Mais um sábado chega naquela semana de outono em Nova Jersey.
Kiera, Livia, Catie e Clark decidem ir ao cinema, e Kiera aproveita e convida seus irmãos, mas Will dá uma desculpa esfarrapada que não pode pois tem que estudar para uma prova e Maggie e Lexie tem uma festa na casa de j**k. Então acaba que só resta mesmo aos quatro irem para o cinema.
Livia e Kiera vão juntas para o local, e lá encontram com Catie e Clark.
Já no cinema, Livia, como a boa amiga que é, faz o que pode para tentar aproximar Catie à Kiera, ela deixa a menina se sentar ao lado de Kiera, compra um balde de pipoca com m&m's para as duas já que é o preferido de ambas, aceita assistir ao filme que elas querem mesmo que ela não queira... Mas nenhum dos esforços da garota valem a pena.
Ainda no começo do filme, Catie vai embora sem dar nenhuma explicação que a Lodge consiga entender já que ela fala aos sussurros. E ainda arrasta Clark consigo, esse nem reclama, já havia lido o livro e não gostou da história, ele se despede das duas garotas e parte juntamente à Catie.
No instante que os amigos de Livia vão embora, Kiera sente que seu coração pode sair pela boca a qualquer minuto, uma excitação gigantesca toma conta de seu corpo e um sorriso que vai de orelha a orelha é fixado em seu rosto.
A situação é tão crítica que até mesmo nas cenas tristes ela sorri. A garota de olhos verdes pergunta o motivo do sorriso, mas a própria cupido não pode responder. Ela não sabe o porquê, ou melhor, não quer admitir para si mesma o motivo de sua felicidade. Ao seu lado, Livia está frustrada por causa de Catie, mas têm de admitir para si que até que ficou um tanto feliz por ficar à sós com a Dallas.
Ao menos a Lodge admite algo, mesmo que seja só para ela mesmo.
— Está gostando do filme? – Kiera questiona sem se importar muito com a altura da voz, a sessão, mesmo que seja sábado, está vazia.
— Estou. Clark falou que era péssimo, mas eu estou gostando – Livia dá de ombros, comendo a pipoca tamanho gigante que agora está entre ela e Kiera.
— É, eu também estou gostando. Bastante – o ênfase que a garota de cabelos loiros dá na palavra 'bastante' não se refere ao filme, tampouco a pipoca, mesmo ela estando na medida certa de sal e manteiga, por isso, quando é pronunciada, a mais velha olha diretamente nos olhos da Lodge. Já havendo entendido o que a cupida quis dizer, e com um aceno de cabeça, concorda com a outra, logo após voltando seus olhos para a tela à sua frente, implorando aos céus para que Kiera não veja suas bochechas coradas fazendo companhia a um sorriso que sorrateiramente foi crescendo em seus lábios.
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Já faziam alguns minutos que Lexie e Maggie chegaram à casa de j**k, uma elegante casa, deve ser destacado aqui, não é um exagero, ele tem um tamanho proporcional para um bairro de classe média alta, mas tudo é tão bem organizado e também de bom gosto que fez o lugar ficar com um toque de luxo e de glamour.
Todos os convidados já estão presentes no local. O casal circula por um momento pelo local, parando apenas para conversar com alguns colegas da escola. Os garotos da festa as observam com um olhar selvagem, tanto Maggie quanto Lexie fingem não reparar, mas os olharem acabam incomodando tanto a Savior quanto Dallas. As duas nunca assumem, mas elas sempre foram e sempre serão ciumentas uma com a outra. Muito ciumentas.
— Lexie, Maggie! Que bom que vocês chegaram, só faltavam vocês! – Manuel grita assim que avista as duas garotas. Ambas tomam um susto com os gritos do menino, mas se viram com sorrisos em seus rostos para cumprimentá-lo.
— Manuel. Tudo bom? – Maggie, sempre com toda sua educação, pergunta a ele.
— Eu estou ótima! Melhor agora que minhas duas novas amigas estão aqui – ele as agarra pela mão e puxa-as para o meio da sala, as cupidas conseguem sentir o cheiro de bebida saindo pelos poros de Manuel, mas mesmo assim o seguem, dos três, ele é o mais divertido, então as duas não se importam tanto de passarem um tempo com o garoto.
