Eu realmente fui com o Kenzo. Eu sentei durante toda a reunião. Na verdade, foi muito interessante. Eu gostei da oportunidade de ver como esse tipo de coisa funciona. Eu até fiz anotações o tempo todo. Caso o Kenzo tenha perguntas, ou precise de tempo para pensar sobre o que escolher.
E ele teve. Ele informou a todos que tomaria uma decisão até o fim da semana. Todos pareciam felizes com a decisão dele.
Beck voltou para o último andar com o Kenzo e eu. Eles ficaram em silêncio o tempo todo. Beck continuava me lançando olhares sedutores. Para os quais eu apenas estreitava os olhos, ou revirava os olhos. Mas parecia que o Kenzo não se importava com isso.
Veja, totalmente fora do meu alcance. Eu sei disso. O Kenzo sabe disso. Provavelmente o Beck também sabe.
Quando saímos do elevador, eu praticamente tive que correr para acompanhar os dois homens.
"Eles não poderiam ir um pouco mais devagar? Eu tenho pernas pequenas em comparação com eles. Malditos homens."
Eu estava ocupada demais olhando para os meus pés para notar que eles tinham parado na minha frente. Acabei esbarrando nas costas do Kenzo com um som alto. Eu esfreguei o nariz enquanto o encarava com raiva.
Kenzo virou-se com uma sobrancelha levantada.
"Malditos homens?" ele perguntou.
Meus olhos se arregalaram enquanto meu rosto ficava quente. Oh não. Será que eu disse isso em voz alta?
Beck riu.
"Pernas pequenas pra caramba." ele disse.
Eu o fitei com uma carranca.
"Comparado com vocês dois." eu disse, e então me virei para o Kenzo. "Desculpe, senhor, eu não queria dizer isso em voz alta. Vou tentar acompanhá-los." eu disse.
Kenzo me olhou ligeiramente chocado. Consigo ouvir Beck rindo novamente, mas meus olhos estão fixos no Kenzo. Como sempre. Por que ele tem que ser tão bonito? Não é justo.
"Você poderia apenas ter me pedido para ir mais devagar, Opal." Kenzo disse de maneira factual.
Com isso, Kenzo se virou novamente e voltou para nossos escritórios. Em um ritmo muito mais fácil para eu acompanhar. Graças a Deus por isso.
Assim que chegamos aos nossos escritórios, eu me sentei em minha mesa enquanto Beck e Kenzo entraram no escritório dele. Eu pensei sobre a forma como o Kenzo me tratou hoje. Eu sei que é apenas meu primeiro dia, mas ele não é o que eu esperava de um CEO. Ou de um Dom, para falar a verdade.
Kenzo parece tão... genuíno. Ele não é um falante, e tem uma voz muito monótona na maior parte do tempo. No entanto, ele é gentil e elogia quando é merecido. Fico me perguntando se ele é assim o tempo todo, ou se é só porque hoje é meu primeiro dia. Acho que só posso esperar para ver.
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Beck e Kenzo estão no escritório dele há um tempo agora. Estou começando a me perguntar se o trabalho do Beck é apenas fazer companhia para o Kenzo. Na verdade, eu não o vejo fazer nenhum trabalho.
"Ahem."
Ao ouvir esse som, minha cabeça se levantou imediatamente para encontrar uma mulher em pé na frente da minha mesa. Meu rosto corou quando a observei. Eu nem a notei.
Essa mulher parece ter a mesma etnia do Kenzo. Ela tem cabelos pretos presos em um coque na parte de trás da cabeça. Seus olhos são tão profundos quanto os dele. Um sorriso doce se espalha em seu rosto pequeno. Até mesmo a pele pálida dela está radiante.
Wow... Ela é... linda.
"Uh, me desculpe, eu nem te vi aqui." eu disse de forma desconfortável.
A mulher balançou a mão no ar.
"Ah, de boas. Meu nome é Akane Suzo. Estou aqui para ver o Kenzo." ela me disse.
"Oh, sem problemas. Ele está em uma reunião agora, mas vou avisá-lo que você está aqui." eu disse a ela.
Levantei-me para bater na porta do Kenzo.
"Entre." Kenzo chamou.
Ouvir aquela voz grave todos os dias será uma recompensa por si só.
Abri a porta e entrei em seu escritório.
"Senhor Suzuki, a Sra. Suzo está aqui para sua reunião." eu informei.
"Reunião?" Beck questionou.
Kenzo apenas assentiu em resposta.
"Mande-a entrar. Beck, pode sair." ele disse.
Eu assenti para Kenzo e me virei para Akane. Ela me deu outro sorriso radiante, que eu devolvi instantaneamente. Eu realmente gosto dessa garota.
"O Sr. Suzuki vai te receber agora." eu disse a ela.
Beck saiu assim que as últimas palavras saíram da minha boca. O sorriso de Akane desapareceu de seu rosto quando ela o viu. Beck sorriu para ela em resposta.
Eles... se conhecem?
"Akane, tão bom te ver novamente." Beck disse com seu charme usual.
Akane olhou para ele entediada. Ah, definitivamente gosto dela. Ela consegue ver através das mentiras de Beck.
