Capítulo 5 - Angel Cipriano

1704 Words
Como se não bastasse hoje ter que ir na delegacia resolver os últimos detalhes do acordo, recebi uma mensagem dizendo que Susan tinha brigado com uma modelo da agência. E mandaram a mesma mensagem para Diana. Não precisou nenhuma palavra ser dita entre nós para entendermos que era preciso voltar para a empresa. Então agora estamos no carro à caminho da sede, tenho uma vaga ideia do motivo do chilique da Susan. Aquele projeto de embuste que ela chama de marido. Nem vou gastar meus neurônios pensando nisso, porque já tenho problemas demais. Conheci meu namorado, Evan Scott. Ele é loiro, bronzeado, com um barba por fazer, olhos de um azul intenso, e corpo malhada. Não fez questão nenhuma de esconder como me devorava com o olhar. Se não fosse acostumado a conviver com modelos, diria que ele é um deus grego, daquelas estátuas que ficam nos museus. Mas meus padrões de beleza são bem elevados, vejo as pessoas mais bonitas da indústria da moda todo dia. Então para mim ele não passa de um sete. Reconheço homens cafajestes de longe, vai ser divertido brincar com ele. Vou brincar com sua sanidade até ele se arrepender de ter cruzado meu caminho. O carro estaciona na empresa, Diana e eu pegamos o elevador, enquanto ela aperta o botão do andar da presidência, aperto do andar do meu escritório. — Resolva o que tem de mais urgente, depois vá para o escritório.— Diana fala quando as portas abrem no meu andar. Kity já estava à minha espera, foi ela que me avisou da confusão. — A garota está na sala de maquiagem.— Nem preciso perguntar. Procuro uma bala de morango na minha bolsa, não encontro nada além dos papéis. Minha secretária é tão eficiente que me entrega um pacote, como se lesse meus pensamentos. Enquanto caminho para a sala de maquiagem, coloco uma bala na boca e mastigo, como se isso fosse melhorar minha raiva. Quando entro na sala, coloco uma segunda bala na boca, dessa vez apreciando o sabor. Meus olhos se arrastam pela garota loira, ela deve ter vinte anos se muito. Seu rosto está arranhado, e o cabelos desgrenhado, pelo que dá pra perceber Susan arrancou alguns tufos. Ela segura um saco de gelo no olho roxo. Tento lembrar do nome dela, mas sou péssima para nomes, e rostos também, a não ser que me chame muita atenção. Lembro apenas que ela fez um trabalho para a agência, precisávamos de um rosto novo, o cliente queria uma imagem visual exclusiva. Ela podia ter um futuro promissor, mas escolheu o caminho fácil. O mundo das supermodelos é complicado, ser bonita e magra deixou de ser o suficiente. O que mais vi nesse ramos são mulheres lindas que simplesmente não deram certo, não por falta de beleza ou esforço, simplesmente porque o mercado não quis. Sem falar que essa profissão é uma guerra contra o tempo, cada dia que passa é um dia à menos na carreira. Quanto mais elas se aproxima dos trinta anos não são consideradas mais bonitas. Sempre haverá uma garota mais jovem e bonita começando, enquanto elas envelhecem. — Senhorita Angel... não sei o que aconteceu pra aquela mulher me atacar.— Levanta rápido. — Aquela mulher é minha irmã, e você sabe disso.— Ajeito meu cabelo no enorme espelho à minha frente.— Tanto sabe disso que saiu com o marido dela. — Não sabia que David era casado. Viro de frente para ela, me apoiando na bancada. — Espera mesmo que acredite nisso? — Eu... — Foi uma pergunta retórica.— A interrompo. — Foi bem burrinha, garota... David é apenas marido da minha irmã, ele não tem poder nenhum dentro da empresa. É mais como um peso morto que a Susan trouxe para a família. Esperava que dormindo com ele ia ter mais campanhas para estrelar? Ele prometeu que ia abrir as portas do sucesso para você, se abrisse as pernas para ele? — Está me ofendendo. — Espera que fale como com a amante do meu cunhado? — David não falou que era casado.— Ela insiste nisso. — Por favor, vai continuar insistindo nisso.— Dou uma risada debochada.— Todo mundo que trabalha na empresa sabe quem são as irmãs Cipriano e que David é casado com um delas. Até sei que o pessoal da staff mostram fotos nossas a cada novo contratado, então essa não cola comigo. — Os olhos dela se arregalam.— Kity vai te passar a papelada do rompimento de contrato, a partir de hoje você não faz mais parte da equipe, e seus próximos trabalham serão cancelados. — Não pode me dispensar assim, minha agenda dos próximos meses era toda com a empresa, sem ela não vou ter trabalho. — Pensasse nisso antes de fazer o que fez. — Se me dispensar vou ir até a mídia e expor tudo.— Ameaça.— Contar do caso, que sua irmã me bateu, acabo com a imagem da sua família. — Estou tentando ser legal com você.