visto nada parecido, ficou curiosa e começou a ler as etiquetas para entender a função de cada item. Foi nesse momento de distração que Victor entrou no quarto. Rayra se assustou e se levantou de imediato, com o rosto sério. — Posso realmente desembalar tudo? Fiquei confusa, desculpa. Victor soltou uma risada, achando a reação de Rayra adorável. — Sim, pode desembalar tudo — ele disse. — Desculpa, deveria ter explicado antes. Este aqui vai ser o meu dark room, um quarto para encontros íntimos. Ele pegou o celular e mostrou algumas fotos de referência, explicando com naturalidade como o espaço ficaria: luzes baixas, espelhos e, claro, os lençóis de seda. Rayra olhava as imagens com os olhos arregalados, o rosto corado de vergonha. Ela gaguejou, m*l conseguindo formar as palavras. — Eu… eu entendi. Não tem problema. Vou arrumar. Voltando ao trabalho, ela começou a organizar os itens eróticos em uma prateleira, tentando manter a compostura. Victor, percebendo o desconforto dela, se afastou. — Estarei no meu quarto, se precisar de algo. Ah, e os produtos de limpeza que você pediu já chegaram e estão na cozinha. Rayra trabalhou incansavelmente. Limpou e organizou todos os cômodos do andar de cima, subindo e descendo as escadas várias vezes, carregando baldes, vassoura e rodo. Quando o relógio marcou a hora do almoço, ela desceu para a cozinha, levando consigo sua mochila. Tirou de lá um pote simples de vidro com tampa de plástico, sentou-se à mesa e começou a comer, miojo com chuchu, gelado mesmo. Victor a observava pelas câmeras de segurança. Impressionado com sua dedicação, desceu para falar com ela. Aproximou-se, curioso. — Eu ia pedir comida para nós dois. Sei que a refeição é obrigação de quem contrata o serviço. Rayra, constrangida, deu um pequeno sorriso. — Ah, não, imagina. Fica em paz. Eu sempre me viro. Ele encostou-se no balcão e, disfarçadamente, olhou para a marmita dela. Tentando não ser indelicado, ele falou: — Já pedi a comida, na verdade. Não quer esperar para comermos juntos? Rayra, cabisbaixa de vergonha, disse que não precisava e que já ia voltar ao trabalho. Victor, no entanto, sentou-se perto dela, mexendo no celular. — De onde você é? Tem família? Filhos? É casada? — perguntou, com curiosidade em seu olhar. Ela terminou de comer, levantou-se e foi lavar o pote. — Sou daqui mesmo, sozinha, sem ninguém — ela disse, com a voz baixa. Ele insistiu, curioso: — Ninguém? Tipo, irmãos, pais? Rayra sorriu sutilmente. — Sim, ninguém. Filha única. Meu pai nem me assumiu, e perdi minha mãe recentemente. Ela mudou de assunto, olhando ao redor. — Olha, por sorte, a casa não está suja, tipo sujeira de verdade. Vou conseguir terminar hoje. Mas talvez um pouco mais tarde, à noite. Tem problema? Se tiver, eu volto amanhã bem cedo. Victor a olhou com uma ponta de admiração. — Você pode decidir o que for melhor para você. Eu vou estar recebendo mais coisas amanhã, o pessoal do som, da comida, da decoração… Rayra ficou séria por um instante, parecendo pensativa. Logo depois, respondeu: — Prefiro terminar hoje. Vou voltar e ir para a sala de estar. Tem alguma escada para eu subir e alcançar as partes altas? Ele foi pegar e levou para a sala. Rayra continuou a faxina, incansável. Subiu e desceu a escada, limpando cada canto com uma dedicação impressionante. O almoço que Victor havia pedido chegou, e ele, com uma embalagem grande nas mãos, ofereceu a ela. — Venha comer comigo, por favor — ele insistiu. Rayra, educada, recusou mais uma vez. — Agradeço, mas não precisa, eu já comi. Vendo a firmeza na resposta dela, Victor não insistiu. — Tudo bem. Mas pode levar a marmita embora, se quiser. Ela sorriu, agradecida, e voltou ao trabalho. O resto do dia de Rayra foi uma maratona. Ela limpou, varreu, organizou a casa, desfez as caixas, e até se arriscou a ajeitar os móveis e a decoração nova. Enquanto isso, Victor permanecia no seu mundo, no quarto ou na cozinha, totalmente focado no celular e no computador. Ele a observava de longe, impressionado com a energia e a eficiência dela. Rayra não parou nem por um segundo, e Victor, pela primeira vez em muito tempo, ficou fascinado pela capacidade de alguém de trabalhar tão arduamente e com tanta paixão.
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