"Oi, Beck. Se me der licença, tenho uma reunião com o Kenzo." Akane respondeu.
Então ela entrou no escritório do Kenzo e fechou a porta.
Espera, ela acabou de chamá-lo de Kenzo. Não de Sr. Suzuki. Ela o conhece bem? Talvez ela seja a namorada dele, ou algo assim. Posso entender o apelo. Akane é uma mulher tão impressionante, e parece tão legal.
"Tentando olhar com força suficiente para ver através da parede?" Beck provocou.
Revirei os olhos enquanto o olhava.
"Não, apenas pensando." murmurei ao me sentar em minha mesa.
Beck se apoiou na minha mesa, como sempre faz.
"Quer saber mais sobre ela?" ele perguntou.
"Saber sobre quem?" perguntei.
"Sobre a Akane, é claro. Quem mais?" Beck disse, divertido.
Balancei a cabeça.
"Não." afirmei.
"Por que não? Posso ver que você está curiosa." ele provocou.
"Posso tirar minhas próprias conclusões, obrigada." eu disse."Você realmente não quer saber?" Beck perguntou, parecendo genuinamente curioso.
Olhei para os olhos castanhos dele.
"Não gosto de fofocar." Disse, fazendo bico.
Os olhos de Beck se fixaram nos meus lábios, então voltaram para os olhos.
"Mesmo?" Ele perguntou, como se não acreditasse em mim.
Franzi a testa para ele.
"Não finja que não ouviu os rumores sobre mim." Disse, virando novamente para o computador.
Preciso fazer uma lista com a agenda do Kenzo para a semana. Entrar em contato com as pessoas com quem ele vai se encontrar. E confirmar novamente com todas elas antes. Meu e-mail também está cheio de todo tipo de pedidos e alterações.
"Tudo bem. Ouvi os rumores sobre você." Disse Beck.
Ignorei-o.
"Parece que o Kenzo também ficou sabendo. Embora ele ache que possa haver alguma verdade neles." Disse Beck.
Revirei os olhos.
"Há alguma verdade neles?" Beck perguntou.
Olhei novamente para seus olhos. Beck tem um sorriso encantador estampado no rosto, mostrando aquelas covinhas adoráveis. Não tenho certeza se ele está perguntando por curiosidade ou por algo totalmente diferente.
De qualquer forma... Ninguém nunca me perguntou se é verdade ou não. Todos eles simplesmente presumem que sim, ou acham que não. O Eric não acredita nos rumores, mas nunca me perguntou sobre eles de verdade. Ele apenas me conhece bem.
Mas como o Beck está perguntando... E é a primeira pessoa a perguntar sobre isso... Talvez eu devesse dar o benefício da dúvida e ser honesta.
"Não. Não há verdade neles." Respondi.
O sorriso de Beck se alargou.
"Você também vai esclarecer isso para o Kenzo?" Ele perguntou.
Revirei os olhos e voltei para o computador.
"Não." Respondi.
"Por quê?" Beck perguntou.
"Porque ele não perguntou." Respondi.
"Hmm. Parece que ele tem a impressão de que são verdadeiros, no entanto." Ele disse.
Suspirei. "Então ele deveria ter me perguntado, em vez de presumir coisas." Afirmei.
Beck riu.
"Isso não te incomoda?" Ele perguntou.
"Que meu chefe ache que sou uma espécie de prostituta? Não." Menti.
"Não minta para mim, Opal." Disse Beck em tom baixo.
A forma como ele disse isso fez arrepios percorrem minha espinha. Calafrios surgiram nos meus braços e pernas. Uau, ele soou quase tão sexy quanto o Kenzo.
Olhei para os olhos castanhos de Beck. Ele me encarava seriamente. Isso me fez fazer um bico involuntariamente em resposta.
"Claro que me incomoda. Todos sempre presumem o pior de mim porque eu não era qualificada para este emprego. Todos começaram a falar sobre mim desde o momento em que comecei a trabalhar aqui. Nenhum deles se deu ao trabalho de me perguntar a verdade sobre como consegui este emprego." Respondi honestamente.
"E qual é a verdade?" Beck perguntou.
Suspirei.
"Eu trabalhava em uma cafeteria a algumas quadras daqui quando conheci o Ted pela primeira vez. Ele vinha todas as manhãs. Nossas conversas eram breves no início. Depois comecei a escrever a 'palavra do dia' em seu café. Isso levou a mais conversas. Eventualmente, desenvolvemos uma amizade. Após alguns meses, ele me pediu para candidatar-me ao emprego. Para fazer uma entrevista. Eu pensei: 'por que não'." Contei a ele.
Então, desviei o olhar do rosto bonito de Beck.
"A verdade é que o Ted me deu uma chance porque sentia pena de mim. Era só isso. Tentei todos os dias não decepcioná-lo." Concluí.
Beck ficou em silêncio por um momento. Eu também não o encarei. Então ele se inclinou sobre minha mesa. Virei a cabeça e o encontrei a poucos centímetros do meu rosto.
"Obrigado por me contar a verdade. Isso foi muito bom." Disse em tom baixo.
Beck afagou minha cabeça e se afastou. Deixando-me perguntando qual diabos era aquilo. Desde quando gosto de ser chamada de boa garota?