Capítulo 4

1020 Words
Rayra, ainda rindo, negou com a cabeça. — Não, não! É linda. Só… bem, é um estilo diferente. E você, do jeito que é, deve usar bastante, não é? — ela disse, com um tom de brincadeira e um olhar que o desafiou. Victor a encarou, com um sorriso lento se formando em seus lábios. Ele percebeu o flerte sutil e a audácia por trás da pergunta. O ar no quarto mudou, a tensão entre eles se misturando com a simpatia. — É… para ser sincero, essa cama é nova. Ninguém a usou ainda. Estava esperando a pessoa certa para inaugurá-la. — ele respondeu, mantendo o olhar fixo no dela. Rayra ficou vermelha e desviou o olhar, ainda rindo, se controlou e acariciou a cama dossel. — Eu só achei a cama linda. Nunca nem sonhei em ter uma dessas. — Ela suspirou, com um sorriso melancólico no rosto. — Para ser sincera, estou dormindo em um colchão no chão. Tive que me mudar e me desfazer de quase tudo. A feição de Victor se suavizou. Ele olhou para Rayra, para a sua roupa de trabalho e para a maneira como ela se portava, com dignidade, apesar das dificuldades. — Em um colchão no chão? — ele perguntou. — Você quer uma cama? Minha irmã tem uma casa com alguns móveis que não usa mais. Posso pegar uma para você, se quiser. Rayra ficou visivelmente constrangida. Ela balançou a cabeça rapidamente, com um pequeno sorriso nervoso nos lábios. — Não precisa, Victor. Muito obrigada. De verdade. — Estou morando com uma amiga em uma kitnet bem pequena, e não teria nem lugar para colocar uma cama. Mas, de novo, agradeço a sua gentileza. Ela pegou os produtos de limpeza e começou a organizar as coisas na bancada do banheiro. — Eu… eu vou começar a limpar aqui. Você precisa de ajuda com alguma coisa? Tem alguma regra, para arrumar o closet? Victor se aproximou, e o perfume dele a envolveu. Ele passou a mão pelo cabelo bagunçado, se olhando no espelho. — Não. Só preciso que você organize tudo. Sou bagunceiro demais. Rayra assentiu, sem ousar olhar para ele. O silêncio, antes confortável, agora era carregado de algo mais. A proximidade dele, o cheiro, e a conversa sobre a cama faziam seu coração acelerar. — Certo. Victor. — ela murmurou. — Eu vou começar pelo banheiro. Ele saiu do quarto, deixando-a sozinha. Rayra soltou o ar que nem sabia que estava prendendo. Olhou-se no espelho do banheiro, com o rosto corado, pensando: "O que está acontecendo comigo?", "É só mais um trabalho." Mas não era. A casa, a festa, e, principalmente, Victor, representavam algo que ela nunca havia experimentado, liberdade. A vida dela, até então uma luta para sobreviver, de repente se encheu de um brilho inesperado e perigoso. Ela terminou a limpeza do quarto, limpando cada superfície com cuidado, tentando afastar os pensamentos lascivos que a perturbavam. Mexeu nas roupas e calçados dele, fez tudo com dedicação. A cama dossel parecia imponente, e ela evitou olhá-la diretamente, ficou rindo sozinha, se imaginando presa na cama, sendo usada por Victor. Quando acabou, desceu e encontrou Victor no quintal. A equipe já havia ido embora, deixando uma estrutura imponente e pronta para a festa. Mas tinham outras pessoas lá fora. Rayra se aproximou dele. — Victor, eu terminei tudo, lá. Ele se virou, e um sorriso genuíno iluminou seu rosto. — Mais já? Que isso. — Vou te pagar. Já volto. Ele foi ao quarto, verificar. Em cima do balcão, na cozinha, havia um pequeno saquinho com as pulseiras da festa e uma lista de nomes. Rayra, curiosa, olhou a lista, pegou rapidamente uma das pulseiras, e a escondeu, acreditando que ninguém notaria. Victor demorou mais alguns minutos, mas logo voltou, fez o pix. Acompanhou-a até o portão, agradeceu pelo trabalho e disse que entraria em contato em alguns dias. Rayra, em êxtase, foi embora sorrindo à toa, ansiosa para colocar seu plano em prática. Em casa, iniciou sua transformação. Rayra cortou um franjão, escovou e alisou o cabelo. Fez uma maquiagem pesada, que mudou completamente a expressão de seu olhar. Mudou o contorno da boca e, quando se olhou no espelho, a pessoa à sua frente era outra, uma versão dela mais ousada e misteriosa. Sua amiga, vendo a transformação, disse que ela ia se dar m*l. Rayra, no entanto, estava decidida. Olhando para a amiga no espelho, ela respondeu com firmeza, com os olhos fixos em sua própria imagem: — Minha vida, não pode piorar. A amiga de Rayra emprestou-lhe um vestido preto curto, justo e de um ombro só. Ao vesti-lo, Rayra se transformou, parecendo uma mulher completamente diferente, sexy e confiante. Ela pegou um Uber e foi para a rua de Victor, ficou esperando um pouco no carro. Quando viu um grupo de mulheres chegando, desceu rapidamente e se juntou a elas, entrando na mansão despercebida. Dois seguranças monitoravam a entrada, um no portão e outro no quintal. Rayra entrou na festa, onde as convidadas recebiam máscaras. Sem hesitar, ela pegou uma que combinava perfeitamente com seu novo corte de cabelo e maquiagem forte, tornando-a quase irreconhecível. A mansão estava agitada, com música eletrônica alta. Mulheres e homens seminus circulavam, servindo bebidas e aperitivos. Rayra pegou uma taça de vinho, comeu vários aperitivos e, à distância, começou a observar Victor, que estava no meio dos convidados, como se fosse o rei daquele universo. Victor estava deslumbrante. Com o cabelo impecável, a barba bem-feita, ele vestia uma calça jeans escura, uma camisa preta de botões um pouco abertos, e um tênis casual branco. Quase todas as mulheres que chegavam iam beijá-lo na boca, algumas davam selinhos, outras beijos de língua. Rayra, com sua máscara, encostou-se perto da varanda, logo sentou de pernas cruzadas e continuou bebendo e comendo, a vontade. Sozinha, ela ria com deboche, achando um absurdo a cena das mulheres cercando Victor. O julgamento dela era tão evidente que nem a máscara conseguia disfarçá-lo. Ela não percebeu, mas Victor a notou. Em meio a tantas pessoas, ela era a única que não se aproximou para cumprimentá-lo.
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