Serviu-se de mais uma dose de uísque sem gelo e sorveu a bebida num gole só, absorvendo o amargor. Crispou os lábios num gesto de irritação e mau humor. Zanzou de um lado para o outro na sala atulhada de livros, empilhados em colunas, várias delas, pelo espaço amplo e com mezanino no andar superior. A fisgada no joelho esquerdo o fez lançar um rápido olhar para a bengala esquecida contra a parede próxima à lareira. Desde o acidente de carro que sofrera a caminho da Universidade, havia cinco meses, precisava deslocar-se se apoiando nela, arrastando ligeiramente a perna machucada. Quando resolvia fingir que o joelho voltara ao normal após a fratura, deixava-a no mesmo canto, abandonada. Arou o cabelo com os dedos. Era melhor acalmar-se, sentar no sofá e descansar a perna avariada. Não queri