— Me aproximo dela.— Desse jeito você ainda pode ter uma carreira, se me irritar... com algumas ligações acabo com sua carreira no mundo da moda. Então saí enquanto ainda tem alguma dignidade. Lágrimas se acumulam em seus olhos, ela era promissora, mas com essa mentalidade não vai longe. Olho para Kity, ela entende tudo com apenas um olhar. Todos os procedimentos que tinham que ser tomados a partir de agora junto com o departamento jurídico. — Estou indo para o escritório da Diana.— Pego o caminho para o elevador. Não coloco a culpa apenas na moça, David é tão culpado quanto ela. Vou morrer e não entender o que Susan viu naquele traste. Podem achar que foi rude da minha parte demitir a garota, enquanto meu cunhado irá ficar sem sofrer consequência nenhuma. Demitir ela foi meu jeito de ter misericórdia. Ela estando bem longe daqui ainda pode ter uma chance de se reerguer. No momento que Susan e David ser acertarem, coisa que vai acontecer logo, minha irmã vai concertar toda sua raiva na garota. Vai acabar com a vida dela. Já vi isso acontecer. Quando as portas do elevador se abrem no último andar, o da presidência, o clima está dos piores. Consigo escutar gritos abafados que vem do escritório da Diana, a secretária apenas acena dizendo que posso entrar. Ao abrir a porta vejo uma cena familiar, Susan está com um tom alterado, enquanto Diana cobre o rosto com mão. Tem três xícaras de café na mesa, uma ainda intacta, julgo ser para mim. Pego a xícara tomando um grande gole. — Aonde está aquela vagabunda?— Susu chega babar de tão braba. Vou até o mini bar, pegando uma garrafa de vodka, coloco um pouco no café. Estou sóbria demais para aguentar essa cena. — Já resolvi tudo.— Tomo outro gole do café. — Vou acabar com a vida dela... ela nunca vai ter coragem de sair na rua. — Chega, Susan.— Diana pede um pouco do meu café.— O departamento é da Angel, ela sabe como proceder com os problemas. — O que você fez, Angel?— Os olhos de Susan parecem que vai sair das órbitas de tanta raiva. — Ela não faz mais parte do nosso quadro de contratados.— Sento ao lado de Diana, pegando minha xícara de café. — Isso não é o suficiente... devia ter desfigurada aquela cara dela, pra ela nunca mais conseguir trabalhar. — Susu...— Dou mais um gole no café.— Ela tem culpa, ninguem discorda disso. Mas e o seu marido? O que acontece com o David? Acho que ele te deve bem mais satisfação do que uma garota que você nunca viu na vida. — Está defendendo aquela v***a*?— Susan pula do sofá. — Não estou defendendo ninguém... — Vocês duas nunca gostaram do David.— Ela me interrompe. — Chega, Susan.— Diana suspira. — Se dessem uma chance dele trabalhar na empresa, mas nem isso fazem pelo meu marido. — Ele precisa ser competente para trabalhar para nós.— Não seguro a língua.— Não apenas ter se casado contigo. — DEU...— Diana altera a voz.— Não é hora para as duas ficarem de encrenca, já temos problemas demais... Susu... pensei bem e acho bom você ficar de recesso por um mês. — Porque? — Você agrediu uma modelo, muitas pessoas viram, não quero que isso vá parar na mídia. — Angel agrediu aquele fotógrafo e nem por isso você mandou ela ficar em casa. Deve ser porque faço mais dinheiro que você. — Isso mesmo, Susu, me chamou tanto de irresponsável, e agora está no mesmo barco que eu.— Dou um sorrisinho debochado. — Diana... — Minha decisão já foi tomada.— Diana é firme.— Você previsa desse tempo para colocar a cabeça no lugar. Susan sai pisando firme, e bate a porta com força quando saí. — Ela precisa de um divórcio, isso sim.— Resmungo. Diana se joga no sofá, com uma expressão cansada. — Faça a garota sair o quanto antes da cidade, Angel. — Deixei Kity cuidando disso, e o vou pedir uma reunião com o pessoal que assistiu tudo para ficar de bico fechado. — Isso mesmo... por favor se comporte para não trazer mais problemas com o seu caso na polícia. — Tinha que se preocupar com o David, quantas vezes já tivemos que abafar casos dele. — Papai nunca deixaria Susan ter se casado com ele. — As vezes penso em fazer um teste toxicológico, porque ela não pode estar sóbria, tem que ter droga pesada aí. Diana começa a rir. — Só você para me fazer rir, Angel. Termino meu café, levantando do sofá. — Vou lá terminar a contensão de danos. — Qualquer coisa me avisa. — Pode deixar, chefa.— Pego o rumo do meu escritório novamente. Esse dia vai ser do cão. Só problema atrás de problema, e ainda são apenas dez horas da manhã. *Pessoa essa semana teremos 2 capítulos por dia, peço ajuda de vocês para comentarem e divulgar na praça da Dreame. Qualquer mudança de planos aviso vocês.
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