Com sorrisos em seus rostos, Maggie e Lexie dançam juntas um pop agitado que começa a tocar na festa. Após algumas bebidas as duas garotas estão agitadas, levemente alteradas, e com todo o pique do mundo para dançarem pelo resto da noite. Quando a música acaba, rapidamente outra começa a tocar em seu lugar, dessa vez uma balada lenta. Sem se preocuparem com ninguém ao seu redor, o casal entrelaça as mãos e Lexie se aninha no peito de Maggie, e juntas começam a dança com passos lentos de um lado para o outro, assim como vários casais ao redor. Nenhuma das garotas percebe os olhares que lhes são lançados pelos ainda sóbrios da festa, e nem se tivessem percebido ligariam. Para elas, a opinião dos outros nunca foi importante.
Sorrateiramente j**k passa por entre os casais que estão dançando até chegar onde quer. De primeira, ele estranha a forma que as duas estão agarradas, mas volta a focar em seu objetivo. Pigarreando, ele chama a atenção do casal, e com o seu melhor sorriso no rosto, começa a conversar com elas.
— Meninas! Que bom que encontrei vocês, achei que não viriam.
— Claro que não perderíamos a festa, eu e Maggie amamos festas – Lexie declara. Ao seu lado, percebe que a namorada está um tanto nervosa por conta da forma que elas estavam dançando, elas não se importam com a opinião dos outros, isso é verdade, mas também não podem se expor dessa forma.
— Ótimo! Mas então, vocês estão se divertindo? – j**k pergunta para elas. Maggie não entende o sentido de toda essa conversa fiada, mas decide responder mesmo assim.
— Sim, o DJ é ótimo – Maggie fala e não é uma mentira, todas as músicas que foram tocadas até então a agradaram bastante, principalmente a última.
— É, eu percebi, você e sua irmã estavam dançando tão envolvidas – o menino comenta. Não tem um tom acusatório em sua voz, e sim uma curiosidade contida. Lexie sorri sem-graça, tentando esconder o nervosismo que agora toma conta de si por causa da situação.
— Oh... Bom, nós somos muito afetuosas, é isso – a menina de olhos cor de mel dá de ombros, tentando aparentar que faz pouco caso da situação.
— Isso é muito bonito – Sullivan concorda – Mas enfim, Lexie, você poderia me ajudar a pegar algumas coisas no carro? São bebidas que eu acabei de comprar e eu não consigo carregar tudo sozinho, fora que o resto da festa está bêbada demais para me ajudar – ele sorri com inocência, mas nem isso pode enganar as cupidas, Maggie consegue ver explicitamente a malícia nos olhos do garoto. A Dallas também percebe, da mesma forma que percebeu j**k tentando seduzi-la a semana inteira.
— Claro que sim, vamos Maggie – a morena chama sua namorada, já se preparando para seguir o garoto de cabelos castanhos.
— Maggie não precisa vir, vai ser rápido. Por que não dá uma voltinha por aí, Mags? Tem vários garotos te observando há tempos... – e com essa frase, ele agarra a mão de Lexie e a leva em direção ao lado de fora da casa. Já a Savior bufa e revira os olhos com raiva do menino oferecido, indo até a mesa de bebidas tomar um copo de cerveja, o quinto da noite.
Eu deveria ter bebido mais, assim não teria como ajudá-lo, pensa Lexie, não porque não gosta de ajudar as pessoas, pois afinal, é isso o que ela faz, mas sim porque ficar a sós com j**k em qualquer lugar que fosse a assusta.
— Eu acabei colocando tudo no banco de trás – ele se desculpa e Lexie apenas assente, ficando afastada do carro para que j**k possa abrir a porta.
Assim que a porta é aberta, o menino se afasta e gesticula em direção aos bancos, indicando que Lexie pode pegar as bebidas, mas no momento que ela se inclina para dentro do carro, percebe que não há absolutamente nada lá. O veículo está vazio, sem nenhuma garrafa de bebida. Adentrando um pouco mais, ela olha para o chão, mas lá também não há nada.
— j**k, onde você colocou as cervejas? – ela pergunta tarde demais, quando se vira para sair do carro, ela se depara com Sullivan sentado no banco, um sorriso assustador no rosto, as portas todas trancadas e travadas, e não há nenhum sinal da chave.
— Sente-se Lexie – assustada, ela o obedece. O que esse menino tem na cabeça? Ele é louco? Me deixe voltar para o Maggie, seu i****a. O menino se aproxima da garota assustada e começa a passar as mãos nos ombros magros dela.
— O que você está fazendo? – ela pergunta, observando os movimentos que ele faz com a mão.
— Shiii... Não precisa ficar assustada, eu sei que você quer – ele sussurra no ouvido de Lexie.
— Quero o quê? j**k, você está ficando louco?
— Eu sei que você me quer Lexie, e eu te quero também, quero você pra mim